quarta-feira, 11 de julho de 2012

Três Garrafas.

Numa tem café,
Na outra café com leite,
E na terceira apenas leite.

As duas e cinquenta,
Quando o dia era ainda distante,
[Fosse para o fim de um,
Ou começo do outro],
Um barulho estremeceu,
O silêncio da avenida.

Uma porta de metal,
Batida por três vezes.

Mais a frente,
Outro ruído,
Bléim, Blóim,
Blum Blum.

Algo com motor,
Se aproxima,
Apenas o ouvia,
Não queria olhar.

Era um único carro,
Cortando aquela veia,
Avenida sempre entupida;
Colesterol urbano.

Passou por nós,
Não tive como não olhar,
Mesmo que quisesse.

Mais a frente,
Fez outra parada,
Bléim, Blóim,
Blum Blum.

Era um carro grande,
Que entrega leite,
Às três da madrugada,
Bem mais que três garrafas.

São Paulo,
Essa cidade de milhões,
Milhões de bezerros,
Eternamente desmamados.

[Sim Drummond,
Ainda existem leiteiros].


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