domingo, 30 de dezembro de 2012

Final do Ano.

Na verdade,
Eu nem sei onde eu tô,
Não agora,
(Momento de digitação),
Mas sim agora,
(Momento teu de leitura).

Não posso dizer onde estou,
Para você que lê,
Pois,
Para eu que escrevo,
Ainda é onde estarei.

Agora (na escrita),
Estou aqui,
Agora, na leitura,
Não sei dizer,
Nem onde,
Nem como.

Estou escrevendo,
Na verdade,
Pelo gosto de brincar,
Com as palavras,
Pelo gosto de pensar,
Que exista quem as leia.

(Mesmo que numa postagem furreca e xexelenta dessas de final de ano, contraditoriamente, sem desejar boa virada ou boas entradas nem nada de positivo ou engrandecedor).


segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Lembrança pouco após a meia noite.


Como já disse em 2011, o natal me vale por estar junto com toda a minha família, não somos cristãos fervorosos nem nada do gênero. Porém, sempre nos reunimos (não com o time completo) no dia 24 para uma intensa janta/ceia, e quando os fogos indicam a meia noite sempre alguém estoura um champagne.
Não sei ao certo a razão disso: creio que na época de jesus nem haviam champagnes assim.
Este ano, seguimos o hábito: peguei as taças no alto do armário, minha tia trouxe o espumante da geladeira, o champagne fora estourado, colocado nas taças, brindamos a nós mesmos e bebemos um pouco cada um.
Foi quando me sentei à mesa, e comecei a brincar com o objeto da foto (o arame que prende a rolha na garrafa), que uma forte lembrança me veio à mente.

Foi em algum natal entre 94 e 96 (no máximo 97). Quando estávamos indo da minha casa para a casa de meus avós - ponto de encontro da família - ganhei de algum dos vizinhos uma caixa com carrinhos de metal, carrinhos pequenos e simples, com os quais brinquei durante anos. 
Lembro que haviam carrinhos temáticos: um de corrida, um fusquinha, um caminhão de bombeiros e um guincho. Este último veio com um defeito: não possuía gancho em sua traseira. 
Já passava da meia noite, e não me recordo se mostrei para o meu vô que o guincho não tinha gancho ou se foi ele mesmo quem viu. O que me recordo (e que me lembrei hoje, pouco após a meia noite) foi do meu vô pegando o arame da garrafa de champagne estourada naquela noite e, com auxílio de uma tesoura, moldando um pequeno gancho e o prendendo na traseira do guincho.
Que doce lembrança, pouco após a meia noite.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Breve nota apoiado na entrada do Conjunto Nacional.

Não sei se é correto dizer que me tornei visceralmente interiorano, ou preconceituosamente "caipira". Fato é que não consigo mais perambular por São Paulo sem arregalar os olhos, demonstrando e expondo minha perplexidade ante a constatação sobre como São Paulo é hostil.

Para além da breve nota:

O motorista da lotação que me levou até o metrô dirigia o veículo com uma voracidade descabida, não desviava de buracos e parecia não se lembrar que estava conduzindo humanos, ao insistir em freiadas dignas de fórmula um. 
O metrô não estava cheio, é verdade, foi enchendo aos poucos, e a grande maioria das pessoas desceu na mesma estação que eu, por conta dos festejos públicos do natal. Apesar de se tratar de festa e de lazer, a hostilidade paulistana rebatia novamente em mim, com tantas pessoas andando com pressa, com seus corpos se trombando e pedidos de desculpas sendo negados com olhares carrancudos e, não bastasse, tantos pisões em meus pés doloridos.
Após o chorinho (uma ilha de amor, em meio a tanta brutalidade), veio a espera sozinho, o atraso alheio, a bunda doendo no degrau duro da frente do bar que enchia, de pessoas que brigavam com o cara que usou droga demais, que xingavam o senhor que vendia cervejas na calçada...
É muita hostilidade, como pode?


quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Plano Ilimitado.

A atendente da loja de uma operadora de celulares olha para mim sem empolgação ou desmerecimento - "é apenas mais um cliente", deve pensar - quando entro nesta loja pela segunda vez nesta tarde. Me aproximo do balcão e ela diz, fingindo algum pesar:
-Putz, se você voltou aqui acho que não deu certo o desbloqueio na outra loja.
Com os olhos semi cerrados, e apertando a boina com força na mão esquerda, lhe respondo:
-Na verdade deu certo, eu voltei aqui pois me apaixonei por você. A forma como você me atendeu quando vim aqui, a forma como manuseou o aparelho celular, a forma como me ofereceu um chip de outra operadora. Tudo isso me encantou, eu estou apaixonado e voltei para te dizer isso.
Ela se desconcerta, a postura rígida (de quem acredita ter algum poder por estar atrás de um balcão) é trocada por uma postura mole de quem fora surpreendida no coração. Tentando retomar a dureza e seriedade no atendimento ao cliente, questionou ainda sorridente:
-Mesmo?
Coloquei a boina de volta na cabeça, a ajeitei segurando pela aba e disse:
-Mesmo um caralho! Essa empresa é uma merda, o cara da outra loja me tratou mau pra cacete, me deixou mais irritado ainda! E se vocês não desbloquearem essa porra desse celular eu vou baixar a bermuda e cagar no meio dessa loja agora!

Meu celular não foi desbloqueado: mas eu fui deslocado do interior da loja, para o exterior do shopping.


sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

A Ferro e Fogo.

Não conheço a origem dessa expressão, e (como tem sido recorrente nestes textos aqui publicados) nem me interesso por saber: a origem, a história, o porque; quero mais é que explodam. Quero mesmo é falar sobre o que estou sentindo, e ai, me valer do que apreendi da expressão é o mínimo suficiente para extrair o máximo necessário da situação de parar para escrever: expressar o que sinto.

Ferro:
Meu bem, a gente sabe que elevador é feito de ferro. Tem uma porrada de coisa lá que tem ferro: cabos de aço, porta rígida, botões macios etc. A gente sabe que aquela coisa que bombeia sangue e tudo o mais, é repleta de válvulas (que não são feitas de ferro); e sabemos também que o que ela joga pra cima e pra baixo e faz rodar o corpo todo, também é feito de ferro: o sangue, sim, aquele que ferve (e que não é "suco de laranja nas veias" ou mesmo que "não é de barata").
Meu bem, pra que tanto ferro? Tanta lança pontuda afiada? Tanta armadura.


Fogo:
Na verdade, e serei sincero aqui, eu prefiro doce. Ou, para ser mais coerente com a sinceridade (o que implica em ser mais sincero) eu prefiro quando pega fogo. Fogo é combustão, é junção: o fogo não se cria sozinho, é necessário reagente e ação (ou ação e reagente, não sei a ordem). Fogo se cria no inferno, e também na calmaria. Sem fogo pode se criar um inferno. Sendo fogo pode se criar um inferno. Sendo um inferno pode se criar o pejorativo, fogo - "é fogo!".
Meu bem, pra que tanto fogo? Tanta queimadura de 3º grau? Tanto incêndio.


Sobre as fotos: Ferro, é em uma construção; Fogo, é em um cemitério.


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Sobre pães de queijo e fim de romance.

Fim de tarde em Outubro, sentados (e apenas sentados) no sofá da sala da casa de um deles, de frente para um ventilador que gira:


-Você gosta de pão de queijo?
-Gosto.
-Hm.
-Por que a pergunta?
-Não sei. Não estamos falando nada, e eu lembrei da cena do filme do "Menino Maluquinho" em que ele faz pão de queijo.
-Nunca vi esse filme.
-Eu vi, é bacana. 
-Hm.


Começo de tarde em Janeiro, perambulando pelo Terminal Rodoviário Barra Funda:



-Olha, pão de queijo!
-Sim.
-8 por um real!
-Sim.
-Você gosta de pão de queijo?
-Você já me fez essa pergunta antes.


Fim de romance.





sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Quebra-Quebra.

                          Nóis quebra uma procêis,
                                                Cêis quebra uma pra nóis.
                                                                                                     Nóis quase quebra cêis,
                                            Cêis quase quebra nóis.

                                                   Não quebra a parceiragem,
                              Nem toda a irmandade.
                                                                       Foi total molecagem,
E total sem maldade.


domingo, 2 de dezembro de 2012

Isopor/Maionese.

É rapaz, o isopor é inflamável. Me parece que é feito de plástico, ou material semelhante. Não vou abrir o wikipedia para pesquisar isso agora, e colocar aqui - com ares de "este escritor tem certeza" - qual a origem ou matéria prima ou principal elemento de composição do isopor.
Não sei. Sei que isopor é inflamável.
E isso, de verdade, bastou para o momento em que o isopor pegou fogo. Na verdade não pegou fogo, não se tornou uma alta chama, com diversos tons de vermelho e amarelo, criando laranjas ofuscantes. Só  se derreteu, em um formato circular, e depois, um pouco mais ao lado, outra leve derretida em formato circular.
Se a fonte do calor tivesse permanecido por ali, com certeza o isopor teria queimado mais. Ou apenas derretido mais. Ou apenas chamuscado. Não sei o que poderia ter ocorrido, e como não tinha o wikipedia para abrir no momento, achei por bem isolar a fonte de fogo da base do isopor.

"Tem maionese, no outro pote de isopor", disse a minha cabeça. 
Peguei a embalagem com o resto desta mistura, que me parece ser feita de laticínios e ovos, e temperos outros, ou, enfim: não sei do que é feita a maionese, e não importa.
Um pouco da mistura de ingredientes que desconheço foi despejada sobre a superfície semi-queimada composta por matérias que não sei quais, e o foco de calor foi, então, repousado sobre a primeira - a maionese - e apagou por completo, sem danificar o segundo - o isopor.

Deixados de lado - o isopor, a maionese, e a fonte de calores - com extrema propriedade, sem necessidade de wikipedia ou quaisquer veículos e meios de rápida e pobre pesquisa, posso dizer sem sombra de dúvida: como inflamamos.


"Século XXI pegando fogo, e a gente apagando cigarro em montinho de maionese".