domingo, 21 de abril de 2013

Tarefas Ingratas de quem está entre as duas Alemanhas - II.


O dinheiro fala a verdade se cala.


Edificaram a riqueza sobre o suor de quem trabalha.






sexta-feira, 19 de abril de 2013

Tarefas Ingratas de Quem esta entre as Duas Alemanhas - I.


O preciso momento em que quem ainda estava em uma Alemanha, conhece a outra.

Então, nós temos tinta nas mãos, mas ainda pintamos o mesmo.


Em tempo (de cima das ruínas da muralha derrubada): o preciso momento em que quem ainda acreditava haver duas Alemanhas, descobre que a divisão não mais existe.

Algemas confortáveis, na repetição.


Uma junção também envolve rupturas, quebras, recomeços.

Mas tudo o que temos em pedaços na fantasia pode ser completo na realidade.


E momentos de quebras também envolvem outras junções, proximidades, [bri]colagens.









terça-feira, 16 de abril de 2013

O que te dá esse direito?

[Ou: "burocraticamente filho da puta"].

Preâmbulo:

Odeio burocracia. Li Max Webber, e passei a odiar mais.
Sempre que possível procuro minimizar e/ou simplificar ao máximo os processos e corres burocráticos a que tenho de me submeter.
Quando fazíamos coisas que envolviam 'inscrições" volta e meia eram sugeridas tabelas, planilhas, listas, formulários etc. Aquilo tudo me chateia.

Explicação em Si:

Quando vou passar por algo que requererá burocracia, já me preparo, temporal e espiritualmente. Isto é, separo um dia ou um período inteiro (uma manhã, uma tarde) para dedicar a tal processo. Normalmente separo também previamente uns trocados para uma coxinha, um sorvete, uma cerveja ou qualquer coisa que possa amenizar os efeitos de um período em corres burocráticos.
Já sei que me irritarei, já sei que haverá documentos ausentes (mesmo que não tenham sido pedidos anteriormente) e já sei também que haverá filhos das putas - nestes termos.
Webber (e nenhum sociólogo que trata do assunto) não utiliza este tipo de classificação para indivíduos envolvidos com andamentos burocráticos, mas eu tenho certeza: desde a abertura do primeiro cartório, desde a redação da primeira portaria, desde a criação do primeiro balcão de cartório, desde a "necessidade" da primeira cópia em três vias, já havia atrás do balcão, entre carimbos e grampeadores, um filho da puta - nestes termos.

Resmungo em Si:

Vou começar a dar aulas (e este blogue viverá uma nova fase de reclamações, descobertas, invocações etc: as relacionadas com o ato de lecionar), e, para começar a dar aulas, procedimentos burocráticos são necessários, a começar por uma lista com dezenove (19) documentos que devem ser entregues na secretaria da escola em que darei as tais aulas.
Providenciando estes documentos - que já me consumiram três períodos: uma manhã e duas tardes - já deparei-me com diversos e distintos balcões e filhos das putas. Mas nenhum deles supera e, duvido, superará o da tarde de hoje.
Estava marcado para as 13 horas (popular "uma da tarde") o providenciamento de um dos dezenove documentos. O sujeito (o filho da puta em questão) chegou às 13h42min (popular 42 minutos de atraso).

Encerramento da Questão:
Filhos das Putas Burocráticos e Burocratizadoras: o que lhes dá o direito de atrasarem, atenderem mau, agirem com desdém?


[o título da foto é "por um fio"].

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Três Curtas Sobre Religião - III.


Desci do ônibus, caminhei por dois quarteirões, entrei à esquerda e caminhei por mais dois quarteirões. Passei por uma grande praça, com campo de areia para Futebol e Vôlei, academia ao ar livre, bancos, rampas para skatistas, lixeiras simpáticas etc. Caminhei mais três curtos quarteirões e cheguei onde deveria ir.
Subi a escada de entrada e já visualizei um balcão (onde, pensei, pediria informações). Antes de avistar qualquer ser humano atrás do mesmo, meus olhos alcançaram uma imagem de gesso de São Cosme e Damião, repousada sobre o balcão.
Enfim encontrei o ser humano que trabalhava atrás do balcão - e de São Cosme e Damião - uma moça extremamente solícita. Notei também, atrás da moça, colado na parede lateral, um papel com uma frase que começava com: "aquele que no Filho crê, tem proteção onde quer que vá...".
Recebi as primeiras informações de que necessitava, sendo uma delas - dita pela moça solícita - que o que eu devia fazer lá demoraria um pouco. Perguntei pelo banheiro: "segunda porta entrando nesse corredor aqui à sua esquerda".
Antes mesmo de chegar na esquerda, para adentrar no corredor e ir a toilette, notei que acima de minha cabeça, preso em uma viga, reinava - todo imponente e pomposo - um grande crucifixo, construído com técnicas mistas: a cruz era de madeira, e Jesus de um material que me pareceu ser de gesso.
Fui ao banheiro, e enquanto secava as mãos, pensei: "caramba, me sinto numa Igreja, mas estou mesmo em uma Escola Pública".




terça-feira, 2 de abril de 2013

Palavras no espelho.


[Ou: "o que fora escrito em meu espelho me reflete"].

***

Aparece de repente.
Me dá um susto [quase] me mata do coração.
Fazendo uma surpresa surgindo do nada onde e quando [aqui] eu não te espero.

Mas aparece.

E vem sorrindo [mas se não for sorrindo tudo bem vem, vem assim mesmo aparecendo de repente que depois sorrisos se farão] mas vem.

Vem.

Vem e [quase] me mata do coração por estar aqui onde e quando eu se quer esperava mas [quase] me matando [do coração] por presença e não por ausência.



segunda-feira, 1 de abril de 2013

Um Morcego.


Ele estava falando comigo. Após tanto tempo, ele estava falando comigo. Já vinha falando há algum tempo, já era algo. Mas, naquele instante em si, ele falava comigo. E, naquela situação, eu era o único que lhe dava ouvidos.

me distraio com facilidade. desde quando? desde sempre, por favor, não me perguntem sobre isso. não lembro quando começou, acho que eu estava distraído demais para perceber que estava distraído.

Não queria que nada me distraísse. Na verdade, sabia que não podia me distrair. Pois havia passado tanto tempo sem falar comigo. Pois eu era o único por ali a lhe dar ouvidos. Pois ele falava, e era co-mi-go; não queria desperdiçar o momento.

às vezes, nem percebo, e já estou fazendo besteira; nem percebo, e já estou distraído (talvez por não perceber seja distração). muitas vezes, quando dou por mim, tenho as mãos fazendo algo, a cabeça pensando noutro algo, os olhos focados num terceiro algo e os pés ritmando uma música que escuto  apenas mentalmente.

De repente (como sempre, já me acostumei, tento me desvencilhar mas não vai embora): "ouviu o que eu disse?". "Oi? Foi mau, não ouvi". Repetiu, desta vez eu ouvi. Acontece que o morcego que havia passado voando sobre nós (e se tornado foco de minha atenção) já havia ido embora.

na verdade, tal qual em desenhos animados que víamos juntos quando eu era criança, acho que há uma nuvem foscamente preta, composta unicamente por centenas de morcegos, sobrevoando os nossos castelos. não são castelos, tão bem sabemos, mas estão erguidos, ou foram erguidos, ou estão ai. e há morcegos em cima - talvez três centenas. e talvez por isso eu esteja há tanto tempo, distraído, sem previsão de retorno.

Ps: à parte o último parágrafo em letras  diminutas, isto não é uma metáfora.