segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Cheguei.

E quando o fiz portava em mãos (logo, carregava) uma garrafinha d'água. Apenas. Outrora ela me permitira a sensação de que deus - ele mesmo! - estava me dando beijos de prazer e santidade, a cada gole em ressaca.
Assim que cheguei realizei a estupidez de perguntar para mim mesmo: "será que é só isso?"; "isso quanto?", replicou o outro lado. "Isso, chegar só com uma garrafa d'água sem água".
Encerrei o assunto entre os dois lados quando entendi que o que estava sendo questionado era se eu estava chegando apenas com a garrafa.
E apenas no sentido mais amplo (embora reducionista) que consegui me imaginar em termos de perambulando por vazios.

***

Foi então que, sentindo a cabeça seca e cindida em dois lados, realizei outro exercício: o de virar as páginas do amigo caderninho. De fato, nas mãos podia haver só uma garrafinha d'água, mas a verdade, descrita em letras tortas (e escritas com letras garrafais) é que:

"Gosto do som,
Dos meus passos batidos,
No vazio batendo,
Deserto infinito,
Das ruas escuras,
Em noites sem fim".


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