sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Dois 'adeuses'.

Os dias 13 e 14 de Dezembro de 2011 foram dias pesados para mim. Extremamente cheios de peso, para ser prolixo. Quando vivia os meus 12 anos de idade comecei a me notar como "excessivamente emotivo", e jamais abri mão disso, nunca tive medo de ser "maricas", de ser "chorão" etc.


Os citados dias 13 e 14 foram um curto período – e estou lidando com o espaço de tempo entre por do sol do dia 13 e o poente do dia 14 - em que toquei o auge desta emotividade por duas razões distintas, e tratarei cada uma isoladamente.


O adeus do dia 13:


No dia 13 houve uma grande festa, eu deveria estar noutros lugares, mas ir a esta festa era mais importante. Não se trata da cisão moral que muitas vezes há entre “diversão” e “obrigação”. A festividade não era uma diversão, era muito mais uma obrigação, para comigo e tantos outros.


Era a tradicional festa de final de ano do PET de Ciências Sociais. No meu caso – e de outros 6 ou 7 colegas – festa de encerramento das atividades no Grupo, que merece ser escrito assim, com G maiúsculo.


Durante três anos fui integrante do PET, junto dos colegas (que constantemente mudavam) desenvolvi trabalhos e projetos que me foram engrandecedores. Ouso dizer o quão fundamental foi pertencer a este grupo para meu amadurecimento pessoal e acadêmico, sobretudo nos momentos em que as disciplinas da graduação me convidavam mais ao desistir do que ao prosseguir.


Foram seis viagens de médio prazo realizadas, duas idas para Araraquara, um sem número de eventos organizados, incontáveis reuniões administrativas, cartazes criados a perder de vista, e horas a fio dentro da sala do Grupo: estudando, cochilando, desenhando, planejando, dialogando etc.


Sempre busquei encarar o trabalho no e com o Grupo mantendo uma seriedade mascarada de humor ou um humor mascarado de seriedade. Dizer adeus à esfera de trabalho deste grupo, em uma festa com músicas, piadas e bom humor era-me tão obrigatório quanto toda a dedicação que sempre tive ao Grupo e que nos últimos três anos fez-me tanto sentido e, mais do que isso, fez-me tanto sabor.





O adeus do dia 14:


O adeus do dia posterior à festa, na verdade foi apenas uma efetivação de um adeus que já se mostrava eminente havia um bom tempo. Durante quase três anos – os mesmos anos da vida no PET - morei no mesmo apartamento 41 (eternizado nas páginas de um TerCC); 2 anos e meio deste período foi dividindo o teto com o Pedrinho (fato também eternizado).


Assim como me reconheço como extremamente emotivo, também crio raízes. Tenho extrema necessidade de fazer a “casa” se tornar um “lar”. E o apartamento 41 foi este lar: como sempre ocorre na vida, foram vividos momentos bons e ruins, grandes alegrias e grandes tristezas, choros de felicidades e de lamentações.


Gritos de “é campeão” e de “é, perdemos” – aliás, fato curioso é que o primeiro jogo assistido entre aquelas paredes foi Corintias x Porcada pelo Paulistão de 2009, e a última partida que prestigiei por lá foi, igualmente, um Corintias x Porcada, culminante em nosso mais recente título.


Corinthianismos à parte, criei fortes raízes naquele apartamento, pois realmente vivi naquele apartamento.


Depois que o Pedro foi embora de casa, no final de Agosto, levei pouco mais de um mês para perceber que aquele apartamento não me fazia mais morada. Uma tentativa frustrada de casa nova no meio do semestre e, no último final de semana do ano, toda a mudança se fez. 2012, e possivelmente 13, quem sabe 14, será sob outro teto, onde já estão morando as minhas coisas.


Na manhã do dia 14 não havia mais nada dentro da casa, suas paredes estavam brancas e tudo estava limpo. O adesivo colado na porta principal a quatro mãos foi retirado com uma mão e um canivete apenas.


O espaço parecia muito mais o apartamento descoberto no início de Fevereiro de 2009 do que o lar que se construiu, se viveu e respirou em qualquer um dos dias entre 27 de Fevereiro de 2009 e 14 de Dezembro de 2011.


Eu disse tchau casa, e mais um adeus, um espaço em que se viveu punhados gigantes de histórias, se tornou parte da história desta vida - entrou, definitivamente, para as fileiras do passado.




Ps: Em breve terei de dizer adeus também ao blogspot, mas isso não será nada delicado, sentimental ou emotivo.

Um comentário:

pedro meinberg disse...

com muita alegria fiz parte destes dois espaços.

=)