quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Sacolinhas Messiânicas.

24 de Janeiro de 2012, 22h41minutos.

Entrei em uma das lojas de uma grande rede de grandes supermercados, o intuito era puro, simples e básico: comer, tinha fome e precisava comer. Enquanto caminhava pelos corredores - em busca do assassino espontâneo para aquela fome já duradoura - uma voz, advinda das caixas de som no teto do mercado bradou (em tom de 11º mandamento) uma notícia que me lembrou de mais uma fatídica estupidez de nosso estado paulista:

"Informamos aos clientes que a partir da meia noite de hoje não distribuiremos mais sacolas plásticas. Ajude o planeta, adquira já suas sacolas retornáveis".

"Enfim, chegou o fatídico dia", foi o que pensei.

Tudo o que eu diria, foi belamente escrito aqui, pelo Pedro Meinberg. Em suma: banir as sacolinhas plásticas dos mercados - observo este "banimento" abaixo - apenas aumentará outros consumos, como o de sacos de lixo, por exemplo. Temos que “peitar” as grandes corporações, são as reais poluidoras.

No mesmo dia em que a voz no supermercado anunciou o fim das sacolinhas, pela manhã comi um pastel, quando o mesmo me foi servido, junto dele vieram três saquinhos (de mais ou menos 7cm X 7cm cada) com um guardanapo dentro de cada.

Junto do pastel, tomei um refrigerante que vinha em garrafa (de plástico), e junto desta vieram dois copos (de plástico).

Mais ainda, na manhã seguinte recebi panfletos de uma agência de seguros que vieram dentro de um saquinho (de plástico); almocei em um shopping: os talheres e guardanapo vieram dentro de saquinhos (de plástico).

Ainda durante as primeiras horas de existência prática desta lei, pude observar uma cena dentre as mais bizarras: naquele supermercado elitizado (citado no bom vídeo "verde otário") uma senhora pediu um saquinho plástico para guardar produtos de limpeza. Prontamente a atendente de caixa retirou de uma gaveta algumas sacolinhas, passou o código de barras de uma delas no laser registrador e o preço cobrado por esta entrou na conta da senhora, como o amaciante e o abacaxi que comprara.

O que isto quer dizer sobre o tal "banimento" das sacolas plásticas? Que sacolinha de plástico comprada não poluí? Pode ser...

São tantas as excrecências ao redor de mais uma leia estúpida e emburrecedora do governo estadual paulista, que até me perco na escrita, sendo necessário apelar para a linguagem semi-panfletária.

Não podemos nos deixar acreditar que carregar produtos – em sua maioria, embalados por plástico – irá salvar ou ajudar o planeta. Sacolas de algodão, ou de plástico reciclado, ou meramente “retornáveis”, são apenas sacolas, e não Messias Contemporâneos!

Mais do que os saquinhos cotidianos, os danos ambientais provém, sobretudo, das ‘besteirinhas’ produzidas e consumidas sem percebermos, que acabam sendo lixos instantâneos: saquinhos para guardanapos, copos plásticos para o café/água, embalagens plásticas em lanches que serão devorados tão logo sejam pagos etc.

Abramos os armários, as geladeiras e os cestos de lixo: mesmo sem saquinhos plásticos, ainda restam poluentes? Então por que ‘pegar na alça’ (visto que sacolinha não tem pé) das sacolinhas?

Quer “ajudar o planeta”? Deixe de consumir seus recursos, ou seja: morra – e tope ser enterrado, talvez sirva como bom adubo.

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Ps: julgo válido também questionar, e até procurar os meios legais para obter uma resposta concreta sobre tal assunto: o que será feito com as sacolinhas reincidentes? Ficarão esperando serem compradas por consumidores esquecidos?

Ps1: além das sacolinhas Messiânicas/retornáveis, é proposto pelos ditadores desta lei politica e moralmente correta, como alternativa ao uso de sacolinhas plásticas, que se carregue compras de supermercados em caixas de papelão: será que tais ditadores se imaginam em um trem ou ônibus lotado carregando uma caixa com sabão em pó, arroz, feijão, frango congelado etc?

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