domingo, 15 de julho de 2012

Crime.

Início:
Foi numa calçada, em um canteiro de obras, apoiados num muro, que se iniciou o crime daquele dia. O sol era até gostoso, mas optaram pela sombra, causada pelo próprio muro. Era uma sombra boa, e não deixava a bebida esquentar tanto assim.

(im)Possibilidades:
Talvez o crime em si, não tenha se iniciado ali.
Talvez ambos, como sujeitos de um crime, ou como cúmplices de uma mesma ação tenham se aliciado, apenas, por ali.
Talvez a ação dotada de possibilidades criminais tenha se iniciado quando deixavam para trás a obra, e seguiam rumo ao próximo destino. Aquele seria o rumo de apenas um dos sujeitos, mas se tornou de ambos, quando, por cumplicidade, observaram e optou-se por seguir o mesmo rumo. 
Talvez tenha sido naquele banco chacoalhante de transporte público que a criminalidade se mostrou entre e para ambos. 
Talvez não: como medir o peso das ações quando não se sabe que, futuramente, se tornarão um crime? Como medir o peso das ações quando a bebida não esquentou tanto assim?

Desenvolvimento:
Era um momento especial. Em si, desde o escalar do barranco perpendicular ao muro do início, era um dia histórico para um lado, que se desdobrou em histórico para o outro lado e, assim, tornou-se histórico para os dois lados.
Em meio ao desenvolvimento da ação, a revista policial não encontrou as broas de milho, o croissant ficou para fora e as bolachas entraram, amassadas, mas entraram - não existe crime perfeito. A linha de policiais militares também não evitou os singelos encontrões de ombros, os abraços de felicidade e o não estar de olho na bolacha alheia.
Conivência e omissão não serviriam para descrever os erros da polícia: não havia planos concretos, coesos  e/ou compartilhados de criminalidade por ali.

Crime:
Todos os componentes históricos daquele dia inapagável foram celebrados em um tilintar de copos, cheios e refrescantes. A noite já comia - e era comida - de forma solta e deliberada por ali: via urbana que conecta bairros ao centro da cidade e concentra cidadãos em busca dos mais diversos tipos de noites. 
(Talvez fosse o local ideal para se encontrar um espaço que configuraria o fim daquele dia como algo sem crime algum. Mas não foi).
Era dia de serem criminosos e cúmplices, ambos foram as duas coisas, sem tirar nem por. E, na inexistência de julgamento, foram condenados, de forma quase que inquestionável, à celas solitárias, sem dó nem piedade.
Condenados às celas solitárias de suas camas vazias. Cada um na sua.
Sem tirar nem por.



2 comentários:

Anônimo disse...

Somos suspeitos
De um crime perfeito
Mas crimes perfeitos
Não deixam suspeitos...

pedro meinberg disse...

quem condenou pode ser o (cultural) édipo freudiano, repressor sexual.

quando você tornar um escritor me convide para fazer as resenhas críticas!! rsrs...