quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

A 'lei nova'.

Alguns meses atrás precisei pagar uma conta em plena manhã de terça feira, o local do pagamento era próximo ao maior supermercado da cidade. Como fui andando, entrei no mercado para comprar e tomar um suco, descansar um pouco e me preparar para a volta, debaixo de um sol bem forte.
Enquanto caminhava pelo setor de bebidas, indo em direção às geladeiras com sucos, me chamou a atenção o que faziam dois funcionários do supermercado: um segurava uma pequena pilha de papéis, e o outro os colava nas prateleiras. Nestes papéis, uma imagem que eu nunca havia visto antes:
Passadas algumas semanas, estando em São Paulo, passei em um supermercado apenas para comprar uma cerveja, enquanto esperava por uma amiga. A atendente de caixa viu o produto que eu comprava e pediu meu RG. Obviamente, perguntei o por que, e ela disse ser "uma lei nova". Lhe dei minha carteira de habilitação - que, mais do que meu RG, prova e comprova a maioridade - ela a olhou e passou o produto, que foi pago e saboreado por mim.
De lá pra cá (e isso foi exatamente no dia 12 de Novembro) comprei bebidas alcoólicas mais algumas vezes, e nenhum documento me foi pedido em nenhuma das vezes. Quando a imagem acima aparecia nos monitores dos caixas, eu fazia a piada - embora entenda que a piada seja a lei - de "você não quer ver meu RG?", e a resposta costumava ser um riso seguido de "não preciso".

Porém, ontem, a história foi diferente.

Entrei em um supermercado paulistano para comprar e trazer para casa três rainequens - pois minha mãe ainda não havia experimentado tal iguaria - e uma outra qualquer, gelada, para tomar em frente ao mercado. Nada de encontrar cervejas geladas. Quando questionei um funcionário, este me disse que a 'lei nova' não permite que se venda cerveja gelada em supermercados: bastou ler a lei para ver que isso não existe.

Na hora de passar no caixa, a 'lei nova' me assustou outra vez: meu RG foi pedido.

Não poderia fazer doutra forma, e dei a habilitação, com a irônica frase de que "acho que esse aqui prova que sou de maior". Porém, em vez de bater os olhos e devolver o documento a mim, a jovem atendente fixou os olhos no mesmo e começou a digitar algo no teclado do computador.
Assustado, lhe perguntei se estava registrando que eu comprava três rainequens, a apavorante resposta foi: "tenho que digitar o seu nome e número de RG para que o 'sistema' reconheça como maior de idade e libere a venda".

Ai meu bom humor e as tiradas irônicas se esgotaram.

Em 2005, quando houve o referendo sobre o artigo que proibiria a venda de armas e munições no Brasil, eu tinha 16 anos, e me apressei em tirar o título de eleitor, para que votasse a favor do "desarmamento". Assim como eu, muitos colegas com a mesma idade - em que o voto não era obrigatório - quiseram participar do referendo, muitos deles tinham uma opinião distinta da minha, isto é, votaram a favor da venda de armas.
Sabemos que a venda de produtos com gatilho que causam mortes não foi proibida, o discurso da direita de que "este artigo violava as liberdades individuais" conquistou a maioria dos eleitores. Em tese, os votos foram secretos, e o estado não soube quem votou em qual opção.
Além disso, eu, e muitos menores de idade, votamos, fizemos parte - mesmo que de forma um pouco ilusória - desta importante decisão.

Agora, por que o estado, ou o "sistema" - talvez a atendente de caixa não saiba o duplo sentido do termo que me dissera - tem que saber que estou comprando três rainequens? Mais do que isso, por que o sistema tem que me autorizar a comprar três rainequens?


Ps: outro ponto relevante, mas que foge da discussão da 'lei nova', em si, sinto que me comunicam que um menor de idade - entre 16 anos e 17 anos e 11 meses e 29 dias - tem total sapiência e discernimento para decidir se acha que armas de fogo podem ser vendidas em seu país, porém, que é um estúpido, um incapaz no que diz respeito a decidir o que deve ou não ingerir em seus momentos de lazer.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Sobre as 'Boas Festas'.

Se tornou comum, todos anos, aqui pelas linhas deste blogue escrever sobre o fim de ano, o natal e o reveion. É realmente um tempo em que penso bastante, seja para criticar os motivos das festas e as atitudes das pessoas, seja me questionando "por que estou me sentindo bem aqui?".
Este ano - como em muitos dos anteriores, e espero que na maioria dos próximos - pude experimentar uma sensação diferente com a aproximação do final de mais um Dezembro, e de mais um ano: eu estava ansioso. Desde o final de Novembro experimentava uma ansiedade para a chegada do natal, algo que não sentia acho que desde 2003, quando vivia os meus catorze anos.

Obviamente, precisei viver o natal para entender esse sentimento.

Assim como já havia entendido ano passado sobre o Reveion, este ano observo que o natal se tornou algo extremamente valioso para mim, não por jesus, papai noel, presentes e cazzo algum que possa ser motivo e/ou centralizador mundial nestes dias 24 e 25 de Dezembro, mas sim, puramente, por estar com as pessoas.
Morar o ano todo no interior, e ter decidido que São Paulo não mais me será casa, faz-me passar longos períodos distante de pessoas amadas por demais. Este ano, no final de Novembro, o cansaço me espremia e as saudades me apertavam, estar ansioso para o natal era desejar estes dois dias, em que posso descansar e matar saudades de meus familiares queridos.

É esse tipo de 'boas festas' que desejo a mim, aos mais próximos e amados.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Dois 'adeuses'.

Os dias 13 e 14 de Dezembro de 2011 foram dias pesados para mim. Extremamente cheios de peso, para ser prolixo. Quando vivia os meus 12 anos de idade comecei a me notar como "excessivamente emotivo", e jamais abri mão disso, nunca tive medo de ser "maricas", de ser "chorão" etc.


Os citados dias 13 e 14 foram um curto período – e estou lidando com o espaço de tempo entre por do sol do dia 13 e o poente do dia 14 - em que toquei o auge desta emotividade por duas razões distintas, e tratarei cada uma isoladamente.


O adeus do dia 13:


No dia 13 houve uma grande festa, eu deveria estar noutros lugares, mas ir a esta festa era mais importante. Não se trata da cisão moral que muitas vezes há entre “diversão” e “obrigação”. A festividade não era uma diversão, era muito mais uma obrigação, para comigo e tantos outros.


Era a tradicional festa de final de ano do PET de Ciências Sociais. No meu caso – e de outros 6 ou 7 colegas – festa de encerramento das atividades no Grupo, que merece ser escrito assim, com G maiúsculo.


Durante três anos fui integrante do PET, junto dos colegas (que constantemente mudavam) desenvolvi trabalhos e projetos que me foram engrandecedores. Ouso dizer o quão fundamental foi pertencer a este grupo para meu amadurecimento pessoal e acadêmico, sobretudo nos momentos em que as disciplinas da graduação me convidavam mais ao desistir do que ao prosseguir.


Foram seis viagens de médio prazo realizadas, duas idas para Araraquara, um sem número de eventos organizados, incontáveis reuniões administrativas, cartazes criados a perder de vista, e horas a fio dentro da sala do Grupo: estudando, cochilando, desenhando, planejando, dialogando etc.


Sempre busquei encarar o trabalho no e com o Grupo mantendo uma seriedade mascarada de humor ou um humor mascarado de seriedade. Dizer adeus à esfera de trabalho deste grupo, em uma festa com músicas, piadas e bom humor era-me tão obrigatório quanto toda a dedicação que sempre tive ao Grupo e que nos últimos três anos fez-me tanto sentido e, mais do que isso, fez-me tanto sabor.





O adeus do dia 14:


O adeus do dia posterior à festa, na verdade foi apenas uma efetivação de um adeus que já se mostrava eminente havia um bom tempo. Durante quase três anos – os mesmos anos da vida no PET - morei no mesmo apartamento 41 (eternizado nas páginas de um TerCC); 2 anos e meio deste período foi dividindo o teto com o Pedrinho (fato também eternizado).


Assim como me reconheço como extremamente emotivo, também crio raízes. Tenho extrema necessidade de fazer a “casa” se tornar um “lar”. E o apartamento 41 foi este lar: como sempre ocorre na vida, foram vividos momentos bons e ruins, grandes alegrias e grandes tristezas, choros de felicidades e de lamentações.


Gritos de “é campeão” e de “é, perdemos” – aliás, fato curioso é que o primeiro jogo assistido entre aquelas paredes foi Corintias x Porcada pelo Paulistão de 2009, e a última partida que prestigiei por lá foi, igualmente, um Corintias x Porcada, culminante em nosso mais recente título.


Corinthianismos à parte, criei fortes raízes naquele apartamento, pois realmente vivi naquele apartamento.


Depois que o Pedro foi embora de casa, no final de Agosto, levei pouco mais de um mês para perceber que aquele apartamento não me fazia mais morada. Uma tentativa frustrada de casa nova no meio do semestre e, no último final de semana do ano, toda a mudança se fez. 2012, e possivelmente 13, quem sabe 14, será sob outro teto, onde já estão morando as minhas coisas.


Na manhã do dia 14 não havia mais nada dentro da casa, suas paredes estavam brancas e tudo estava limpo. O adesivo colado na porta principal a quatro mãos foi retirado com uma mão e um canivete apenas.


O espaço parecia muito mais o apartamento descoberto no início de Fevereiro de 2009 do que o lar que se construiu, se viveu e respirou em qualquer um dos dias entre 27 de Fevereiro de 2009 e 14 de Dezembro de 2011.


Eu disse tchau casa, e mais um adeus, um espaço em que se viveu punhados gigantes de histórias, se tornou parte da história desta vida - entrou, definitivamente, para as fileiras do passado.




Ps: Em breve terei de dizer adeus também ao blogspot, mas isso não será nada delicado, sentimental ou emotivo.