quinta-feira, 21 de março de 2013

Regador.


Breve relato de José Gomes Neto - VIII.

"Não falarei em "tradição familiar", falarei em "um hábito que aprendi com meus familiares".
Meus parentes mais próximos (por parte de mãe) cultivam desde muito tempo o gosto por cuidar de plantas, especialmente de flores e especiarias, temperos. Não por menos, ensinam as crianças que chegam a também aprenderem e gostarem deste hábito (que, penso, não pode ser considerado um "hobby"). É bonito de se ver as casas da família, todas repletas de plantas, flores. Cresci em uma casa assim - a escada da entrada possuía, em cada degrau, uma florida e colorida jardineira - e morar em apartamento, para mim, é sufocantemente sem cor, sem brilho, sem perfumes, pois, por aqui, não há espaço ou ambiente para plantas (no máximo alguns vasinhos com uma ou outra muda que, caso de torne grande, terá de ser levada para outro lugar).
Logo que me mudei para este apartamento comprei na feira uma pimenta (dedo-de-moça). A abri com uma pequena faca pontuda, retirei algumas sementes, deixei por alguns dias secando e coloquei quatro em um vaso com terra úmida. Deixei-a no único canto do apartamento em que bate sol (durante pouco mais de quatro horas por dia), a regava dia sim/dia não, e pouco a pouco assisti nascer e crescer uma pimenteira. Após alguns meses precisei tirá-la do vaso e passá-la a uma jardineira - estava já grande, sessenta centímetros, habitava  um espaço considerável no canto de minha reduzida sala - eu seguia cuidando daquela bela pimenteira, crescente, com todo o carinho que aprendi com minha família a ter com as plantas. 
Certa vez passaria um período de seis dias fora do apartamento, quando estava saindo de casa (atrasado, com a mala já do lado de lá da porta) me lembrei de regá-la com um pouco mais de água. Apressado, coloquei água no pequeno regador. Ao chegar próximo da jardineira o frasco plástico cheio d'água escorregou de minha mão, e caiu diretamente no fino caule da planta, o quebrando. Fui embora, sabendo que quando voltasse minha pimenteira já estaria completamente morta. O que ocorreu.
Lembrei de uma fala, dita por minha avó (e dotada de certa obviedade), que diz não importar quanto tempo você cuide de uma planta, que não importa quanta água você coloque nela, que não importa o quanto ela receba do melhor sol (não importa se for a flor mais linda do seu jardim) para que ela morra, basta um vento forte, uma desatenção".

José Gomes Neto,
13 de Abril de 2009,
Assassino de Pimenteira.


terça-feira, 19 de março de 2013

Com um pouco de alteridade.


No primeiro ano do curso de Ciências Sociais tive aula com um dos seres humanos mais fantásticos que se pode conhecer em vida e com o qual se pode dialogar, aprender. Uma mulher forte, conhecedora, grandiosa (nas primeiras aulas sua voz estremecia minhas bases físicas). 
Esta mulher nos apresentou, logo no início das aulas, o texto "noções de técnicas corporais", de Marcel Mauss. Texto que, naquele princípio de Faculdade, fez com que muitas ideias (muitas bases), minhas e de meus colegas, se rompessem, e começássemos a pensar a vida e o ser humano a partir de outras perspectivas. Uma verdadeira "reconstrução do olhar" (para citar outra grande professora deste início de curso: "os óculos das Ciências Sociais).
Neste texto e nestas aulas, respectivamente, Mauss (e a  primeira professora citada) nos fizeram entender que a relação que temos com nosso corpo não é nata, não é natural, como normalmente aprendemos por ai - em casa, na escola, nos espaços religiosos, nos programas de TV etc. Mas sim são processos sociais e culturais  em que somos educados desde o nascimento.
Aprendemos a lidar com nossos corpos a partir de relações, ações e educações corporais culturais. E esse aprendizado se dá, ainda segundo Marcel Mauss, a partir de questões sociológicas/culturais, fisiológicas e psicológicas.
No campo das educações corporais Mauss cita algumas, como a "educação para o correr", a "educação para o sangue frio" [esta última, para mim, tem um quê de espetacular], em que vamos, ao longo da vida, sendo ensinados e aprendendo a como agir com nossos corpos em determinadas situações.
O nosso corpo é um objeto, um instrumento técnico, no qual aprendemos qual a forma culturalmente correta de manusear.

Por que estou dizendo isso tudo? É para que este blogue ganhe, após mais de quatro anos, algo de Ciências Sociais em si, e pareça que quem escreve aqui é um semi-formado na área? Não.

Ao longo da vida passei e não passei por uma série de 'educações corporais'. Tenho em meu corpo e em meu psicológico repertórios de ação bem demarcados e apreendidos: com exceção de alguns momentos específicos, sei o que pode e o que não pode ser feito, dito, expresso, gesticulado a partir deste corpo.
Sei como posicionar o pensamento e o corpo, e vice versa, e ambos juntos.
Minha "educação corporal", entretanto, falha em um aspecto primordial para o nosso cotidiano: eu não fui educado (e tampouco quis me educar) para usar este corpo como um objeto técnico para qualquer tipo de agressividade.
Eu não gosto de UFC, MMA, Boxe.
Eu não sei discutir com aspereza.
Eu não sei brigar, não sei bater e não sei apanhar.
Eu não sei me portar em ambientes hostis.
Sei, no máximo, xingar com convicção.


Eu evito situações em que podem eclodir pegas-pra-capar, pois não sei (re)agir quando o chicote estrala. 












quinta-feira, 14 de março de 2013

Resmungando - I.

não é novidade alguma que paciência quase nenhuma tem me acompanhado.
às vezes penso 'caramba como minha juventude deixou marcas'.
às vezes penso 'caramba como minha juventude foi tranquila'.
não é novidade alguma que juventude quase nenhuma tem me acompanhado.
caminhava entre livros estantes enormes com livros.
praguejei autores.
praguejei editores.
praguejei leitores.
praguejei seções inteiras.
praguejei coleções incompletas.
esqueci de praguejar-me.
mais uma vez.
['vai ver nem precisa', pensei].




terça-feira, 12 de março de 2013

Três Curtas Sobre Religião - II.


[Articula direta e integralmente com "Três Curtas Sobre Religião"].

Em uma tarde [quente à beça] fui à uma missa, após cinco ou seis anos sem tomar conhecimento deste tipo de ritual [podemos classificar missa como ritual?]. Não estou brincando, a última missa que eu havia ido fora em 2008; e também não estou brincando: dentro daquela Igreja fazia um calor dos Infernos.  Mentalmente, anotei três curtas sobre religião [está certo que o primeiro é bem comprido, mas tem problema não, digo aos apóstolos]:

Entrei e posicionei-me no fundo da igreja, próximo à porta. Primeiro pois entrei tardiamente na mesma, segundo pois queria ficar próximo de onde havia alguma circulação de vento, pois estava realmente quente. 
Do fundo da igreja notei que havia, entre a porta e o início dos bancos, um espaço de aproximadamente três metros, e, antes de se iniciarem os bancos, duas grossas tábuas de madeira na horizontal [não flutuavam, mas sim estavam fixadas em uma parede vertical, que não tinha mais do que um metro de altura]. Entre as duas pequenas paredes, um espaço que deveria ter um metro e meio, e que entendi ser a "segunda porta" da igreja. 
Nas pontas das tábuas na horizontal, bem perto desta 'segunda porta', havia duas pequenas fontes - daquelas que mantêm a água circulando por um mecanismo elétrico, e que são ligadas na tomada - e que na verdade só são fonte de consumo de energia, pois bombeiam água, e não são fontes de água.
Notei também que muitas pessoas entravam na igreja, molhavam um dos polegares na água de uma das duas "fontes" e realizavam o sinal da cruz em seus troncos. Pensei: "deve ter água benta nisso ai".
Dado momento, já no final da missa, um casal entrou na igreja [como estavam na igreja católica e foram bem recebidos, até sendo cumprimentados por outras pessoas, não preciso especificar que era um casal composto por um homem e uma mulher, certo?]. Ela ia a frente e ele atrás, empurrando um carrinho desses que dentro tem uma criança - no caso, havia realmente uma criança dentro.
Ela se aproximou de uma das citadas "fontes", molhou o polegar direito e fez o sinal da cruz em seu tronco. Ele aproximou o carrinho da 'segunda porta', e o estacionou de modo que não bloqueasse a passagem de ninguém por ela, molhou o polegar direito na água da "fonte" mas não realizou o sinal da cruz em si, e sim na criança dentro do carrinho, apenas depois molhou novamente o dedo e fez o sinal em si próprio.

Curioso foi que a criança, sem entender bem a ação daquele homem [que interpretei ser seu pai], permaneceu um bom tempo olhando [com expressão que interpretei ser de dúvida] para o seu peito, onde o homem permaneceu mais tempo passando/apertando o polegar umedecido em água eletrificada.

Curioso também foi sair da igreja ao término da missa - para tomar um ar, pois lá dentro estava realmente quente - e notar que uma mulher que participava do ato religioso havia estacionado seu carro ao lado da igreja, rente à guia, bloqueando a rampa de acesso para cadeirantes.

Curioso, por fim, foi ter notado que, enquanto a caixa que levava etiqueta com os dizeres "pastoral do dízimo" não possuía cadeado ou tranca alguma, os ventiladores da igreja (todos "ventiladores de coluna") eram presos por cabos de aço e braçadeiras de metal aos pés de ferro dos bancos fixados nas paredes laterais da igreja.

Mas, na verdade, escrevi tudo isso para dizer duas coisas: a primeira é que, normalmente, quando estou em rituais/passatempos religiosos, sinto-me como a criança dentro do carrinho: fico olhando sem entender nada; a segunda é que, depois de bons anos convivendo com um amigo ex-seminarista, foi difícil permanecer com a expressão séria durante toda a missa.



domingo, 10 de março de 2013

Nem sempre é verdade.

Breve relato de José Gomes Neto - VII.

"Caminhei até o banco mais próximo de casa, era sábado, começo de noite, e neguei uma saída com amigos alegando não ter dinheiro; caminhei até o banco pois queria ter certeza disso. Aliás, caminhei até o banco torcendo para estar errado quanto a isso, infelizmente, eu estava certo: havia R$1,47 em minha conta, o pagamento cairia apenas na terça feira e o depósito provisionado estava indisponível para saque ou débito. Ao sair cabisbaixo do setor de caixas eletrônicos daquela agência, e estar novamente na calçada, uma senhora me abordou: "moço, me dá um dinheiro?". Sem drama disse apenas que não tinha, ao que ela me questionou: "mas se você tá saindo do banco, é por que tem dinheiro". 
Não deixava de ser verdade, mas, ocasionalmente, na noite daquele sábado, 4 de Agosto, fazia nem sempre ser verdade".

José Gomes Neto,
6 de Agosto de 2011,
Duro.



sexta-feira, 8 de março de 2013

Na fila do abate.

Me sinto o último dos bois na fila da degola; sinto o cheiro de meu próprio sangue, o gosto amargo da minha própria morte. Minha mente diz para que eu me vire e corra; meu instinto diz para me debater nas paredes, me mexer para destruir essas barreiras que me cercam e fugir daqui. Sair correndo desse corredor, de onde consigo ver, lá na frente, meu carrasco sanguinário que acabará comigo. Eu vejo um martelo e uma faca nas mãos dele. O cheiro de morte me tortura, a minha morte.
Tento me convencer de que a vida moderna é assim mesmo,  e que não há como escapar desses caminhos sangrentos, predeterminados e impostos para as vidas deste mundo. Eu forço minha cabeça e meu corpo a acreditarem que esse é o caminho, não o totalmente certo, mas o necessário, nesta altura da vida.
Como um boi que sou, eu penso que tive uma boa vida já, que aproveitei momentos e conceitos, mas os momentos passaram e os conceitos tem de mudar. Eu sei que esse é o caminho da vida, me alimentei por anos de uma mão que se supria de um braço, e agora chegou a minha hora de ser a mão e oferecer o meu pescoço ao braço. Fazer o que?
Eu sou um boi na fila da degola, e tento me fazer acreditar que este é o caminho certo, que todos os caminhos distintos desses impostos pela lei global é que estão errados. Eu tento me fazer acreditar que minha vida em um pasto tranquilo, somente com minhas obrigações de boi e sem um chefe era errada, e este é o caminho: o abate.

***

Texto escrito na quinta feira 11 de Janeiro de 2007. Há menos de um mês eu havia voltado a comer carne (após dois anos sem) e, no momento de escrita do texto (transcrito aqui da forma que o encontrei em um caderninho antigo), participava da última etapa do processo seletivo para trabalhar em uma empresa nacional de crescimento notável no universo empresarial brasileiro.
A saber, consegui o emprego; a saber, não fiquei com ele (ou não deixei que ele ficasse comigo); e nunca mais parei de comer carne.




segunda-feira, 4 de março de 2013

Grito Rock Marília 2013.

"O Grito Rock 2013 irá abranger mais de 300 cidades", foi a informação que começou a circular no segundo semestre de 2012 entre as bandas, coletivos e demais envolvidos com o Fora do Eixo. "Marília estará de fora", foi a ficha que nos caiu lá por Dezembro. Felizmente, o cenário mudou a tempo.

***

No início de Fevereiro Marília se tornou mais uma cidade nesta lista megalomaníaca de cidades que realizariam este Festival. Em cima da hora dissemos: "dá pra fazermos, algo simples, mas dá". O Cão Pererê (sempre o Cão!) foi o protagonista, foi quem puxou as bandas e artistas, foi onde se realizou as reuniões e o Festival em si.
12 bandas (cerca de 50 músicos) , 3 ilustradores, 2 DJ's, 2 VJ's, 4 trabalhadores no bar e 1 "produtor", construíram um Festival de três noites, que - não é equivocado nem exagerado dizer - movimentou a vida da cidade: a rua, o piso do bar e o piso do palco lotados sexta, sábado e domingo não deixam mentir.
Em 3 reuniões realizadas em 3 sábados (quentes) à tarde, em 3 idas a Secretaria da Cultura (uma levemente empolgante, outras 2 frustrantes), em muitas trocas de mensagem pelo Facebook, algumas ligações e com divulgação feita apenas virtualmente e pelas bandas (não teve jornal, não teve mídia externa), construímos este Festival. 
Sem verba de edital público, sem apoio algum de Secretaria Municipal nenhuma, sem patrocínio privado algum, enfim, sem dinheiro, fizemos 3 noites de música autoral, desenhos livres e projeções hipnotizantes. 
Também não será equivocado (e nem exagerado) dizer que, com todas essas características elencadas acima, "botamos a cidade pra dançar, bater cabeça e se divertir".

E ai, mais importante do que termos tido tempo de situar Marília no hall destas mais de 300 cidades que realizaram o Festival, situamos Marília em si mesma: mostramos (e vimos) que existe potencial para as bandas de som autoral trabalharem juntas - na horizontal, em igualdade, sem necessidade de pseudo organizações ditando regras organizacionais.
Se o projeto "A Banda", desenvolvido no 2º semestre de 2012, foi um "ponto zero" no início de uma nova forma de fomentar e incentivar a "música autoral" em Marília, acredito que agora seguimos os passos dele, e caminhamos um pouco mais a frente.
Se plantar uma semente rende frutos, creio que este Grito Rock foi o nascer da árvore.


***

A tod@s que montaram e fizeram acontecer o rolê, o meu salve de que foi muito bom trampar com vocês, e que isso é só um começo.
A tod@s que foram no rolê, digam-nos o que acharam, o que curtiram, o que não curtiram etc e, afirmo sem medo: outros virão.
A tod@s que não foram - seja por ainda terem o pé atrás de sair de casa pra ver "som próprio", seja por picuinhas etc - repito: isso é só um começo.

Foi um privilégio poder construir, tocar e fotografar isso tudo.





sábado, 2 de março de 2013

Uma Pena.

Breve relato de José Gomes Neto - VI.

"Sempre morei em capital de Estado. Por conta disso, quando criança, ave para mim era sinônimo de pomba; mamífero não humano era sinônimo de gato e cachorro; árvore para mim era sinônimo do parque que vez ou outra meus familiares me levavam para andar de bicicleta. Quando tinha sete anos entendi o que era a carne que eu comia todos os dias, e quando tinha doze entendi como funcionavam as granjas. Não me agradou muito, mas tudo bem; eu ignorei. Cresci, e aos dezenove viajei para um sítio, passaria o final de semana lá, com a família de uma namorada desta época. A família dela, percebendo que eu era um típico rapaz de metrópole, sugeriu à garota que fosse me mostrar a "vida rural" dos entornos do sítio. Recordo-me que próximo à uma cerca havia uma casinha, e eu perguntei o que havia lá: "um galinheiro", ela disse. Me animei em conhecê-lo, e fomos até lá. Foi a primeira vez que eu vi galinhas, galos e pintos. Quando abrimos a porta do galinheiro os bichos se movimentaram de forma não muito organizada lá dentro, e muitas penas voaram. A garota se abaixou e pegou a pena que voara de um galo, de um tom preto avermelhado muito bonito, e me deu. Semanas depois brigamos - algum motivo bobo, tanto que não me lembro - e terminamos. Alguns dias depois fui até sua casa e deixei na caixa do correio a pena dentro de um envelope, apenas com o escrito "uma pena" e minhas iniciais. 
De fato, mesmo não entendendo porque falamos isso, às vezes a única coisa que se tem a dizer sobre as coisas da vida é que é "uma pena" o rumo que elas tomam".

José Gomes Neto,
15 de Novembro de 2007,
Recordando.



Demais relatos de José Gomes Neto:
I - Tic-Tac;
II - Pé-De-Moça





sexta-feira, 1 de março de 2013

Aquele livro do Bukowski.

Enquanto ele se apressava em colocar a água para ferver e fazer um café gostoso, para soar, minimamente, como "bom anfitrião", ela se sentara no sofá para tirar as sandálias que lhe machucavam o pé.



Enquanto ele se apressava em colocar o açúcar na água, ela caminhava descalça sobre o tapete da sala, e gostava da sensação.




Enquanto ele se apressava em colocar o filtro de pano no funil de plástico, e recheá-lo com três colheres de pó de café,


ela se aproximava da  prateleira de livros.



Enquanto ele se apressava em passar um pano de prato velho no interior de um par de xícaras úmidas, ela repousava a ponta do dedo indicador esquerdo sobre a lateral dos livros, e lia para si os títulos dos mesmos.




Enquanto ele se apressava em colocar a água quente dentro do filtro de pano, para que se encontrasse com o pó de café e criasse o líquido preto e quente (que o situaria como "bom anfitrião") ela disse em voz alta: "que legal, você tem a mulher mais linda da cidade".




Enquanto ele se apressava em passar o café da garrafa térmica para as xícaras, pensou: "mal sabe ela que, para mim, a mulher mais linda da cidade é ela".