sábado, 28 de janeiro de 2012

Caras de sexta.

Expressões chumbadas,
Cajus chupados,
E torcidas chapas.

Teclados gastos,
Ruminados pastos,
E dedos amassados.

São pedaços ralados
dos vestígios sujos
de amontoados esquecidos
em carnes moídas.

Cansaços vagos,
Olhares baixos,
E suspiros aliviados.

Espigas murchas,
Dias de chuvas,
E cozinhas cruas.

São caras de sexta,
Cientes espelhos,
Das caras de segunda.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Sacolinhas Messiânicas.

24 de Janeiro de 2012, 22h41minutos.

Entrei em uma das lojas de uma grande rede de grandes supermercados, o intuito era puro, simples e básico: comer, tinha fome e precisava comer. Enquanto caminhava pelos corredores - em busca do assassino espontâneo para aquela fome já duradoura - uma voz, advinda das caixas de som no teto do mercado bradou (em tom de 11º mandamento) uma notícia que me lembrou de mais uma fatídica estupidez de nosso estado paulista:

"Informamos aos clientes que a partir da meia noite de hoje não distribuiremos mais sacolas plásticas. Ajude o planeta, adquira já suas sacolas retornáveis".

"Enfim, chegou o fatídico dia", foi o que pensei.

Tudo o que eu diria, foi belamente escrito aqui, pelo Pedro Meinberg. Em suma: banir as sacolinhas plásticas dos mercados - observo este "banimento" abaixo - apenas aumentará outros consumos, como o de sacos de lixo, por exemplo. Temos que “peitar” as grandes corporações, são as reais poluidoras.

No mesmo dia em que a voz no supermercado anunciou o fim das sacolinhas, pela manhã comi um pastel, quando o mesmo me foi servido, junto dele vieram três saquinhos (de mais ou menos 7cm X 7cm cada) com um guardanapo dentro de cada.

Junto do pastel, tomei um refrigerante que vinha em garrafa (de plástico), e junto desta vieram dois copos (de plástico).

Mais ainda, na manhã seguinte recebi panfletos de uma agência de seguros que vieram dentro de um saquinho (de plástico); almocei em um shopping: os talheres e guardanapo vieram dentro de saquinhos (de plástico).

Ainda durante as primeiras horas de existência prática desta lei, pude observar uma cena dentre as mais bizarras: naquele supermercado elitizado (citado no bom vídeo "verde otário") uma senhora pediu um saquinho plástico para guardar produtos de limpeza. Prontamente a atendente de caixa retirou de uma gaveta algumas sacolinhas, passou o código de barras de uma delas no laser registrador e o preço cobrado por esta entrou na conta da senhora, como o amaciante e o abacaxi que comprara.

O que isto quer dizer sobre o tal "banimento" das sacolas plásticas? Que sacolinha de plástico comprada não poluí? Pode ser...

São tantas as excrecências ao redor de mais uma leia estúpida e emburrecedora do governo estadual paulista, que até me perco na escrita, sendo necessário apelar para a linguagem semi-panfletária.

Não podemos nos deixar acreditar que carregar produtos – em sua maioria, embalados por plástico – irá salvar ou ajudar o planeta. Sacolas de algodão, ou de plástico reciclado, ou meramente “retornáveis”, são apenas sacolas, e não Messias Contemporâneos!

Mais do que os saquinhos cotidianos, os danos ambientais provém, sobretudo, das ‘besteirinhas’ produzidas e consumidas sem percebermos, que acabam sendo lixos instantâneos: saquinhos para guardanapos, copos plásticos para o café/água, embalagens plásticas em lanches que serão devorados tão logo sejam pagos etc.

Abramos os armários, as geladeiras e os cestos de lixo: mesmo sem saquinhos plásticos, ainda restam poluentes? Então por que ‘pegar na alça’ (visto que sacolinha não tem pé) das sacolinhas?

Quer “ajudar o planeta”? Deixe de consumir seus recursos, ou seja: morra – e tope ser enterrado, talvez sirva como bom adubo.

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Ps: julgo válido também questionar, e até procurar os meios legais para obter uma resposta concreta sobre tal assunto: o que será feito com as sacolinhas reincidentes? Ficarão esperando serem compradas por consumidores esquecidos?

Ps1: além das sacolinhas Messiânicas/retornáveis, é proposto pelos ditadores desta lei politica e moralmente correta, como alternativa ao uso de sacolinhas plásticas, que se carregue compras de supermercados em caixas de papelão: será que tais ditadores se imaginam em um trem ou ônibus lotado carregando uma caixa com sabão em pó, arroz, feijão, frango congelado etc?

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

TNB Zababô Zebrinha.

2011 foi-me um ano importante em diversos aspectos, dentre eles, o musical: retomei - ou 'retoquei' - a presença da música em minha vida.
Inicialmente com o Caboutchan, de Fevereiro até Julho, e, posteriormente, com o Zababô Zebrinha, de Agosto até, como diria Tony, um dos rapazes que trabalhava na portaria do colégio em que estudei, S.D.S.: Só Deus Sabe!

Julgando-me deus de meu próprio livre arbítrio, quero saber de que seja por um bom tempo, e, justamente em razão disso, nesta madrugada iniciei mais uma etapa na trajetória da banda, que dá-se com a criação de uma página no site Toque No Brasil (TNB), cujo link está abaixo:


Há ainda pouquíssimo conteúdo - apenas alguns vídeos e fotos - tal magreza sonora não é miserê meu, nem do Caio e nem da Zebrinha que Zabababôu-se, mas sim da tecnologia, uma vez que preciso resgatar alguns arquivos de meu HD externo para rechear com perícia tal página.
Dentre estes arquivos, estão as nossas músicas.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Uma aula de Marketing.

Sexta feira, no show do Camelo, vivi uma grande experiência artística, realmente bela e saborosa, que me causou arrepios, suspiros, sorrisos e projetos de lágrimas. Foi bonito, poxa!
Logo na terceira música do show apenas em "voz e violão" - 'casa pré-fabricada' - toda a trilha sonora de um período específico (e saborosíssimo) desta vida, pousaram-me à tona.
Depois foram outras tantas músicas do Camelito que entraram em minha vida sobre a forma Hermânica: "samba a dois", "dois barcos", "pois é", dentre outras.
O prazer ao ouvi-las naquela situação, fez com que fosse impossível não sentir vontade de ir ao show dos Los Hermanos. Aquele que afirmei que não iria; aquele que criei uma imagem "de protesto" e veiculei pelas internets; aquele cujos ingressos começam a ser vendidos já já.

Há alguns minutos do início da venda dos ingressos, o que era uma certeza iminente - não dar R$70,00 para algo que julgo não valer R$70,00 - balanço estritamente nesta certeza.
Pois o show do Camelo, e toda sua relação com a presença Hermanística em minha vida, teve o efeito do mais genial dos Marketings (o que não diminui o valor artístico daquela noite).

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

13/01/2012.


Algumas coisas comuns e corriqueiras me irritam, mais do que eu deveria permitir. Por exemplo, a dedicação e reverência que as pessoas fazem às ficções criadas em cima de outra grande ficção, o calendário.
Já resmunguei sobre o natal, o ano novo, o dia de finados etc. Já maldisse, em diversas oportunidades - e maldizerei tantas vezes quanto julgar necessário - o carnaval; questiono - e sei que sempre questionarei - a páscoa; e, hoje, irritou-me esse papinho que tomou as redes sociais, jornais escritos, telejornais, papos pelas ruas etc, de "sexta feira treze".
Com certeza deve haver alguma explicação astrológica, astronômica, candomblézística, católica, judaico-cristã-ocidental para algum temor à data, mas pelo teor do que vi/li/ouvi citando esse termo que soa deliciosamente bem (fale em voz alta: sexta feira treze), não encontrei nada que justificasse o medo ao dia.
As pessoas apenas reproduzem esses papos, desde crianças nos dizem "sexta feira isso", "sexta feira aquilo", e saímos reproduzindo, sem questionar, sem pensar, sem procurar entender por que eternizou-se o gato preto como sinal de azar/coisa ruim, e não o gato branco. É difícil fazer alguma correlação entre essas cores?

Penso em uma tarde em que sai de casa no horário programado, passei por breve lentidão no trajeto, é verdade; encontrei-me com amigas saudosas, desloquei-me até um auditório, vivi uma daquelas experiências musicais e artísticas fantásticas (algo próximo da descrita ontem); tive o prazer ainda de passar momentos agradáveis na companhia revitalizadora de um cachorro quente, um refrigerante e batatas fritas; e chegar em casa e poder desfrutar de todo o sabor de uma grande cerveja gelada.

Evitar gato preto, não passar embaixo de escada, simpatia anti mal olhado, sal grosso e alho.

Nenhum dia, nenhuma noite, nenhuma vida precisam disso, quando se vive um show como o da noite de hoje: Marcelo Camelo - voz e violão.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

22/05/2010.

(...)
Lembro-me que quando acabou a música, as luzes se acenderam e pessoas vestindo camisetas pretas começaram a dizer "vamô vamô, saindo, o show acabou", eu ainda mordia o meu joelho direito. Sentado numa das cadeiras da platéia, estava com as pernas em cima do assento, e as abraçava; como já disse, mordia o joelho direito, e com força.
Aquelas lágrimas já haviam corrido por dentro e por fora do rosto algumas vezes, e seguiam rolando enquanto eu mordia meu joelho. Não sei ao certo por que, mas ergui as calças até acima do joelho direito, e o mordi.
Enfim, conseguiram me convencer de que eu deveria sair, afinal, o show já havia acabado devia fazer uns dez minutos. Pra mim os espaços e os viveres do tempo daquela noite foram esquisitos.
Lutando contra o magnetismo que se criara entre eu e aquela fileira do teatro, entre eu e aquela cadeira do teatro, entre eu e o teatro todo, desencravei os dentes do joelho, tirei as pernas de cima da cadeira, arrumei a calça, recolhi a mochila e me pus a descer as escadas.
Estava fraco. Mole. Trêmulo - agora o estou também, mas é bem diferente.
A saída era pelo outro lado, precisava passar em frente ao palco, bem pertinho dele, dar aquela olhada, embaçada pois ainda haviam lagriminhas.

Olhar para o palco saindo, e me lembrar de como foi olhá-lo ao entrar: realmente, passaram-se anos na hora e cinquenta minutos que passei o encarando com olhos, ouvidos e corpo todo.

Sai, andei para lá, para cá; liguei em casa, disse para a mãe como aquilo era fantástico, e ela não entendeu - ainda bem que não falei sobre morder o joelho.
Precisava consumir algo, beber, comer, tragar etc. Precisava me recompor, ao mesmo tempo que não precisava de nada.
Pedi alguns minutos para as esplendidas companhias daquele dia/noite, e me escondi num cantinho, sentado, calado, sentindo aquela aura fantástica que me recobria (tal qual o manto santo de qualquer nossa senhora).
Entrei numa loja de posto, pois tinha sede líquida, precisava daquele maldito refrigerante e de qualquer coisa tragável.
Fila, para pegar.
Fila, para pagar.
Quase todos estavam no show. A loja respirava um semi silêncio, apesar de cheia. Cheia de filas.
E na fila para pagar um rapaz me perguntou se eu estava dentro do teatro, disse que sim, e ele me disse que viu de fora (por um telão), mas que conseguiu entrar para presenciar as duas últimas, e que tinha achado maravilhoso, perguntou o que eu achei; disse que estava chocado. Ele repetiu que havia achado fantástico só de presenciar as duas últimas, imaginava como deve ter sido presenciar tudo como eu havia feito - ou seja, queria mesmo saber a minha opinião.
Disse: "estou chocado, desde o começo me choquei, desde que entrei e vi o palco; foi muito forte pra mim, uma carga emocional pesadíssima, estou num momento complexo e confuso da vida, isso que aconteceu dentro daquele teatro agora a pouco me chocou, me afetou e eu não sei te dizer a dimensão disso. Eu estava lá, e mordi o meu joelho chorando depois que acabou".
O rapaz pagou o que comprava, eu paguei o que eu comprava, e sai da loja.
Do lado de fora - ainda no posto - me encontrei com uma transeunte responsável por parte da complexidade toda anterior (e como) a todos aqueles anos que vivi dentro daquele teatro naquela noite, e lhe contei também sobre o joelho.
Acrescentei ainda: "ele não tem o direito de fazer isso", ela me interrompeu e disse: "ele não tem o direito de fazer isso com a gente".

É forte.
E é verdade.
Conforme disse acima, agora - enquanto escrevo - ainda estou trêmulo.
Pois é forte.
Pois é verdade.


Breve sarro em um Lapa-856R.

Em São Paulo, dentro de um ônibus, uma passageira, o motorista e um passageiro conversavam sobre o estado de origem de ambos: o Maranhão. Dado momento, quando falavam sobre as dificuldades para se acostumarem com os caminhos e o tamanho de São Paulo, a mulher relata um caso:

"Quando eu cheguei do Maranhão eu caía dentro dos ônibus. Ai um dia o cobrador falou que era por que lá no Maranhão a gente anda só em jegue. Falei pra ele 'eu andava era no teu pai!'".

Todos os que estavam na parte da frente do ônibus - inclusive, eu - riram.


terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O tapete azul do Junior.

Logo nos primeiros instantes deste ano de 2012, quando eu e os familiares mais próximos aproveitamos a data para nos unirmos ao redor de comidas e risadas gostosas, uma frase dita suscitou-me uma série de estampidos (senti)mentais. Importante dizer, que dessas reuniões familiares sempre saio com duas certezas: de que saudades jamais se findarão e de que as histórias sempre se renovarão - todas elas ligadas à extremos laços de afetividade que, igualmente, se renovam e desdobram.

Num destes primeiros momentos de 2012, minha mãe esticou no chão um tapete que está bordando (diria que bordar tapetes é uma tradição familiar, como jogar buraco e fazer paçoca) para mostrar às irmãs e à mãe como está ficando. Foi então que, precisamente neste segundo - em que o tapete tocou o chão - a Biju (simpática cachorra que mora com minha avó) se aproximou e ameaçou sentar-se sobre ele. Foi repreendida para que não o fizesse, e partiu em minha direção, o que lhe rendeu alguns agrados meus.
Uma de minhas tias, após rir da situação, trouxe à tona uma lembrança: "se ela elege o tapete como dela, não tem jeito, igual o Junior com aquele azul".

Junior foi um cachorro da raça golden retriver que meus avós ganharam de alguém, oito anos antes de se mudarem daquela grandiosa e saudosa casa na região do Aeroporto de Congonhas/SP. Seu nome peculiar - uma vez que trata-se de um cachorro - deu-se em razão da minha vó ter gostado do nome que tinha o pai do Junior: Shaman. Meu vô, por outro lado, desde que recepcionara o cachorro na sua casa, sempre o chamou por outro nome: Boi, em razão da semelhança física que julgava haver entre ambos, o Junior, e um Boi.
Desde que chegou aquele saboroso lar, Junior desenvolveu gostos peculiares, como: sentar-se à frente da grade janela da sala, apenas observar, e latir em raríssimos casos; dormir, ou passar um bom tempo deitado, no terceiro degrau da escada que levava aos quartos; deitar-se ao lado do meu vô quando nos sentávamos à mesa; entre outros, dentre eles, o gosto por um tapete azul.

O tapete fora bordado por meu avô, não me recordo ao certo quando, mas era um dentre os tantos que ele fez para a casa, para presentear amigos, parentes etc - eu mesmo ganhei um quando criança. Sem dúvida, bordar tapetes foi um dos afazeres prediletos do meu avô em um trecho de sua vida. Recordo-me de algumas noites em que eu estava na sala e ele, sem conseguir dormir, descia para dedicar-se à algum tapete; a madrugada virava prosa.
Voltemos ao tapete azul.
Ora ficava na sala com a mesa de jantar, ora na outra sala, ora nalgum quarto; diria que era um "tapete coringa". Era azul com detalhes marrons, brancos e amarelos. Se não me trai a memória.
Certo dia Junior pegou este tapete e o levou para o terceiro andar da escada, se deitou nele. Algum tempo depois o levou para ao lado da poltrona de meu vô, e se deitou sobre ele. E sempre - sobretudo quando o calor era menor - mexia, dobrava e redobrava o tapete com as patas, até que ficasse confortável para se deitar sobre ele.

O Junior nos deixou há exatos três anos - um mês após deixar de ser o Boi.
Sobre o tapete, não me recordo o que aconteceu com ele. Lembro-me, com uma imperfeita exatidão, dele já rasgado e surrado, mas sempre servindo de conforto aquele tão companheiro cão.


A breve frase de minha tia, dita pouco depois dos fogos e votos de "feliz ano novo", trouxe-me à tona diversas lembranças sobre a casa em que Junior viveu sua vida, em que eu vivi parte saborosíssima da minha, e onde minha família teceu e desenvolveu laços sinceros de proximidade, carinho, acolhimento e dezenas de outros sentimentos, tão gostosos e bonitos, que podem ser recordados até a partir de um tapete.

Junior no meu eterno 'arco do triunfo'.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Os 140 de Los Hermanos.

Durante alguns dias tentei organizar um texto comentando o imbróglio com relação ao preço do ingresso para o show dos Los Hermanos em São Paulo.
Uma grande confusão - ocasionada a partir de um comentário meu, e uma resposta incompreensível por parte dos organizadores - ocorreu na página do evento. Queria registrá-la no blogue, mas não consegue.
Hoje a tarde, ainda muito pensativo nesta questão, desenvolvi a imagem abaixo, que é simples e direta, dizendo tudo que eu queria dizer com um bom texto, mas que não consegui:

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Recuperação [novamente].

[articula com: http://gabrielcoiso.blogspot.com/2010/11/disposicaorecuperacao.html ].

Pois é, 22 anos nas costas, 4 anos de faculdade depois, e agora - mais uma vez - estou aqui, vivendo um período de recuperação estudantil, acadêmica! Se o Pedro não entra em férias, eu, pelo contrário, por mais que as deseje, não consigo tê-las: os dias do ano que seriam para o descanso, se tornam período de recuperação:

Recuperar o tempo perdido.
Recuperar o estudo negado.
Recuperar as prioridades invertidas.
Recuperar o foco.
Recuperar o raciocínio.

O hábito, adquirido ainda na época escolar, de estudar apenas após os 45 do segundo tempo, parece ter se tornado uma prerrogativa para meu desejo de estudos. Fazer o que, se não aproveitar tal estopim?