quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Tic-Tac.

Breve relato de José Gomes Neto - I:

"Na minha casa não tem relógio de parede. Também não tenho relógio de pulso, e me informo sobre as horas por meio do relógio do celular. Desde que meu computador parou de funcionar, também não tenho mais o relógio do canto inferior direito da barra de tarefas para observar as horas. Quando criança tive um relógio digital de pulso. Já mais velho ganhei um de ponteiros, também pro pulso, mas não consegui usá-lo por muito tempo: o tic-tac constante me irritava. Tirei a bateria e o guardei numa gaveta; deveria ter vendido enquanto ainda era novo. 
Outro dia ela acabou por dormir em casa, também não usa relógio no pulso, vale-se apenas do visor do telefone celular para ver as horas. Ela dormiu, eu dormi, nós dormimos, e acordamos. Ao despertar, fora da hora correta segundo relógios de pulsos, de paredes, digitais, analógicos e, sobretudo, fora da hora correta segundo os compromissos firmados, ainda não sabíamos que estávamos fora de hora.
Segurando os cabelos, tateando o chão ao redor da cama, ela perguntou: cadê o meu tic-tac?".

José Gomes Neto, 
21 de Julho de 2010,
Desempregado.



Um comentário:

Alex disse...

nesses casos não deveria existir hora!