sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Eu não sei fazer isso.

Quando me deitei, pouco após todas as pessoas terem passado pela abertura do portão, e a casa voltar a ser um emaranhado de cômodos vazios, vez ou outra ocupados por mim, o vento forte fazia as latas perambularem pelo quintal frontal da casa. 
O barulho das latas vazias rolando pelo chão parece o som que me informa ter recebido uma mensagem no celular. Eu gosto do toque de celular com barulho de lata vazia rolando pelo chão.
Consegui dormir, uma ou outra mensagens se fizeram necessárias para, de certa forma, poder dormir. Algumas latas bateram dentro do quarto, outras não.
Acordei. Não re-li mensagens (eu nunca releio, e meu celular não guarda as enviadas). Ainda ventava e as latas ainda corriam pela frente da casa. Despertar me soou tão chato, talvez pois o pré-sono (leia-se: aquilo que eu faria acordado na noite) e o sono em si não foram como eu havia me preparado para que fossem.
(No português claro, acordei com a sensação de que "deu tudo errado").

Na verdade, independente de sono, pré-sono, latas e/ou celulares, eu não sei fazer isso. E é isso que eu tenho a dizer por ora.
Quando me ligam ou me encontram e perguntam 'qual seu cargo?', 'o que você faz?', eu não sei o que dizer. Não sei encher a boca com um termo ou descrever atitudes que confluam para um posicionamento concreto.
Pois eu não sei fazer isso: eu não sei ter e ser tais posicionamentos concretos. Sei assumir que errei, sei observar a situação e chamar gente pra somar e atuar junto. Sei ter algumas ideias boas, compartilhá-las, e ver se são cabíveis com a realidade ou se são meros devaneios.
Devaneios do tipo de gente que deita para dormir, reflete no dia que teve e associa, um toque de celular, às latas vazias.





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