sábado, 5 de maio de 2012

Aos batuques da Renata.

Em Dezembro de 2010 eu "cumpria" a penitência de uma recuperação universitária. Estava de férias em São Paulo, na casa de meus pais, e, entre a leitura e a resenhação do livro da disciplina necessária de ser recuperada, abri o meu orkut. Nele, havia um pedido de amizade de uma garota que eu nunca havia visto; as poucas informações que haviam disponíveis na rede social indicavam que estava encerrando o primeiro ano de filosofia na mesma universidade que eu.
Aceitei o pedido e enviei uma mensagem questionando "quem é você?". 
Ela se apresentou, era a Renata, tocava bateria e, por alguma razão, ficou sabendo que eu tinha umas músicas. Começamos a conversar sobre isso, e eu rapidamente sugeri de formarmos uma "dupla roqueira", ela topou, e indicou que tocássemos alguns covers, como de Sex Pistols e Ramones, ao que fui contra: "e se a gente tocar um som do White Stripes pra criar sincronia e depois fazermos músicas nossas?", sugeri. 
Pois foi o que fizemos. No primeiro ensaio (num fim de manhã quente em Fevereiro de 2011) tocamos Seven Nation Army e, juntos, com as baquetas da Renata, remodelamos duas ou três músicas minhas.
Tocamos juntos deste ensaio em Fevereiro até o dia 1 de Julho, quando fizemos uma apresentação na 6ª Noite Fora do Eixo em Marília. 

Mais do que tocarmos juntos, tínhamos bons momentos de "efervescência de ideias", que eram tardes em que a Renata ia no apartamento em que eu morava, eu fazia um café com leite (ou cachorro quente) e ficávamos papeando sobre 'temas bacanas de serem cantados'. Criamos músicas muito interessantes a partir destes momentos e conversas: "Babaquismo em 3 breves atos", "Carrunchos", "Coração de Máquina", "Efemeridades" [que toco hoje no Zababô Zebrinha] e "Música para vender", nesta última invertíamos os papéis, ela pegava a guitarra e eu me sentava à bateria, sem muito ritmo e/ou notas redondinhas,  criando melodias sem rumo ou mesmo "a-melodias", cantávamos que: "não é que tem que ser bom pra ouvir, tem  que ser bom pra vender; não tem que saber tocar, tem que saber vender".

Posso dizer que acompanho a Rê na OUT desde antes da banda existir, quando ela me disse que estava participando de um processo seletivo de bolsa para estudar música. 
Acho que nunca disse isso pra Renata, ou pra ninguém. Ela ter me chamado no orkut e iniciado o papo sobre tocarmos, colocou-me de volta a ideia de tocar, de criar músicas; eu já havia desistido disso. E, bem, fiquei chateado quando notei que o projeto CabouTchan (nome da dupla composta por nós) se encerraria.
Porém, opostamente a esta chateação, sorrio de orelha a orelha a cada apresentação da OUT em que vou e vejo a pequena Renata - escondidinha atrás do bumbo e dos pratos - demonstrando toda seu potencial, conhecimento e empenho para com a música.
A cada show da OUT meu sorriso afasta mais uma orelha da outra.

Um beijo Rê.





Um comentário:

Alex Arbarotti disse...

Rubem Alves tem uma frase que pode ser significativo paro seu texto de alguma forma: "Tudo que é belo deve morrer!"

Se acabou é pq foi belo e produtivo!

Um bju a ambos.