segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Constatação.


Tem uma música que joga comigo: entra pelos ouvidos e passeia por todo o meu corpo. Tal qual atleta que veste a camisa, entra em campo e joga o jogo da vida, a música já está vestida - apenas dou o "play" - e ela entra e já vai correndo, rompe meu meio de campo, passa pela pequena área e cava um pênalti.
A música joga tanto comigo, que me joga de volta pro limbo de um passado úmido, pegajoso, escorregadio e repleto de boas memórias - como diz algum poeta: "somos feitos do que fomos" ou "do que vivemos", tanto faz, ambos me soam legítimos agora.
A música me derruba.

Observo o calendário gigante do mês passado, e penso: "justo, vou deixar que ela jogue comigo e me jogue, vou me deixar ser derrubado e cessar tudo que se faz atual e correr em busca de setembro, agosto, julho, junho, maio, abril, março, fevereiro, janeiro? Ou vou montar um calendário de Outubro diferente destes demais? [Em vez de quadradinhos para marcar os dias, bolinhas; será que isso faz um mês diferente?] Vou encarar que há um novembro, um dezembro e outro janeiro, outro fevereiro, e outro reticências".

A música é linda (acho que das novidades que ouvi este ano, talvez seja a mais bela) mas, para o bem de minha saúde, e dos meus projetos, e do meu futuro e de tudo o que tem de ser negociado, pensado, criado e entregue, serei obrigado à riscá-la de minhas playlists contemporâneas. 
Pois, calendários à parte, eu só quero andar pra frente. 

***

PS: a quem possa ser relevante saber, até quinta feira estarei off line. Vocês sabem por qual razão.




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