quinta-feira, 14 de junho de 2012

Vizinho do Velório.

Começo com um trecho de 15 de Maio de 2010 (e a infernal repetição): 


"10:40, apontei o nariz na rampa com a certeza da obrigação, em tons de dever, de ir embora daqui para voltar mais tarde, talvez só no outro mês, no mínimo alguns dias.
O que me fez pensar que, independentemente da hora e da situação, não me esforço muito para ser simpático.
E ai tudo bem, volto no final do mês; e agradeço a um deus que não acredito."

***

Acho que superei a "não simpatia", devo dizer. Nestes dois anos e um mês (para ser romanamente exato) peitei a antipatia que me parecia inerente, e sou mais aberto socialmente. O que não quer dizer menos crítico; ou menos irônico; ou que me divirta mais; ou que não seja tão chato, não sempre.
Ou que tenha superado.
Como era o slogan daquela empresa de caminhões para mudança? "o mundo gira, a Lusitana roda"?. 
As coisas giram, passam, rodam, as vivemos etc. É o ritmo.
Mas, nos últimos 4 anos - que parecem 40 - sempre chega uma hora que não dá mais. O giro se torna rooto rooter, uma brincadeira besta de um "professor" que tive: erguia os meninos no ombro e os girava por longos segundos, até que um saiu da sala de aula cambaleando em um suntuoso vômito.
E, numa mescla desse giro, com o nariz apontado, ainda, na mesma rampa e o ar tão Lusitana que me bate na face, fecho o portão e vou.
Vou, e para os meus trajetos mais centrais, sempre que vou passo pelo Velório (é assim desde 2009), e às vezes é ruim ter que passar pelo cortejo, ou apertar o passo para não ter de esperá-lo passar pela rua. 
Não é legal ser vizinho do velório.
Já é fim do mês, fim do semestre. 
Mas eu volto, como sempre, sem jamais agradecer a deus algum, e, certamente, mais forte.
A ideia de ir é essa.

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