terça-feira, 25 de outubro de 2011

Caro Luís...

[articula com: http://gabrielcoiso.blogspot.com/2010/11/disposicaorecuperacao.html ]

Não tenho certeza quanto ao ano, aliás - e fato raro em minhas memórias - não consigo me lembrar em qual ano deu-se este ocorrido. Tenho a impressão de que foi em Dezembro de 2005, mas não faz tanto sentido ser neste período de nosso calendário, pois, em 2005, eu já estava no chier et de la marche com as matérias escolares.
Enfim.

Nalgum período de recuperação escolar entre 2004 e 2006, combinei com a minha grande amiga Any dela me dar uma aula de física e matemática. Nos encontramos no lendário Largo da Batata e fomos para a escola em que eu estudei. Não sei qual foi a moeda de troca pela aula, realizada numa das mesas da cantina.
Noutro dia, no mesmo período de recuperação, eu almoçava quibes e esfirras do Jaber (água na boca) na mesma mesa da mesma cantina. Ao lado da bandeja de papelão com os quitutes árabes, estava um livro de exercícios de matemática, os quais eu tentava resolver entre mastigadas.
Dado momento, o Luís, que era um professor de Educação Física extremamente simpático e bacana (raramente gosto de pessoas simpáticas) passou pela cantina. Ele me saudou com um "Grande Gabriel", até que viu o que me acompanhava ao almoço, ou ao estudo, difícil definir quem era o central ali.
Disse um ríspido ah, pára!, veio até mim, se sentou num dos bancos ao redor da mesa e me deu uma bronca:

"Cara, fecha esse livro, esse caderno, solta esse lápis! É hora de você almoçar, é seu almoço velho! Não precisa ficar doido só por que tá nessa recuperação, você tem um tempão pra estudar. Guarda o livro e come, se concentra no almoço, que agora é o mais importante".

Me deu um tapinha no ombro - típico das pessoas simpáticas - e foi andando para a quadra.

Creio que, se nos últimos três meses, por algum acaso, o Luís entrasse aqui em casa nalgum dos meus períodos de refeição, me daria outra bronca, repaginada:

"Cara, fecha esse lepitoque...".

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