quinta-feira, 31 de maio de 2012

"Silenciosa".

1h38min.

Até um tempo atrás (não sei, talvez duas semanas) eu previa uma noite de festa: tomaria banho, colocaria a melhor roupa e até arrumaria a casa. Nos mínimos detalhes.
Sabe como é: lemos Marx, criticamos Marx, criticamos deus e o mundo, mas colocamos o calendário Grego Romano debaixo do braço, dentro dos peitos. Enfim; seria uma noite de festa.
Mas não. 
Não foi noite de ouvir o CD que fala sobre |n|ó|s|.
Acabou se tornando uma noite "Silenciosa".

Nos vídeos do Jair Naves referentes à uma das participações dele no "Estúdio Show Livre", há a seguinte descrição: "os dolorosos ritos de passagem na vida de uma pessoa, amor, entre outros temas". 
Uma festa, alegre e bem animada, com serpentinas e pessoas vestindo tiaras de pompons, pode representar um rito de passagem, não 'doloroso', como discriminado acima.
Assim como um funeral, um enterro, uma cerimônia de lançamento de cinzas ao mar, também fazem parte dos ritos a que estamos sujeitos nesta nossa vida cotidiana (burguesa, ocidental).

Deveria ter sido madrugada de rito de passagem dos mais bonitos (quiçá com 'queijos e suco de uva', na impossibilidade do vinho), mas se tornou uma noite, "Silenciosa", sem cores ou sons (se quer tive coragem de ouvir a música enquanto escrevia); rito de passagem dos mais dolorosos.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

A garota com a mãe.

Quando chegou naquele novo ambiente, que como a maioria dos ambientes que nos são novos, lhe soava hostil, muitos a olharam em busca de belezas, como é comum em ambientes como esse. É verdade que quase todos que buscaram isso nela, encontraram, afinal, caminhava sem grandes problemas entre as mais altas patentes dos demarcadores de belezas desta sociedade. 
Não só do ambiente específico.
Porém, tão logo se notou os retoques e requintes que a tornavam "bela", "bonita" etc, alguns dos observadores começaram a notar que ela, que poderia ser nominada de 'garota', possuía em seu cotidiano um apêndice ao seu corpo. Uma mulher, mais velha, maior e de cabelos mais brancos que o tom de loiro da garota. Eram notáveis também, quando se olhava fixamente ambos os rostos, algumas semelhanças de traços e feições.
O apêndice cotidiano da garota bonita era sua mãe. 
Era a mãe quem dirigia o carro em que se locomoviam (no qual cabem apenas duas pessoas), era a mãe quem almoçava com ela (e encarava firmemente quem observa o que havia no prato da moça), era a mãe quem a esperava na saída da aula (com o carro estacionado ao lado do prédio de aulas), era a mãe quem tomava a frente e interagia com as pessoas (em situações que envolviam estranhos ilustres desconhecidos). 
Era a mãe. 
E por que a mãe não deixava só a garota? 
Ou era a garota quem não deixava a mãe?


domingo, 27 de maio de 2012

Chegou o dia.

Meu pai sempre foi vidrado em "ficção científica". Ele é da geração que cresceu com a cara enfiada nos Guerras e Jornadas na Estrelas da televisão, e em obras como "Admirável mundo novo". Logo, em casa sempre teve dessas coisas: recordo-me de, ainda criança, dobrar as orelhas com a mão para ficar parecendo o Spok. Lembro também da primeira vez em que assisti "2001", eu devia ter lá os meus 7 ou 8 anos, e não entendi nada, só que aquela música do começo era interessante.
Em 2003 (ou 04 ou 05, não lembro) quando lançaram "O exterminador do futuro - 3" - uma das peças de propaganda eleitoral mais caras e bem feitas do mundo - meu pai o alugou e o assistimos em casa. Tenho na lembrança que, após o filme, ficamos conversando sobre "a dominação das máquinas", e lembro-me de ter a opinião de que não era tão absurda assim a ideia de que um dia as criações tecnológicas em franco desenvolvimento dos humanos nos dominassem, e que "esse dia chegaria". Meu pai discordou, como sempre.
Filmes como "O exterminador" mostram as máquinas como robôs enormes, que cospem fogo, são inatingíveis e possuem entre quinze e vinte mil vezes mais do que os humanos os coeficientes de raciocínio, reflexo, percepção e sadismo.
Talvez eu não estivesse pensando em máquinas como aquelas, são mera alegoria (lembro-me agora de outro grande filme do tema que vale assistir: "Inteligência Artificial"). Talvez eu estivesse pensando em máquinas como essa para a qual olho enquanto escrevo, a qual centraliza muito (muito!) do ritmo e dos fluxos de criatividade e ação da minha vida.
E, agora, travada, semi inoperante e dotada de uma "vontade própria" incrível, domina meus últimos 3 dias na tentativa de recuperá-la (para poder retomar o ritmo e os fluxos).
É pai, uma máquina domina minha vida presente.

terça-feira, 22 de maio de 2012

O nome "Zababô Zebrinha".

Sábado, voltando para casa após os shows da Furada Cultural, parei para dialogar com dois jovens sentados em um canteiro de pseudo pracinha. Enquanto dialogávamos, um homem estacionou uma blazer preta próximo de nós, desceu desta conduzindo um belo golden retriever amarelo escuro. Se aproximou e entrou no assunto da roda.
De repente o assunto mudou, em razão dos "shows" ocorridos a pouco, o homem perguntou algo sobre o Lobão, perguntou se eu gostava de Charlie Brown e disse ser amigo do Chorão, então, lhe disse: "apresenta minha banda pro Chorão", "e por que eu falaria da tua banda pra ele?", respondi, respondeu etc. Até que perguntou qual som fazia a minha banda, disse que "músicas nossas", uma cara de espanto dele e outra pergunta: "não tocam músicas de outras bandas?", "não", "é, ai fica difícil ir pra frente".
Perguntou se eu conhecia uma banda chamada "Rockover Brasil", disse que não, e perguntou o nome da minha banda: "Zababô Zebrinha". "Como?", "Zababô Zebrinha, esse aqui" e lhe entreguei um panfleto da já passada 8ª Noite Fora do Eixo de Marília, indicando o nome da banda.
O homem balançou a cabeça para os lados, olhando para o chão - e, consequentemente, para o cachorro que arfava - falou: "muda esse nome, é ruim. Além de ser esquisito, nada com Zebra vai pra frente". Sorri, e disse que consideraria seus apontamentos - mentira! como considerar os apontamentos sobre música de alguém que desmerece o "som próprio"? - e fui andando atrás do pessoal que havia seguido adiante no rumo de casa.

Domingo a noite, já ia me entregar à cama quando a Mariângela me chamou para conversar virtualmente, queria me contar como fora entregar o CD "Primeiros Deboches" para o Paulo Miklos, do Titãs. Conversamos brevemente, na segunda feira, logo pela manhã, vi a foto dele com o CD e agora a pouco, na noite da terça feira, ela me contou em detalhes sobre a entrega do mesmo.
Ela conversava com o Titanico sobre outro assunto, e ele perguntou o que era o envelope que ela segurava, disse, então, se tratar do CD da banda de uns amigos, e que era para entregar a ele. Pegou o envelope feito à mão, perguntou sobre ser artesanal, feitos um a um, comentou que o nome era muito bacana. Nisso, os jovens do Garotas Suecas, que dividiam camarim e palco com os Titãs naquela noite, e o Branco Mello (igualmente titanico) também olharam o CD, e elogiaram a embalagem feita aqui em casa e o nome da banda.

Agora, a quem darei ouvidos: a um homem que glorifica uma banda de Covers ou os integrantes de bandas originais, autênticas e criadoras das próprias músicas?
É ruim hein Tiu?

Zababô Zebrinha é Nóis!

domingo, 20 de maio de 2012

Auto Crítica.


Molho de Tomate e Café com Leite,
Não combina.

Essa bosta toda, lixo até na pia,
Não me anima.

Chuveiro queimado,
Há quinze dias.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

A questão biblioteca.

Mais uma vez, agora numa tarde de sexta feira, optei por sair da biblioteca e vir tentar estudar em casa. Aqui o violão, os discos, as tintas, as tábuas de madeiras e os colchões são mais convidativos de minhas atenções do que qualquer estudo, por isso mesmo tenho optado pela biblioteca: é um espaço que, com suas mesas quadradas e beges acompanhadas de silêncio, faz com que eu consiga focar os olhos e a cabeça em um só plano: daquilo que tenho que ler e/ou escrever (com um pulinho e outro no feicebuque).
Agora, por que, mais uma vez, abandonei as mesinhas e o silêncio da biblioteca para fazer minha atenção acadêmica ser disputada com minhas criatividades artísticas? Pois até há mesinhas na biblioteca, agora silêncio, não há mais.

Este ano comecei a frequentar quase diariamente este espaço da faculdade, por um tempo - de forma empiricamente segregacionista - culpava @s alun@s dos cursos de saúde pelo barulho, porém, nos últimos dias abdiquei desta política de exclusão, e constato: a quizumba parte de alunos dos mais diversos cursos deste campus.
Fazendo um paralelo com outro problema oriundo das faltas de respeito entre colegas na universidade, recordo-me da discussão sobre a fila para compra de tickets do Restaurante Universitário. Suspendi meu juízo sobre o ato de "furar a fila", neste caso, ser uma falta, um desrespeito, ou um algo errado. Talvez seja uma prática meramente comum - coço os dedos para escrever "cultural" - neste espaço, visto que são Revolucionários, Reaças, Fisioterapeutas, Filósofos, Internacionalistas, Arquivologistas, Corinthianos, porcos ETC que não entram na fila para a compra do ticket, mas sim pedem a algum amigo, em posição mais privilegiada na mesma, para comprar o seu, e outro, e o do Miltinho, e o do Fulano e o do Ciclano etc.
É algo compartilhado pelos mais variados sujeitos do cotidiano de nossa universidade.

Retornando à biblioteca, como exigir - sim, exigir! - que se respeite algo tão básico como "fazer silêncio neste espaço"? A técnica de emitir gases ao lado dos quizumbeiros surte efeito momentâneo apenas, e não traz ao ambiente o silêncio que deveria ser sua prerrogativa lógica, é mera resposta em uma disputa de "desrespeito x desrespeido".
O que fazer? Quando há na universidade diversos espaços para as mais distintas sociabilidades que tem de haver neste meio, mas um deles - também importantíssimo para que possamos escrever "estudante" no campo "profissão" dos formulários - não é respeitado?

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Em São Paulo - II.

[articula com: "Em São Paulo - I"].

10h01min:
Entrei no ônibus rumo ao Centro Velho, nos primeiros quilômetros de seu/meu caminho, nostalgia. Lembranças da época em que todas as manhãs fazia estes trajetos. Aliás, os cumpria como penitências rumo à escola.

10h22min:
A placa "Rua da Várzea, Pacaembu, Bom Retiro" suscita-me reflexões de como estes locais são marcos essenciais, vitais e eternos para pensar o futebol paulistano e paulista. Desdobro a reflexão tentando imaginar esta região da Barra Funda a 100, 110, 120 anos atrás, mas não consigo (...)

10h47min:
Parado já há mais de dez minutos, no fim da Barra Funda, no início da Pacaembu e já na rota para o Centro, penso (assim mesmo, com aspas) "isso aqui não me diz respeito". A lentidão, a falta de paciência, os olhares murchos.

10h52min:
Um homem empurrando uma das pilastras do Minhocão (Elevado Costa e Silva) com a cabeça, sacramenta o fim dos pensamentos românticos sobre uma São Paulo de dezenas de décadas atrás. E questiono: quando os historiadores burgueses falarem deste hoje, o que dirão? Quais serão os seus sujeitos históricos: a senhora descabelada que veste roupas surradas, anda descalça e quer deitar-se na frente de uma loja, ou o homem de terno que saiu da loja para expulsar esta mulher dali?


11h05min:
[Burrice].

11h20min:
Uma propaganda colada em um dos vagões do metrô me congela as ideias, choca ou sei lá como definir, julguei melhor anotar: abaixo da frase "quando crescer quero ser igual a minha mãe", a foto de uma garotinha de cabelos encaracolados e foscos abraçando uma mulher (que se entende ser sua mãe), de cabelos alisados e brilhantes. Ao lado desta foto, imagens de secadores de cabelos, e abaixo outra frase: "o sonho do liso perfeito".

11h35min:
As faculdade de Artes tem um clima distinto das demais universidades. Aliás, cada Campus Universitário tem características próprias, e a mim, como um 'outsider', julgo que cada um tem um 'clima' próprio. O fato do Campus de Artes soar-me como "mais leve" que os outros faz-me reconsiderar aquela velha questão: deveria ter vindo para cá em vez de para lá?

11h40min, em diante:
Os lugares são compostos e construídos por pessoas, pelas pessoas que neles existem. Nós somos o que somos e nos construímos, e mudamos, em razão dos lugares, e das pessoas (e vice versa).
Creio existirem outros fatores, mas nesta sexta feira em São Paulo, restrinjo-me a falar sobre os lugares, as pessoas e os momentos que o encontro de ambos nos proporcionam.


quinta-feira, 10 de maio de 2012

Conversamos: a que será que se destina?

Às vezes, quando me ponho a conversar contigo, sinto-me como se estivesse em uma sala vazia, talvez uma enorme imensidão branca; estou equivocado ou esta foi uma metáfora utilizada no passado?
Sinto-me levemente suspenso (no sentido escolar do termo) por forças que me impedem de ser sincero; e digo apenas o que é convenção. Em termos das conversas contemporâneas: forças que me impedem de digitar e apertar enter, sou obrigado a digitar, ler e, só então, enter.
Não há leveza. Sinto só tensão; e peso.
Talvez seja erro.
Uma imensidão de vazios, de vir-a-ser, de não-ser, de não-veio, de nada foi, de foi-pouco, de enfim.

Mas, é apenas uma sensação.
E nós nem conversamos tanto assim.

"Estou viajando incógnito" - Holden Caulfield.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Pau no que tô fazendo.

Interrompo o segundo prato de Macarrão com Calabresa [uma santidade que deve ser referida com letras maiúsculas], após observar as páginas abertas em meu navegador e pensar a frase que dá título à esta postagem.
Não é de hoje tenho sentido "vontade de vida". Sem complicações nem nada, simples. Simples até de mais, pode até ser enredo para comercial de margarina ou coisa do gênero. No início do ano tomei decisões que, como 90% das decisões que tomo vinham acompanhadas de "frases de efeito", a que foi dita do início de Janeiro até algumas semanas atrás era: "trancar o artista no corpo do acadêmico", tratando o fazer artístico e o fazer acadêmico como antíteses inconversáveis em momentos parelhos.
Em suma: ou uma coisa, ou outra. A necessidade de fazer o TerCC (que nem é tão cabuloso assim) fez-me crer que seria necessário o cárcere e coisas do gênero e foco único nas leituras, escritas, releituras, reescritas e conversas conceituais etc.
Não funciono assim, eu sei. Mudar o que deve passar neste 'eu peneira' não é tão simples assim, e eu nem quero. Tanto que, meses tentando trancar os ímpetos artísticos em nome das obrigações acadêmicas fizeram-me cair na falácia de uma tríade que conheço tão bem: estar entre o que quero fazer, o que devo fazer e o que tenho vontade de fazer.
No centro do triângulo, a improdutividade extrema, e todo tipo de falta de criatividade ou mesmo vontade.
Entre as garfadas do Santíssimo Macarrão, recordei-me de uma clássica frase que já vi escrita em banheiros de diferentes lugares: "escrevi e sai correndo, pau no cu de quem tá lendo".
E é então que afirmei a mim e torno público aqui neste meu espaço: pau no que tô fazendo; lenha em tudo: fogueiras, fogões, armadilhas e canhões, só assim terei e serei vida.
"Se toda ideia responde a uma vontade de viver, por que não viver?" Colligere - Crítica.

"Subindo".

sábado, 5 de maio de 2012

Aos batuques da Renata.

Em Dezembro de 2010 eu "cumpria" a penitência de uma recuperação universitária. Estava de férias em São Paulo, na casa de meus pais, e, entre a leitura e a resenhação do livro da disciplina necessária de ser recuperada, abri o meu orkut. Nele, havia um pedido de amizade de uma garota que eu nunca havia visto; as poucas informações que haviam disponíveis na rede social indicavam que estava encerrando o primeiro ano de filosofia na mesma universidade que eu.
Aceitei o pedido e enviei uma mensagem questionando "quem é você?". 
Ela se apresentou, era a Renata, tocava bateria e, por alguma razão, ficou sabendo que eu tinha umas músicas. Começamos a conversar sobre isso, e eu rapidamente sugeri de formarmos uma "dupla roqueira", ela topou, e indicou que tocássemos alguns covers, como de Sex Pistols e Ramones, ao que fui contra: "e se a gente tocar um som do White Stripes pra criar sincronia e depois fazermos músicas nossas?", sugeri. 
Pois foi o que fizemos. No primeiro ensaio (num fim de manhã quente em Fevereiro de 2011) tocamos Seven Nation Army e, juntos, com as baquetas da Renata, remodelamos duas ou três músicas minhas.
Tocamos juntos deste ensaio em Fevereiro até o dia 1 de Julho, quando fizemos uma apresentação na 6ª Noite Fora do Eixo em Marília. 

Mais do que tocarmos juntos, tínhamos bons momentos de "efervescência de ideias", que eram tardes em que a Renata ia no apartamento em que eu morava, eu fazia um café com leite (ou cachorro quente) e ficávamos papeando sobre 'temas bacanas de serem cantados'. Criamos músicas muito interessantes a partir destes momentos e conversas: "Babaquismo em 3 breves atos", "Carrunchos", "Coração de Máquina", "Efemeridades" [que toco hoje no Zababô Zebrinha] e "Música para vender", nesta última invertíamos os papéis, ela pegava a guitarra e eu me sentava à bateria, sem muito ritmo e/ou notas redondinhas,  criando melodias sem rumo ou mesmo "a-melodias", cantávamos que: "não é que tem que ser bom pra ouvir, tem  que ser bom pra vender; não tem que saber tocar, tem que saber vender".

Posso dizer que acompanho a Rê na OUT desde antes da banda existir, quando ela me disse que estava participando de um processo seletivo de bolsa para estudar música. 
Acho que nunca disse isso pra Renata, ou pra ninguém. Ela ter me chamado no orkut e iniciado o papo sobre tocarmos, colocou-me de volta a ideia de tocar, de criar músicas; eu já havia desistido disso. E, bem, fiquei chateado quando notei que o projeto CabouTchan (nome da dupla composta por nós) se encerraria.
Porém, opostamente a esta chateação, sorrio de orelha a orelha a cada apresentação da OUT em que vou e vejo a pequena Renata - escondidinha atrás do bumbo e dos pratos - demonstrando toda seu potencial, conhecimento e empenho para com a música.
A cada show da OUT meu sorriso afasta mais uma orelha da outra.

Um beijo Rê.





sexta-feira, 4 de maio de 2012

17h12min.

Depois de um suntuoso almoço universitário, breve descanso, um refrigerante, três copinhos de café, um coco e várias coçadas de olhos, centralizadas e/ou mediadas [não entendi direito ainda qual a ordem] pela escrita do TerCC, eis que meu cérebro travou. Parou. Não há estímulo imagético ou textual que o faça retomar o ritmo anterior à última palavra digitada naquele documento de word.
É sexta, sim, e daí? E daí pois apenas consigo pegar no tranco para esta árdua tarefa em plena sexta; à tarde.
Levanto e caminho, mais alguns goles d'água, folheio livros que podem ser importantes para as próximas etapas - considerando que ainda não consegui compreender direito o que fazer na etapa atual - volto para esta cadeira. E, é, nada.
Então, após queimar os dentes com o jato gelado do bebedouro, observei a grade e o vidro da janela, este último tocado por alguns galhos do pé de mexerica que há do lado de fora, nascendo no gramado do andar de baixo, alcança esta alta janela. Dei um passo para trás e notei que há uma mexerica de cor forte, incontestavelmente laranja, uma unica em um grande raio naquela árvore.
A minha visão desta bolota laranja, presa em um galho marrom e rodeada por folhas verdes, envolvia, ao redor dela, quadradinhos da fina grade metálica da janela, aproximando-me um pouco, um deles formava uma moldura.
Ou uma jaula, ou uma cela; depende do ponto de vista.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Algo sobre as ideias/criatividades.

Há algum tempo alguém me marcou no Feicebuque em um vídeo muito bacana sobre "o percurso das ideias", algo do gênero. É um vídeo bacana. Mas não vou o procurar agora, embora pudesse ser útil.
Posso precisar a vocês, que foi exatamente em Maio de 2009 (quando escrevi o pseudo roteiro deste pseudo vídeo clipe) que falei para mim mesmo que jamais trancaria nenhuma porta cerebral dentre as comportas da criatividade em mim existentes. Lembro-me de ter escrito nalguma folha, dalgum caderninho que sabia os caminhos para as minhas criações, e que jamais os negaria.
Era uma época criativa; aliás, nos últimos 7 anos olho para trás e não vejo nenhuma época 'acriativa' em minha vida. Nos melhores e nos piores momentos estive criando. Porcarias das mais diversas formas, tamanhos e cores.
Enfim.
Segunda feira, por volta das 17h30min, caminhando na direção da rodoviária, observei que minha sombra era alongada metros adiante de meus passos pelo por do sol. Achei bonito, filmei e comecei a 'criar' algo em cima daquela imagem.
Desta fui para outra, acessei sons, abri as janelas de outras referências, vivências, sabores.
As vivências e os sabores tem um peso exorbitante nestes caminhos das ideias e criatividades. Claro, não elas por elas mesmas, mas elas aliadas a tudo o mais que vem junto neste monte de tudo de que são cheios os dias. Construí uma ideia apenasmente criada em razão de um sabor, de uma vivência.
Olho para a ideia escrita e penso: "ah se eu não tivesse me submetido a viver isso, não teria esta ideia"; olho para o pré-produto da explosão de criatividade e penso: "ah se eu tivesse dado outro passo".
E tudo vale todas as penas.
Não posso negar criatividade, eu sou assim. Quem gosta de mim o faz justamente por isso.
E se eu não viver, se eu não criar, ninguém o fará por mim.
Simples.