terça-feira, 12 de março de 2013

Três Curtas Sobre Religião - II.


[Articula direta e integralmente com "Três Curtas Sobre Religião"].

Em uma tarde [quente à beça] fui à uma missa, após cinco ou seis anos sem tomar conhecimento deste tipo de ritual [podemos classificar missa como ritual?]. Não estou brincando, a última missa que eu havia ido fora em 2008; e também não estou brincando: dentro daquela Igreja fazia um calor dos Infernos.  Mentalmente, anotei três curtas sobre religião [está certo que o primeiro é bem comprido, mas tem problema não, digo aos apóstolos]:

Entrei e posicionei-me no fundo da igreja, próximo à porta. Primeiro pois entrei tardiamente na mesma, segundo pois queria ficar próximo de onde havia alguma circulação de vento, pois estava realmente quente. 
Do fundo da igreja notei que havia, entre a porta e o início dos bancos, um espaço de aproximadamente três metros, e, antes de se iniciarem os bancos, duas grossas tábuas de madeira na horizontal [não flutuavam, mas sim estavam fixadas em uma parede vertical, que não tinha mais do que um metro de altura]. Entre as duas pequenas paredes, um espaço que deveria ter um metro e meio, e que entendi ser a "segunda porta" da igreja. 
Nas pontas das tábuas na horizontal, bem perto desta 'segunda porta', havia duas pequenas fontes - daquelas que mantêm a água circulando por um mecanismo elétrico, e que são ligadas na tomada - e que na verdade só são fonte de consumo de energia, pois bombeiam água, e não são fontes de água.
Notei também que muitas pessoas entravam na igreja, molhavam um dos polegares na água de uma das duas "fontes" e realizavam o sinal da cruz em seus troncos. Pensei: "deve ter água benta nisso ai".
Dado momento, já no final da missa, um casal entrou na igreja [como estavam na igreja católica e foram bem recebidos, até sendo cumprimentados por outras pessoas, não preciso especificar que era um casal composto por um homem e uma mulher, certo?]. Ela ia a frente e ele atrás, empurrando um carrinho desses que dentro tem uma criança - no caso, havia realmente uma criança dentro.
Ela se aproximou de uma das citadas "fontes", molhou o polegar direito e fez o sinal da cruz em seu tronco. Ele aproximou o carrinho da 'segunda porta', e o estacionou de modo que não bloqueasse a passagem de ninguém por ela, molhou o polegar direito na água da "fonte" mas não realizou o sinal da cruz em si, e sim na criança dentro do carrinho, apenas depois molhou novamente o dedo e fez o sinal em si próprio.

Curioso foi que a criança, sem entender bem a ação daquele homem [que interpretei ser seu pai], permaneceu um bom tempo olhando [com expressão que interpretei ser de dúvida] para o seu peito, onde o homem permaneceu mais tempo passando/apertando o polegar umedecido em água eletrificada.

Curioso também foi sair da igreja ao término da missa - para tomar um ar, pois lá dentro estava realmente quente - e notar que uma mulher que participava do ato religioso havia estacionado seu carro ao lado da igreja, rente à guia, bloqueando a rampa de acesso para cadeirantes.

Curioso, por fim, foi ter notado que, enquanto a caixa que levava etiqueta com os dizeres "pastoral do dízimo" não possuía cadeado ou tranca alguma, os ventiladores da igreja (todos "ventiladores de coluna") eram presos por cabos de aço e braçadeiras de metal aos pés de ferro dos bancos fixados nas paredes laterais da igreja.

Mas, na verdade, escrevi tudo isso para dizer duas coisas: a primeira é que, normalmente, quando estou em rituais/passatempos religiosos, sinto-me como a criança dentro do carrinho: fico olhando sem entender nada; a segunda é que, depois de bons anos convivendo com um amigo ex-seminarista, foi difícil permanecer com a expressão séria durante toda a missa.



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