segunda-feira, 14 de maio de 2012

Em São Paulo - II.

[articula com: "Em São Paulo - I"].

10h01min:
Entrei no ônibus rumo ao Centro Velho, nos primeiros quilômetros de seu/meu caminho, nostalgia. Lembranças da época em que todas as manhãs fazia estes trajetos. Aliás, os cumpria como penitências rumo à escola.

10h22min:
A placa "Rua da Várzea, Pacaembu, Bom Retiro" suscita-me reflexões de como estes locais são marcos essenciais, vitais e eternos para pensar o futebol paulistano e paulista. Desdobro a reflexão tentando imaginar esta região da Barra Funda a 100, 110, 120 anos atrás, mas não consigo (...)

10h47min:
Parado já há mais de dez minutos, no fim da Barra Funda, no início da Pacaembu e já na rota para o Centro, penso (assim mesmo, com aspas) "isso aqui não me diz respeito". A lentidão, a falta de paciência, os olhares murchos.

10h52min:
Um homem empurrando uma das pilastras do Minhocão (Elevado Costa e Silva) com a cabeça, sacramenta o fim dos pensamentos românticos sobre uma São Paulo de dezenas de décadas atrás. E questiono: quando os historiadores burgueses falarem deste hoje, o que dirão? Quais serão os seus sujeitos históricos: a senhora descabelada que veste roupas surradas, anda descalça e quer deitar-se na frente de uma loja, ou o homem de terno que saiu da loja para expulsar esta mulher dali?


11h05min:
[Burrice].

11h20min:
Uma propaganda colada em um dos vagões do metrô me congela as ideias, choca ou sei lá como definir, julguei melhor anotar: abaixo da frase "quando crescer quero ser igual a minha mãe", a foto de uma garotinha de cabelos encaracolados e foscos abraçando uma mulher (que se entende ser sua mãe), de cabelos alisados e brilhantes. Ao lado desta foto, imagens de secadores de cabelos, e abaixo outra frase: "o sonho do liso perfeito".

11h35min:
As faculdade de Artes tem um clima distinto das demais universidades. Aliás, cada Campus Universitário tem características próprias, e a mim, como um 'outsider', julgo que cada um tem um 'clima' próprio. O fato do Campus de Artes soar-me como "mais leve" que os outros faz-me reconsiderar aquela velha questão: deveria ter vindo para cá em vez de para lá?

11h40min, em diante:
Os lugares são compostos e construídos por pessoas, pelas pessoas que neles existem. Nós somos o que somos e nos construímos, e mudamos, em razão dos lugares, e das pessoas (e vice versa).
Creio existirem outros fatores, mas nesta sexta feira em São Paulo, restrinjo-me a falar sobre os lugares, as pessoas e os momentos que o encontro de ambos nos proporcionam.


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