domingo, 28 de outubro de 2012

Os meus projetos.

Dentre as bandas de hard core paulistanas que eu gostei e acompanhei em São Paulo no período de 2004 a 2006, uma delas era o Fullheart. Na música "Inferno e Distância", sempre se destacou para mim o seguinte trecho cantado: "os meus valores viram motivo de piada". No fim da manhã deste domingo penso, me valendo da estrutura deste trecho, que "os meus projetos viram motivo de piada". Talvez, de fato, sejam assim facilmente transformados em motivo de piada pois eu não sou sério, e quando dedico o supra sumo do meu coeficiente de seriedade, ainda assim me parece que quem está ao redor os encara mais com 'rs' do que com 'ok'.
E face considerável do problema está justamente nisso: em quem está ao redor.
Muitos projetos não podem ser "meus", eles tem de ser "nossos", pois para que perambulem entre o 'mundo das ideias' e o 'mundo das ações' (sendo, então, projetos colocados em prática) um corpo, uma cabeça, um coração não bastam, é necessário mais. É necessário um você que faz aquilo, é necessário ela que sabe aquilo, é necessário ele que articula aquele outro negócio etc.
A maioria dos projetos em que me vejo envolvido hoje em dia tem essa característica: dependem de outros para dirigir o carro, de outros para fazerem determinados contatos, de outros para tocarem determinados instrumentos etc. Coloquei sim, alguns projetos que se pareciam coletivos na frente de outros individuais. E no limiar da construção de confiança nestas ações coletivas, coloquei no quartinho dos fundos alguns projetos que devem caminhar de forma mais individualizada - no clássico embate "coletividade x individualidade", em alguns aspectos dei a chance de triunfo ao primeiro, noutros ao segundo. Observando já de longe (os meses voam, não é mesmo?) pondero sobre a possibilidade de ter respondido corretamente as questões, mas colocando a resposta de uma, no campo dedicado à resolução da outra, e vice versa, o que - na matemática escolar - configura duas respostas erradas.
Não estou arrependido (como é praxe se dizer nessas situações), mas individualmente vou lavar a louça coletiva do final de semana entre resmungos, músicas tristes e possivelmente lagriminhas; que desta esponja saia alguma definição, aliás, alguma "define ação", do jeito que tá/estou não pode seguir.
(Não sei, era pra ser um desabafo, mas, na verdade, acho que o negócio é voltar os ouvidos pro hard core, e torcer para que os projetos sejam menos piadas, e mais concretizações de relativo/relevante sucesso. E que os "projetos coletivos em que me envolvo" sejam menos "os projetos individuais que coletivizamos e me envolvo").
 
Ps: em suma, em termos de projetos que naufragam, em termos de piadas ruins, em termos de investimentos equivocados, em termos de passos sem rumos em finais de noites, enfim, em termo disso tudo, pouco a pouco vou chegando à uma conclusão precisa acerca desta vida: 2012 está sendo um ano que não deveria ter existido.
 
Essa foto ilustra muito do tudo que eu disse acima.
 
 

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