segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Desespero ante o fim em 3 atos e 1/4.

0) 

[Ou: "eu sempre me aterrorizo quando os fins se anunciam em meus horizontes, desta vez não haveria de ser diferente: quando foi que pensei que sairia impune?"].

***

3)

Recém Convertido,
Que liderava a luta,
Rende-se à vida adulta,
Distribuindo curriculums em branco.

***

1)

Do portão para dentro, nada mais é novidade para mim. Os espaços, em termos físicos, não me resguardam mais nada: eu já sei de cor os caminhos e percursos; já sei quais bebedouros funcionam e quais não; já decorei também algumas conversas escritas nos banheiros, há tanto tempo frequentados.
As pessoas que adentram os portões, não, essas sim me guardam novidades. Estão sempre indo e vindo, novas vem, velhas (e queridíssimas!) deixam de perambular por aqui.
E eu fico.
E a perspectiva atual é de permanecer mais um tempo por aqui, adentrando por mais algumas dezenas de vezes estes portões.
Pois eu estou saindo no prejuízo, e por sair no prejuízo, torno a passar pelos mesmo portões - tão vãos de novidades.
***

2)

Porra, larga destes floreios avermelhados caralho! Se solta deste raciocínio saudosista-medíocre-medroso-de-merda. Se liberta desta vagabundagem-enrustida-desenvolta.
Passa uma camisa, arruma a cara, inventa um sorriso; finge ter uma história, ser um histórico; simula saber ser mais do que é, simula ser o que já foi.
Mas vai, porra. Ou não. Foda-se.
Foda-se nada! Vai, porra!
Levanta dessa mediocridade-infiltrada-barrosa, o domingo às segundas não mais; levanta desta moleza que não leva a nada e não levou a nada e você sabe, e eu sei - larga desta terceira-pessoa-impessoal-cretina. 
E como sabe bem, que se esta merda não fosse uma página surrada em um caderno velho (achado às pressas nos escombros do quarto), mas sim fosse um pedaço de um caco de espelho, você veria essa cara de quem não se levou a nada (não se levou à sério), só se escorou, e escorregou, e quando se apegou e tentou ir pra frente, não era nada de sólido, não era chão firme - não era para você!
Era só sabão.
Um caco qualquer de espelho quebrado revela: é só sabão.
E sabão escorrega, vira espuma e se desfaz; vai com a água, é absorvido pelo asfalto, pela esponja; se torna bolhas, elas voam, mas não duram: ploc.
Pega esse monte de folhas que tem que imprimir, enrola bem - faz um cone- e dá com ele na própria cara; aproveita a maldita capa dura, para se dar uma surra; prepara a cara pras demais porradas (externas) que já se anunciam.
Malandro Otário; Frango de Granja, Molenga, Moleque.

***



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