domingo, 23 de outubro de 2011

Quanta coisa eu já "esqueci"?

Acordei agora a pouco, se disser que já se passaram quinze minutos que sai da consciência do sono para a consciência acordada, estarei mentindo. Acordei, sentei no colchão, pensei, lembrei, aprofundei e suspirei.

Recordei-me de uma região específica da cidade - também, ontem conversei sobre ela com duas pessoas diferentes - e de alguns anos atrás, quando eu morava nela. Saía de casa pedalando, pedalava por alguns metros em minha rua até chegar em uma esquina, eu virava a esquerda e descia, não eram mais do que trezentos metros percorridos.
Estacionava a bicicleta em frente a uma grade, apertava um botão todo esfolado com o número do apartamento [qual era o número mesmo?] e esperava que abrissem o portão elétrico para mim.
Entrava no prédio e subia uma escada de dois andares carregando a bicicleta nos braços, a conduzia andando ao lado dela até uma estrutura de ferro, que tinha como função limitar o fim do estacionamento e o começo da escada. Nesta estrutura havia preso um quadro de outra bicicleta, mas apenas o quadro, todo o resto já havia sido levado: garfo, rodas, selim, pedais.
Parecia um cadáver abandonado.
Pegava a corrente e o cadeado e prendia a minha bicicleta nesta estrutura, ao lado da carcaça da outra. Temendo que a minha também fosse desfigurada, depenada, passava a corrente duas vezes, fixando o veículo de forma justa na estrutura férrea.
Eu subia a escada, com passos largos, passando dois degraus por passo [ainda faço isso, tenho pernas grandes]. Resistia certa pureza em subir aquelas escadas, em fazer esse percurso e ser recepcionado na porta de entrada, em torno de três minutos após ter saído de minha casa.

Me lembrei disso, e não pude deixar de me questionar: quantos detalhes, quantas lembranças de detalhes como esse eu já esqueci? Quantos e quais já se enfiaram tão profundamente em minha memória a ponto de não retornarem aos pensamentos, nem em despertar de domingo?
Poxa, fiquei triste.

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