sexta-feira, 1 de março de 2013

Aquele livro do Bukowski.

Enquanto ele se apressava em colocar a água para ferver e fazer um café gostoso, para soar, minimamente, como "bom anfitrião", ela se sentara no sofá para tirar as sandálias que lhe machucavam o pé.



Enquanto ele se apressava em colocar o açúcar na água, ela caminhava descalça sobre o tapete da sala, e gostava da sensação.




Enquanto ele se apressava em colocar o filtro de pano no funil de plástico, e recheá-lo com três colheres de pó de café,


ela se aproximava da  prateleira de livros.



Enquanto ele se apressava em passar um pano de prato velho no interior de um par de xícaras úmidas, ela repousava a ponta do dedo indicador esquerdo sobre a lateral dos livros, e lia para si os títulos dos mesmos.




Enquanto ele se apressava em colocar a água quente dentro do filtro de pano, para que se encontrasse com o pó de café e criasse o líquido preto e quente (que o situaria como "bom anfitrião") ela disse em voz alta: "que legal, você tem a mulher mais linda da cidade".




Enquanto ele se apressava em passar o café da garrafa térmica para as xícaras, pensou: "mal sabe ela que, para mim, a mulher mais linda da cidade é ela".



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