domingo, 2 de junho de 2013

Aqui habita um professor? - II.


Desengonçado, entrei. Não sabia direito o que fazer. A simpática moça (uma das responsáveis por manter a ordem no corredor) fechou lentamente a porta e sumiu de minha visão.
Agora era eu, de um lado, eles e elas, de outro.
Qual o meio de campo limitador e afastador desta equação social esquisita? A mesa que eu deveria chamar de minha. Na qual, aliás, me sentei - causando certo espanto nos que estavam do outro lado.
"Vocês não me conhecem, e eu não conheço vocês, certo?". Silêncio. "Certo?".
As perguntas e afirmações que foram feitas, por elas e por eles, após dizerem um tímido "sim" para a minha pergunta, indicaram fraquezas e precariedades da escola pública neste estado de são paulo (assim, com letras minúsculas).

-"Você vai dar aula pra gente só hoje ou até o fim do ano?".
-"Creio que até o fim do ano, por quê?".
-"A gente já teve uns três professores de Geografia esse ano, mas era tudo substituto".

Julgando 'começar com o pé direito', fui prudente, e perguntei o que se lembravam de terem tido em Geografia este ano. 
E eles não se lembravam de nada, até por que, era algo próximo disso que haviam realmente tido até ali.




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