quinta-feira, 9 de agosto de 2012

A casa UFC.

Era uma casa.
Não era a mais espaçosa, ou mesmo a mais bem arrumada das casas do bairro. Era, e isso não se pode negar - apesar dos descuidos - uma casa muito simpática.

Era um casal.
Não era o mais aberto, ou mesmo o mais sorridente e radiante dos casais do mundo. Era, e isso até se deve negar - mesmo que se respire o oposto - um casal simpático.

Passavam pelas entradas da casa e já preenchiam o espaço de presença. Chamemos de presença a forma como irrompiam o silêncio e suspendiam a razão prática da existência de paredes duras e portas (e janelas) trancadas.
Talvez tivessem como filosofia de amor (ou lógica de amar), debaixo do teto daquela (ou de qualquer) casa, as bases desportivas daquilo que se convencionou chamar de "campeonato de lutas", um grande espetáculo para a televisão:"UFC: os gladiadores do terceiro milênio".

Passavam pelas entradas da casa, e já transformavam sala, quarto, cozinha, banheiro, quintal em um grande octógono: livre, geral e irrestrito.


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