domingo, 1 de julho de 2012

"Não há exceção à regra".

[não custa lembrar o silêncio de "Silenciosa" em 31 de Maio último].

Me interessa, agora, falar sobre o ontem. Tivesse tudo dado certo, dentro dos planos traçados, estaria agora escrevendo um texto sincero e meu sobre uma apresentação musical fenomenal, que me bateu nas portas mais escondidas [e fechadas] deste eu/corpo/alma/coração/enfim.
Farei isso, pois vivi isso a pouco, mas há o antes.

Havia combinado uma carona para Osasco, no sábado, as 8 horas da manhã. Deixei de ir na festa de sexta sob a alegação justa de que "iria dormir cedo, para acordar cedo". Meu corpo, volta e meia me trai, e eu acordei apenas após a metade da nona hora do dia.
Pensei rápido, e já me ajeitei para ir comprar uma passagem para o próximo ônibus rumo à São Paulo: não havia lugar, nem nele, nem no próximo, nem nada. Apenas no ônibus que partia de lá faltando trinta minutos para o fim do sábado; este não me servia, mas era o unico jeito.
Voltei para casa, puto. As caixinhas de som proliferavam canções de ódio em um metal que não sei se black ou trash. Enfim, pesado, sujo e catastrófico, como me senti ao me sentar na poltrona sabendo que não estaria na apresentação do Jair Naves, apresentação apenas dele.
Consegui chegar para tal. Podemos considerar que a ordem dos fatos [uma carona, vindo para São Paulo, sábado ao meio dia, após tudo o que ocorreu] teve lá o seu caráter milagroso.

[agora começa "um texto sincero e meu sobre uma apresentação musical fenomenal"].
Quando você diz a alguém habituado com a "industria musical" que vai a um show, essa pessoa imagina grades, esquemas de segurança, colunas [e mais colunas] de amplificadores. Normalmente, são essas mesmas pessoas que se referem às pequenas coisas do cotidiano como "show". Quando você diz para essas pessoas que no meio do show o músico perguntou se era necessário microfone, as pessoas se espantam: "ah, então não era show?". Era.
Por que um show não pode ser algo leve? Talvez umas expressão cotidiana, como um homem [e não um menino, ou mesmo um menino] com seu violão, suas vozes e suas canções?
E "suas canções" em um sentido amplo: não apenas músicas construídas por ele, mas músicas experimentadas e acariciadas por ele, a ponto de se tornarem suas também.
Assim como "Silenciosa", é uma música dele, Jair Naves, que também é minha, Gabriel Coiso.
(Ah Jair, se eu te dissesse como ouvi e berrei 'Um passo por vez' em minha casa e cabeça nos últimos tempos, talvez eu pudesse lhe dizer que "essa música é minha também").

Sai de lá choroso, lento, vagaroso; sentamos nalguma lanchonete após o ônibus e quis escrever algo em meu caderninho sobre a experiência de estar ali, saboreando os gritos e lágrimas dele. Não saiu nada, e nem tinha que sair.
Afinal, este é apenas um texto sincero e meu sobre uma apresentação musical fenomenal.
E fenomenal, por me bater nas portas do peito.


De certa forma os berros, músicas e todas as minhas predisposições que bateram e/ou abriram as portas deste peito, permitem que eu entre, enfim, em férias, e que encare de frente o que fechei nalguns quartinhos e escondi as chaves.
"Um passo por vez", com a participação vocal das mais ou menos 30 pessoas amontoadas naquela agradável loja na região da Augusta:


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