terça-feira, 9 de outubro de 2012

O dia em que eu levei flores.

Hoje, enquanto lavava a louça, decidi contar uma história da minha vida sem fazer rodeios ou exagerar nas metáforas. 

Eu já não era tão jovem assim, estava nesta vida de fazer e falar bobeiras e me arrepender e não saber parar já fazia alguns anos; claro, sou jovem ainda, e espero ter muitos anos e pessoas para falar menos bobeiras e mais coisas certeiras. 
Devo até salientar, o volume das besteiras diminuiu consideravelmente, vez ou outra este poder (que me parece inalienável) vem e causa devastação tal qual vulcão que se fazia inativo.
Na história que quero contar a vocês, com um pouco de rodeios e metáforas - eu não sei pensar  e falar sem estes - me aproximei de um ser humano com o intuito de lhe dizer bolos recheados, lasanhas suculentas, churrascos volumosos e frangos à parmegiana. Mas acabei por lhe falar o total oposto: leites com natas, repolhos refogados, proteínas de soja na manteiga e sucos de limão com couve.
No momento e em local pré "não foi isso que eu quis dizer", sem notar comecei a brincar com algumas flores que havia por ali. Sempre que brinco com flores me recordo da Morticia Addams podando/decepando rosas, e confesso que pensei: "será que a troca de parmegianas por repolhos foi o decepar irreversível de algumas rosas?".
Juntei as flores, e segui o caminho levando-as firmes numa das mãos. O intuito não era dá-las ou utilizá-las como presente ou coisa do gênero ao ser humano, eu apenas conduzi as flores de um ponto A para um ponto B; eu apenas levei flores.
Quando cheguei não disse: "veja, eu trouxe flores", ou "vim lhe trazer este humilde presente" (como sempre diz o Professor Girafales) ou mesmo "flores. veja: flores". Não disse nada, entrei com elas em punho, as deixei nalgum canto, e pétala/ponto final.

Afinal, foi apenas o dia em que eu levei flores.



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