segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Como gosto de você, 847Pê.

Ano passado escrevi O dia de hoje - 847P-42, eu poderia reescrevê-lo hoje ou ontem, com exceção à questão dos problemas que se arrastavam naquela época. Nos dias atuais, os problemas são os menores dos problemas.

Na manhã do último domingo (13/11), pós saborosidades de sábado a noite, precisei pegar o louvável 847Pê; peguei o 10, que é-me menos querido, pois o 42 não circula aos domingos. Sentado no fundo do coletivo, observando tanto o caminho, quanto a modernidade do carro que me transportava, uma lembrança retomou a beira da memória.
Trata-se de uma vivência do segundo semestre de 2006, quando eu já achava que era artista a dois anos, já existia por horas semanais no 847Pê e já desenvolvia arduamente minha veia galanteadora (mesmo vivendo um relacionamento que tentava me privar do primeiro e do último).

No trajeto do 847Pê há o Colégio Módulo, na região da Lapa, e, todos os dias, no ponto em frente a este colégio, uma linda garota entrava no ônibus. Ela se sentava todos os dias no mesmo banco, daqueles em que parece que o ônibus está andando de ré, bem de frente para mim, que, igualmente, sempre sentava no mesmo banco: o último.
Ela se sentava, olhava para mim - não cumprimentava nem nada - e mantinha os olhos fixos na janela, durante todo o caminho, como costuma ser regra de bom comportamento em São Paulo. Por vezes eu a via balbuciando músicas, movia os lábios sem emitir sons.
Era linda. E como me agradava olhar para a beleza dela, e ser ignorado! Era linda!

No último dia do ano em que eu estava naquele ônibus, pois, dali em diante, viriam as férias, tomei uma atitude símbolo da minha juventude paulistana - que cito no Ps: do texto linkado acima, e que reproduzo aqui:

E, quando eu era jovem, sempre dizia, nestas situações algo como "meu nome é gabriel coiso, me encontra na internet pra conversarmos", isso quando não escrevia isto no verso de um adesivo e entregava.
Quando eu era jovem.

Como era frequente acontecer - à exceção da Tuca de Touca - o adesivo foi recebido com um olhar de desdém, e nada de mais acontecia, até se tornar uma doce lembrança cinco anos adiante.
Foto tirada no domingo (13/11) durante o trajeto do 847Pê.

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