quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Sobre fingir que não conheço.

Naquele dia você surgiu de forma abrupta (sem rodeios, sem avisos, nem nada do gênero) nos espaços que eu ainda compreendia como meus - ou "mais meus do que teus". Respirei fundo encarando meus cadarços desamarrados, e busquei alguma decisão. Como gosto de dizer, "decisão mediadora de ação". 
Amarrei os barbantes do tênis para que pudesse dar os próximos passos de maneira firme: "é, vou ter que fingir que não a conheço". 
Perambulei pelos espaços com os olhos atentos, para que, quando te vissem, fingissem que não viram.
Tardei em ver-te novamente, e quando vi, era como se não visse. Sentia que você olhava para mim, mas não havia retorno. Passei por você, duas ou três vezes, mas fingi que não te vi.
Aliás, fingi não te conhecer. 
E por não te conhecer, não sabia quem era você. E por não saber quem era você, eu não tinha por que te olhar. E por não ter por que te olhar, deixei que seu corpo passasse batido como mero corpo (mero ingrediente na massa).
Na terceira vez em que passei por você, fracassei no plano de fingimento, e acabei por lhe olhar nos olhos: "são dois olhos", pensei, e retomei o rumo de meus passos, que te desconheciam. Mas, mesmo assim, percebi o seu retorno, como um encarar de desdém, misto de "como pode fingir que não me conhece?" com "como pode fingir que não está me vendo?" com "algum floreio metafórico-poético de terceira categoria que você diria com a voz engrossada".
Um pouco baseado naquela lógica judaica, que diz que para manter a honra deve se dar um "troco na mesma moeda", eu fingi não te conhecer: pois foi assim que você agiu quando optou por não me ouvir.


terça-feira, 27 de novembro de 2012

De Novo.

Resguardo (confio e visualizo),
Toda a segurança do meu universo,
Em uma geladeira,
Um armário de cozinha,
E esta mesa.

Considero que, de novo,
Não preciso de mais nada,
Tenho aqui comigo,
O que preciso,
E ponto: caminhão.

Quem me dera,
Ser Tartaruga.

Não tenho um puto,
Olho em volta e caixas,
De novo a vida em caixas,
E não será a última vez,
Já foram tantas.

Mas, inseguro e sem nada,
Apenas com alguns pesos a mais,
Vejo as caixas rindo de mim e penso:
"Envelheço e tudo aumenta,
Sobretudo minha capacidade de errar".


***



A torneira que eu esqueci aberta,
Não tardou a inundar,
Todo o prédio;
Mas eu sobrevivi, 
Eu sobrevivi,
Eu sobrevivi,
(Caralho).

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Desespero ante o fim em 3 atos e 1/4.

0) 

[Ou: "eu sempre me aterrorizo quando os fins se anunciam em meus horizontes, desta vez não haveria de ser diferente: quando foi que pensei que sairia impune?"].

***

3)

Recém Convertido,
Que liderava a luta,
Rende-se à vida adulta,
Distribuindo curriculums em branco.

***

1)

Do portão para dentro, nada mais é novidade para mim. Os espaços, em termos físicos, não me resguardam mais nada: eu já sei de cor os caminhos e percursos; já sei quais bebedouros funcionam e quais não; já decorei também algumas conversas escritas nos banheiros, há tanto tempo frequentados.
As pessoas que adentram os portões, não, essas sim me guardam novidades. Estão sempre indo e vindo, novas vem, velhas (e queridíssimas!) deixam de perambular por aqui.
E eu fico.
E a perspectiva atual é de permanecer mais um tempo por aqui, adentrando por mais algumas dezenas de vezes estes portões.
Pois eu estou saindo no prejuízo, e por sair no prejuízo, torno a passar pelos mesmo portões - tão vãos de novidades.
***

2)

Porra, larga destes floreios avermelhados caralho! Se solta deste raciocínio saudosista-medíocre-medroso-de-merda. Se liberta desta vagabundagem-enrustida-desenvolta.
Passa uma camisa, arruma a cara, inventa um sorriso; finge ter uma história, ser um histórico; simula saber ser mais do que é, simula ser o que já foi.
Mas vai, porra. Ou não. Foda-se.
Foda-se nada! Vai, porra!
Levanta dessa mediocridade-infiltrada-barrosa, o domingo às segundas não mais; levanta desta moleza que não leva a nada e não levou a nada e você sabe, e eu sei - larga desta terceira-pessoa-impessoal-cretina. 
E como sabe bem, que se esta merda não fosse uma página surrada em um caderno velho (achado às pressas nos escombros do quarto), mas sim fosse um pedaço de um caco de espelho, você veria essa cara de quem não se levou a nada (não se levou à sério), só se escorou, e escorregou, e quando se apegou e tentou ir pra frente, não era nada de sólido, não era chão firme - não era para você!
Era só sabão.
Um caco qualquer de espelho quebrado revela: é só sabão.
E sabão escorrega, vira espuma e se desfaz; vai com a água, é absorvido pelo asfalto, pela esponja; se torna bolhas, elas voam, mas não duram: ploc.
Pega esse monte de folhas que tem que imprimir, enrola bem - faz um cone- e dá com ele na própria cara; aproveita a maldita capa dura, para se dar uma surra; prepara a cara pras demais porradas (externas) que já se anunciam.
Malandro Otário; Frango de Granja, Molenga, Moleque.

***



quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Coxinhas.

[devo iniciar a prosa aqui, como incio em "saia"]:


Na verdade, eu sou encantado por esse tipo de coisa.
Neste caso, até disfarço; às vezes, a muito custo.
Disfarço, desvio o olhar; finjo até ignorar.
Já houve momentos em que eu disse algo.
Sempre tem uma máquina de massa em minha cabeça.
E uma panela repleta de recheios em meu crânio.
Não sou cozinheiro.
Tampouco massagista.
Muito menos dono de lanchonete em Bueno de Andrada.

Quando me recordo,
Do dia em que comemos coxinhas,
Eu lembro das tuas pernas,
Sobre as minhas.






O 2º maior prejuízo que já passou pela minha vida.

Há algumas semanas escrevi sobre um bosta que "age de má fé", e, de fato, ele age. Seu bosta. No final deste texto, indiquei que "você é o maior prejuízo que já passou pela minha vida". Talvez o maior que já passou por minha vida toda, até agora, seja um exagero. Pensando bem, se considerar os últimos 355 dias desta vida, talvez não esteja sendo tão equivocado/exagerado/injusto.
Na caminhada até o almoço, fomos conversando sobre os futuros. Na volta para casa, caminhei conversando comigo mesmo sobre os passados. Aliás, verdade seja dita, não é de hoje que pensar no que fiz (nos passados) e no que farei (nos futuros) tem transbordado minha mente, e não tem sido por falta do que fazer (nos presentes).
Cheguei à conclusão de que o citado bosta, apenas se faz assim, em razão do segundo maior prejuízo que já passou pela minha vida (tudo bem, nos últimos 355 dias). Recorro, novamente, ao "aliás": uma vez que ele (o prejuízo) não passou, mas sim foi posicionado por mim nesta vida, nestes dias, de formas bem específicas. 
Alguns, mais espertos, pularam fora enquanto era tempo; outros, talvez menos espertos, mais esperançosos, mais ingênuos, menos toscos, foram ficando e agregando e somando e indo e vindo e formando este caldo  de um monte de coisas por fazer/pagar/arcar. 
No fim das contas, restou só um sopão ralo, pois às vezes demoramos para perceber que, como diz a música do Pearl Jam, "this is not for you". Infelizmente, isso não é para nós.
Foi então que percebi que todas as mudanças foram em vão: faltou-me foco. 
E entre todas as guinadas que fui construindo neste ano (que já se anuncia como "próximo do fim") observo, com clareza de detalhes e de momentos, como talhei - pouco a pouco - o segundo maior prejuízo que já passou pela minha vida.





terça-feira, 20 de novembro de 2012

Embarques/Desembarques.

Sentado no banco velho da rodoviária nova (angustiado, não nego) um ônibus encosta na plataforma que há bem em frente a mim. Um ônibus da empresa que exerce o monopólio sobre os transportes rodoviários coletivos nas estradas da região, e no qual costumam viajar pessoas como eu e vocês.
Por alguns instantes fechei o livro que estava tentando me obrigar a ler (faz tempo que não consigo ter foco para, apenas, ler) e me concentrei em observar as pessoas que desciam do veículo parado. Eram muitas.
De forma estranha, senti medo. Um medo específico, de que surgisse, de repente, alguma das pessoas que já esperei aqui; medo de que descessem deste ônibus uma ou duas delas.
Ponderei, e deixei os medos fluírem em mim, aquela história de deixá-los correr pelo corpo junto com o sangue (ou como o sangue).
Entendi que tive medo do idiota sentado no banco duro de frente para a plataforma em que estacionam os ônibus. 
Tive medo do relógio quebrado pendurado no teto da rodoviária, quebrado há anos, e a tanto tempo servindo como poleiro para as pombas. 
Tive medo do babaca que chegou aqui - uns anos atrás - para ler e escrever, e hoje tem de fazer uma grande força para conseguir ter foco mental sobre as letras já escritas.
Tive medo dos anos.
Outro ônibus, e mais pessoas, e mais lembranças, e mais medos (minha memória ainda vai me matar). 
E do medo, vieram as perguntas retóricas (pois é sempre assim): quando foi que eu deixei de ser daquele jeito? "Quando" não, pois indica algo repentino, que mudou "do nada"; então, como foi que eu fui deixando de ser daquele jeito?
Como foram estes anos todos passando por aqui volta e meia, e indo de novo, e voltando, e dando meia volta?
E as pessoas, em meu primeiro embarque aqui (como dói lembrar dele). 
E as pessoas nos embarques mais desesperados, nos desembarques mais tranquilos, nos que antecediam férias. 
E as pessoas que me esperavam aqui nos desembarques, que me acompanharam nos embarques...

Espero só que o meu ônibus chegue logo, para encerrar esta tortuosa sessão de lembranças sentado em banco velho de rodoviária já não tão nova assim, nem pra cidade, nem pra mim.



sexta-feira, 16 de novembro de 2012

E nem era tão tarde assim.

Não sei dizer ao certo se a banda é boa ou ruim. Não estou bêbado, e nem a música me serve meramente como trilha sonora, pano de fundo para trocas de olhares ou coisa do gênero.
Simplesmente, estou cansado, e a música já não faz diferença - o vocalista, de fato, parece o Jim Carrey em "O Pentelho" - mas para o meu cérebro, moído pelas correrias, cansaços e excessos das últimas horas, a música já não faz a mínima diferença.
O que é triste, pois eu gosto de música.
O que é bom, pois me recorda que nos próximos dias tem muito mais roque.
Ps: levantei e fui fazer xixi, só para me distrair um pouco.
Ps1: e nem era tão tarde assim.


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Serei eternamente encantado por você.

Não sei dizer ao certo quando te conheci. 
Honestamente, não me recordo da primeira vez em que nos vimos. Tampouco, não tenho lembranças da primeira vez em que entrei em sua casa, e, menos ainda, não tenho ideia de quais foram as primeiras palavras que trocamos.
Também não me lembro da primeira vez em que comi alguma comida preparada por você, e nem da primeira vez em que rimos juntos ou que te fiz rir falando qualquer bobeira.
Talvez você se lembre disso tudo.
Passados tantos anos e vividos tantos momentos, creio que todos estes debutes que listei acima se tornam pequenos, mas não dispensáveis: são os pontos iniciais desta linha que me felicita tanto por viver na vida.
Não me recordo da primeira vez em que entrei na tua casa, mas me recordo de infinitas vezes em que passei pelas portas das tuas moradas, e você me aguardava nelas sorrindo (ou cochilando com um livro no colo). Aliás, não é incomum que eu me recorde do teu riso suave me observando entrar em sua casa e perguntando, após uma breve risada: "chegou bem?".
Pra não dizer que não me recordo de nenhum debute junto de ti, lembro-me da nossa primeira partida de buraco, naquela larga mesa, em que tantas vezes almoçamos, jantamos, tomamos lanches e certa vez você limpou a colher do sorvete em meu copo de suco.
Fato é que recordo-me de muita coisa, e sempre me recordarei.
São tantos momentos, antigos e recentes, tantos sorrisos e longas conversas - e me lembro também de choros e silêncios - que me fazem, sempre que lhe encontro, passar alguns bons instantes paralisado, olhando somente para você, e pensando (ou sentido) como sou e serei eternamente encantado por você, Vó.




domingo, 11 de novembro de 2012

Diálogo à luz do som.

"Mas cara, é só Zoom 505, talvez Zoom 505-II";

"É, a variação é pouca, a criatividade é nula";

"Sim, é disso que eu falo";

"Cê tem que entender, é assim que funciona: a galera curte assim";

"Mas parece que eu tô na festa da máquina de fotocopia";

"Meu, cê tem que entender que é tipo um lazer pro pessoal";

"Tudo bem, entendo, aceito e até tiro foto, mas cara, é muito pouco";

"Cê estica a mão e diz belo som?";

"Não digo, jamais direi; e se me pedirem ajuda pra descer com os equipamentos, não ajudo";

"Como cê é chato cara";

"Não se trata de chatice, se trata de convicção";

"Convicção em que?";

"Sei lá... Talvez na arte, talvez na criação";

(Hallowed By The Name é tocada integralmente, e o cara dá o braço a torcer):

"É, de fato, não é arte, não é criação, é só uma festa de fotocopias";

"São reproduções meu caro. E com efeitos digitais na guitarra".


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Cicatriz.


Ele se distraía com os fios brancos que se soltavam do sofá predominantemente azul. Cutucava uns, puxava outros. Até que tirou um fio grande, e brincou com este, o enrolou entre os dedos, fez um laço, desfez, fez um nó, desfez, fez uma bolinha e deu um peteleco para se desfazer dela, que bateu no chão e por lá ficou, sendo apenas um fiozinho retorcido.

Enquanto ele buscava qualquer coisa para se distrair (leia-se: fugir do olhar alheio) ela se concentrava em encontrar novos detalhes no rosto dele. Sabia que estava sendo inconveniente. Sabia que estava estranho estar ali. Sabia que não ficava a vontade com um ser humano a sua frente levando fios rebeldes de sofá mais a sério do que a ela própria. Sabia que queria levar aquela brincadeira toda com um pouco de seriedade.

“Nunca tinha visto essa sua cicatriz na testa”; “eu escondo”; “essa eu já tinha visto”; “tenho uma atrás, desse lado... não, do outro”; “eu tenho essa aqui”; “caramba, foi feio?”; “poderia ter sido pior”; “eu fui uma criança meio elétrica”; “espoleta, como diziam meus vizinhos”.

“Tudo bem, se você quiser, pode ficar tranquilo, não tenho planos de te deixar cicatrizes”; “se você deixar, eu te quebro”; “se você deixar, eu te quebro”.





segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Um elevador no peito - II.


1)
Não se fazia ideia das horas, o sol entrava firmemente pela janela de vidro fechada, o suficiente para iluminar todo o ambiente:
"Sai de perto", se disse.

2)
Os olhos estavam bem abertos, os olhares mesclavam tensão e um calor muito próximo aquele do sol:
"Cinco minutos", se falou.

3)
A janela de alumínio fora fechada, uma cabeça apoiada sobre o tronco alheio, coração não para de bater, e a cabeça se move no ritmo deste pulsar:
"Estou fazendo um elevador com o meu peito", se pensou.




domingo, 4 de novembro de 2012

Meu bem, é o fim.

Lembro-me de quando você chegou: eu tive de conter (no sentido de controlar as demonstrações públicas de) minha felicidade, pois você havia chegado.
Lembro-me que você atrasou um dia para chegar, e eu tive de fazer algumas ligações para descobrir o que havia te acontecido, e por que demorava tanto para chegar. Lembro de com foi difícil dormir desse dia para o seguinte, que seria o da sua chegada.
Enfim, você chegou, e eramos pura alegria: tínhamos um mundo para desbravar juntos!
Quantas vezes viajamos? Eu não saberia dizer.
Quantas coisas criamos? Eu não saberia dizer.
Quantos amigos, quantas conversas, quantas fotos, quantos vídeos, tudo isso juntos. Como saber dizer?

Mas então aconteceu de você ficar mau uma vez, e ser necessário parar a vida para estar ao seu lado, segurando a tua mão, com a fé de podermos tornar a ser o que eramos antes.
Você se recuperou, a alegria voltou, nós voltamos!
Mas a verdade é que durou pouco, e nunca mais fomos os mesmos: passado algum tempo você ficou mau novamente (eu também), isso tudo nos afetou, mas não desdemos as mãos; estávamos juntos!

Agora, meu bem, pela terceira vez encaramos uma forte desestabilização em você, em nós. Eu não sinto mais tanta vontade assim de estar ao seu lado.
Desejo apenas sair te chutando daqui até a rua e atear fogo em você, computador filho da puta.





quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Você age de má fé, seu bosta.

Já faz algum tempo venho observando formas cotidianas de se postar ante as repetições da vida. Mais do que isso, venho observando formas repetitivamente xaropes de se postar de forma cotidiana ante a vida coletiva. Não, não vou resmungar sobre o que já resmunguei no último domingo.
Há quem diga em momentos difíceis, como de problemas de saúde graves em algum parente, que "agora toda fé é válida", falando de religião, em si. Por outro lado, há também quem diga que nenhuma fé é válida, pois movem sentimentos e ações deploráveis, como guerras e ofensas rotineiras às outras fés.
Pouco me importa a religião, me interessa agora acusar, independente de deus ou de versão do testamento.

Primeiro de tudo, faz-se necessário repetir: seu bosta. 
E, sim, você é um bosta. Não me venha com o papo de que é esquecido e de que é distraído, sabemos que não é verdade, você é bem espertinho - embora muito burro em alguns aspectos - para dizer que "deixou de lembrar" de alguma coisa.
Segundo de tudo, faz-se necessário repetir: você age de má fé. 
E sabemos que age, pois deixa de lado o que não convém, e só te convém o que é teu, o que pode lhe render frutos. Aliás, corrijo: te interessa o que é dos outros, até que você sugue a última gota, o último pedaço, a última possibilidade, depois, você esquece, seu bosta.
Terceiro de tudo, faz-se necessário enfatizar: você age de má fé, seu bosta. 
E é por ter esse tipo de ação, tão nítida em seus passos cotidianos e tão perceptível nas repetições diárias, que digo com extrema certeza: você é o maior prejuízo que já passou pela minha vida.

Seu bosta.