domingo, 27 de maio de 2012

Chegou o dia.

Meu pai sempre foi vidrado em "ficção científica". Ele é da geração que cresceu com a cara enfiada nos Guerras e Jornadas na Estrelas da televisão, e em obras como "Admirável mundo novo". Logo, em casa sempre teve dessas coisas: recordo-me de, ainda criança, dobrar as orelhas com a mão para ficar parecendo o Spok. Lembro também da primeira vez em que assisti "2001", eu devia ter lá os meus 7 ou 8 anos, e não entendi nada, só que aquela música do começo era interessante.
Em 2003 (ou 04 ou 05, não lembro) quando lançaram "O exterminador do futuro - 3" - uma das peças de propaganda eleitoral mais caras e bem feitas do mundo - meu pai o alugou e o assistimos em casa. Tenho na lembrança que, após o filme, ficamos conversando sobre "a dominação das máquinas", e lembro-me de ter a opinião de que não era tão absurda assim a ideia de que um dia as criações tecnológicas em franco desenvolvimento dos humanos nos dominassem, e que "esse dia chegaria". Meu pai discordou, como sempre.
Filmes como "O exterminador" mostram as máquinas como robôs enormes, que cospem fogo, são inatingíveis e possuem entre quinze e vinte mil vezes mais do que os humanos os coeficientes de raciocínio, reflexo, percepção e sadismo.
Talvez eu não estivesse pensando em máquinas como aquelas, são mera alegoria (lembro-me agora de outro grande filme do tema que vale assistir: "Inteligência Artificial"). Talvez eu estivesse pensando em máquinas como essa para a qual olho enquanto escrevo, a qual centraliza muito (muito!) do ritmo e dos fluxos de criatividade e ação da minha vida.
E, agora, travada, semi inoperante e dotada de uma "vontade própria" incrível, domina meus últimos 3 dias na tentativa de recuperá-la (para poder retomar o ritmo e os fluxos).
É pai, uma máquina domina minha vida presente.

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