domingo, 29 de abril de 2012

"Essa Cidade" - 9/9.


Vi uma maritaca,
Verde e linda.
Cantava, porém,
Desesperada.

Do alto de,
Um telhado.
Vinha seu canto,
Doce, gostoso.

E ela olhava,
Ao seu redor.
Parecia procurar,
Outras maritacas.

Cantou bastante,
Andou também.
Desesperada, desistiu,
Bateu asas e se foi.

Depois voltou,
Com outra.
Duas maritacas,
Nessa cidade?

Devem ter fugido,
De um “pet shop”.
Se cansaram,
E fugiram da gaiola.

Mas agora, livres,
Cantam desesperadas.
A fumaça deve,
As sufocar.

E o barulho,
Coitadas.
Já são três,
Sobre o telhado.

Cantam, cantam,
E me encaram.
Nos olhamos,
Desesperados.

Parecem me convidar,
Para voarmos.
Para abandonarmos,
Essa cidade.

PS: finalizo a publicação desta série, aproximadamente 5 anos após sua escrita. O valor destes grupos de versos não está na escrita ou coisa do gênero, mas sim o fato de que aquele era um período de grandes mudanças, em razão das importantes decisões que estavam por vir. Observo que momentos semelhantes (envolvendo, quiçá, mudar de cidade) estão por vir novamente. Ler (e publicar) as palavras daquele rapaz que escrevia apenas versos no caminho de ida e volta pro cursinho, fez-me ter um pouco de calma para encarar as decisões e mudanças.

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