domingo, 3 de fevereiro de 2013

Parabéns, Formado.


Fui o tipo de criança que teve o prazer de crescer sob o amparo da família: mãe, pai, irmã, vô, vó, tios, tias, primas. Por conta disso mesmo, cresci e hoje sou um adulto orgulhoso, grato e feliz por esse infância. 
Tendo sido um garoto sempre cercado por parentes amáveis, estar com eles era igualmente amável, um prazer que saboreei sem titubear ao longo daqueles (e destes) anos. Estar na casa dos avós então, nem se fale: como digo nos agradecimentos de minha monografia, aquela morada sempre me foi "um polo de amor e carinho".

Tive a sorte, ainda, de ter sido o tipo de criança que cresceu brincando na rua em uma São Paulo já totalmente desenfreada e agigantada. Tive a sorte de ter sido uma criança que jogou bola com os pés descalços direto no asfalto, e que media o tamanho dos gols com passos e os demarcava com pedras ou tijolos. Andei de bicicleta, brinquei de esconde-esconde, estourei bombinha, toquei campainha e sai correndo, andei de patins, de skate - e  houve até um projeto de carrinho de rolimã que não vingou - tudo na rua. Tudo na rua dos meus avós ou na rua da minha avó, como costumávamos dizer.
Obviamente, não fiz nada disso sozinho. 
Nenhum desses momentos vividos - na época em que o horário de verão significava horas a mais de correria e diversão - teria sentido sem os amigos, os vizinhos, os companheiros (as cajazeiras, para lembrar da metáfora novelística/irônica do meu avô).

***

Pois, e me lembro tão bem, de quando apareceu um menino novo nesse contexto - na rua dos meus avós, durante as férias  escolares de 1999 - andando pra lá e pra cá em uma bicicleta amarela. A princípio olhávamos com desconfiança: "quem é esse novo sujeito aqui na Augusto Rolim?". Depois, alguém o convidou para integrar um jogo de linha (dois na linha, um no gol) ou ele mesmo se convidou, ou nem era linha que jogávamos, ou estávamos andando de bicicleta...
Havia se mudado há pouco tempo. Morava na parte de cima da rua. Vinha de Interlagos. Tinha um irmão mais velho. Torcia pro Corinthians. Estudava numa escola meio longe. E todas essas coisas que vamos perguntando quando somos crianças e encontramos uma outra criança que parece que pode ser uma boa companhia para brincar.
Ele se aprochegou, juntos começamos a pedalar, jogar bola, jogar vídeo game, atazanar os vizinhos com os estampidos de nossos traques.
Não demorou e aprendemos onde era a campainha da casa dele, ele aprendeu onde era a campainha da casa dos meus avós, da casa do nosso amigo. Aprendemos uns os nomes dos familiares dos outros, fomos bem vindos uns na casa dos outros.

Nossos pais já têm tantos cabelos brancos. Já temos bem mais idade do que achávamos legais terem os nossos irmãos mais velhos. 
E você, meu amigo, agora é um cara formado. Que apareceu do nada na rua em que eu saboreava as minhas férias e de repente estava junto de mim na porta do Pacaembu, brindando uma cerveja e comentando planos de futuro.
Parabéns, formado, não sabes como me alegra poder escrever pra ti estas palavras e ter estado contigo todos estes anos.




3 comentários:

Erica Bezner disse...

Linda a amizade de vocês!!!!Emocionei!!!Bjo da tia Erica.

marise disse...

Bi,o texto é tão lindo quanto a amizade de vocês. Espero que consigam mantê-la acessa ao longo da vida!
Beijo, como a tia Erica também me emocionei. Mas, me emociono quase sempre com seus textos.

Ricardo Martinez disse...

Emocionante. Obrigado pelo carinho, Gabriel!!!