terça-feira, 19 de junho de 2012

Aqui é para o Jabaquara?

(...)
Desci a escada da estação Sé com os olhos atentos no homem branco, de cabeça raspada e jaqueta verde com motivos nacionalistas que estava alguns degraus atrás de mim.
Logo que cheguei à plataforma apoiei-me em uma das barras de ferro que orienta o posicionamento das pessoas para a espera do vagão. Tratei de olhar para lá e para cá, e repetir o movimento, na tentativa de certificar-me de que o careca não estava mais perto de mim.
Numa das olhadas, que acabou por se tornar a última, uma jovem mulher, que estava apoiada na mesma barra de ferro que eu, fixou o olhar em mim e disse:
-Aqui é para o Jabaquara?
-Isso - foi o que consegui dizer.

Era linda.
Entramos no mesmo vagão, fiquei em pé próximo de uma das portas, e ela se sentou em um banco, de frente para mim. Olhei para ela mais algumas vezes - era impossível não fazê-lo - até que descesse na Vila Mariana.
Era realmente linda.

Fiquei pensando, quantas mulheres lindas passaram despercebidas por mim nesta vida, quantas passarão despercebidas, por nunca terem me perguntado (ou, pois jamais me perguntarão) se "aqui é para o Jabaquara?".


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