sábado, 8 de junho de 2013

Aqui habita um professor? - III.


Não acho que "existem assuntos que não devem ser tratados na escola", como já ouvi, de professores e alunos em diferentes momentos da vida. Porém, confesso, que me embaraço para tratar de alguns temas - seja na escola, com crianças e adolescentes, seja na mesa de casa, quando eu era uma criança ou adolescente ou adulto.

Na escola era um dia atípico: aulas suspensas para disputa das finais dos Jogos Interclasses. A grande maioria dos alunos não estava lá muito preocupada com o que ocorria dentro da quadra, e aproveitava o tempo livre para a sociabilidade que realmente lhes fazia sentido.
Cansado, o relógio já batia as cinco horas da tarde (e eu estava na escola desde as seis da manhã) me sentei em um dos bancos próximo à quadra. Quando estava quase cochilando, um grupo de três alunas (da sexta série) se aproximou e sentou no banco.
Conversavam sobre o dia dos namorados, e discutiam sobre qual o melhor presente pra se dar a um namorado. 
Subitamente (e sem muita escolha), fui incluído na conversa por uma das garotas:

-Professor, o que um homem gosta de ganhar no dia dos namorados?
-Bom - saia justa, pensei, saia dela - depende do homem.
-Não professor! Tem relógio, tem blusa, tem tênis, tem um monte de presente legal. O que homem gosta de ganhar?
-Não sei, realmente, depende do homem.
-Olha fessor, você, o que você quer ganhar no dia dos namorados? - sempre dá pra saia ficar mais justa.
-Sossego - foi a primeira e unica coisa que consegui lhes responder.

Aparentemente, estraguei a conversa. As meninas pararam o assunto, começaram a falar sobre outra coisa até que saíram do banco, e eu tornei a estar sozinho assistindo os meninos batendo canela dentro da quadra.

Tenho certeza de que dei a resposta errada. Deveria ter dito: "um relógio".


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