terça-feira, 6 de março de 2012

Exemplo relevante de algo que nunca esteve escondido...

([...] talvez apenas guardado e observado vez ou outra em meio aos processos universitários/burocráticos [...]).

O professor, desenvolvendo um raciocínio sobre como a ciência ocidental prioriza 'algumas' ciências como mais importantes do que outras, falou sobre os investimentos daquela agência pública paulista que organiza e distribui fomentos à pesquisas científicas. Apontou que, desta agência, é mais fácil alcançar sucesso - verba, grana - com estudos que geram patentes e podem gerar retorno financeiro para o estado, ficando áreas científicas, de pesquisas menos "patenteáveis - a saber: a nossa - com a fatia mais magra do bolo.
Deu um exemplo muito interessante, sobre pesquisas com cerâmica. Que muitas, envolvendo a cerâmica como matéria que produz outros materiais, e novas patentes, são facilmente financiadas pela tal agência.
Já outras pesquisas, que podem envolver a cerâmica como matéria manuseada e transformada em outros materiais, com foco nas pessoas que desenvolvem técnicas, compartilham práticas culturais, são exploradas etc, não interessam à esta - e a muitas outras - agências de financiamento científico.
Em seguida deu outros exemplos, não sei ao certo sobre o que, pois apenas notei que havia os dito quando decretou o fim da aula e meus colegas começaram aquela movimentação de guarda-caderno-abre-mochila-fecha-estojo.

Quando falou da cerâmica, recordei-me dos tantos dias em que passei horas criando formas, objetos e abstrações concretas (ou concretudes abstratas) com argila, ainda quando criança; recordei-me das aulas com este tipo de barro na escola; recordei-me de quando fomos à Pinacoteca do Estado e tínhamos que escolher alguma das esculturas expostas em uma sala para inspirar-nos em um projeto com argila.
Lembrei-me também das recentes conversas que tive com minha mãe, empolgada, contando-me sobre as técnicas que aprendera e as peças que criara no curso de cerâmica que realizou no ano passado no Sesc.

Enquanto o professor seguia adiante em seu raciocínio - e, certamente, era acompanhado pelos meus colegas -, permaneci no exemplo da cerâmica, permaneci em meu caderno rascunhando um projeto de quatro peças, criadas a partir da argila, que se unem ao redor de um ponto comum, formando um vaso para uma rosa solitária.


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