sábado, 26 de janeiro de 2013

Indo pra Guerra.

Certo sábado me recordo que fui a um Shopping paulistano junto de um amigo. Eramos jovens (até demais), e quando não tínhamos o que fazer durante as "férias escolares" (ou finais de semanas ou feriados), íamos até este shopping - sim, sempre o mesmo. 
Sabíamos que encontraríamos por lá algum filme idiota para vermos, algumas pessoas idiotas para conversarmos e/ou algum fast food idiota para comermos enquanto papeávamos sobre qualquer coisa (não necessariamente idiota).
Se minha memória calendarística romana não estiver equivocada, o narrado adiante deu-se no segundo semestre de 2004, quando tínhamos, eu, 15 anos, e esse amigo [para facilitar a fruição do texto, o chamarei de Cleiton], 17.
Neste sábado específico, perambulávamos pelo shopping quando o dia já virava noite, e um colega de sala de aula ligou para o Cleiton para falar sobre uma prova que teriam na segunda. Meu amigo recordou-se de que não possuía nenhum material em casa para estudar no domingo, de modo que seu colega disse que se quisesse passar na casa dele para pegar apostilas, livros ou cadernos (não me lembro) que o fizesse ainda naquela noite.
Cleiton ligou para o seu pai, pedindo que fosse nos buscar de carro no shopping, para que o levasse até a casa deste colega de sala de aula. Quando entramos no carro, o pai dele quis saber porque teria que ir na casa do colega em um sábado a noite, o que fora explicado por Cleiton.
Recordo-me que no trajeto entre o shopping e a casa deste colega, Cleiton ouviu uma bela bronca do pai, que, entre outras coisas, disse de forma emblemática: "uma guerra está vindo na sua direção, você está indo na direção da guerra, mas você não se preparou, não se armou".

Nestes dias de Janeiro de 2013, tenho me sentido mais ou menos dentro dessa descrição do pai do Cleiton.

Ps: o pai deste meu amigo sempre pensou (não sei porque) que eu era um ótimo aluno. Acho que eu nunca disse a verdade pra ele. Nem o Cleiton.


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