sábado, 29 de outubro de 2011

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Caro Luís...

[articula com: http://gabrielcoiso.blogspot.com/2010/11/disposicaorecuperacao.html ]

Não tenho certeza quanto ao ano, aliás - e fato raro em minhas memórias - não consigo me lembrar em qual ano deu-se este ocorrido. Tenho a impressão de que foi em Dezembro de 2005, mas não faz tanto sentido ser neste período de nosso calendário, pois, em 2005, eu já estava no chier et de la marche com as matérias escolares.
Enfim.

Nalgum período de recuperação escolar entre 2004 e 2006, combinei com a minha grande amiga Any dela me dar uma aula de física e matemática. Nos encontramos no lendário Largo da Batata e fomos para a escola em que eu estudei. Não sei qual foi a moeda de troca pela aula, realizada numa das mesas da cantina.
Noutro dia, no mesmo período de recuperação, eu almoçava quibes e esfirras do Jaber (água na boca) na mesma mesa da mesma cantina. Ao lado da bandeja de papelão com os quitutes árabes, estava um livro de exercícios de matemática, os quais eu tentava resolver entre mastigadas.
Dado momento, o Luís, que era um professor de Educação Física extremamente simpático e bacana (raramente gosto de pessoas simpáticas) passou pela cantina. Ele me saudou com um "Grande Gabriel", até que viu o que me acompanhava ao almoço, ou ao estudo, difícil definir quem era o central ali.
Disse um ríspido ah, pára!, veio até mim, se sentou num dos bancos ao redor da mesa e me deu uma bronca:

"Cara, fecha esse livro, esse caderno, solta esse lápis! É hora de você almoçar, é seu almoço velho! Não precisa ficar doido só por que tá nessa recuperação, você tem um tempão pra estudar. Guarda o livro e come, se concentra no almoço, que agora é o mais importante".

Me deu um tapinha no ombro - típico das pessoas simpáticas - e foi andando para a quadra.

Creio que, se nos últimos três meses, por algum acaso, o Luís entrasse aqui em casa nalgum dos meus períodos de refeição, me daria outra bronca, repaginada:

"Cara, fecha esse lepitoque...".

domingo, 23 de outubro de 2011

Quanta coisa eu já "esqueci"?

Acordei agora a pouco, se disser que já se passaram quinze minutos que sai da consciência do sono para a consciência acordada, estarei mentindo. Acordei, sentei no colchão, pensei, lembrei, aprofundei e suspirei.

Recordei-me de uma região específica da cidade - também, ontem conversei sobre ela com duas pessoas diferentes - e de alguns anos atrás, quando eu morava nela. Saía de casa pedalando, pedalava por alguns metros em minha rua até chegar em uma esquina, eu virava a esquerda e descia, não eram mais do que trezentos metros percorridos.
Estacionava a bicicleta em frente a uma grade, apertava um botão todo esfolado com o número do apartamento [qual era o número mesmo?] e esperava que abrissem o portão elétrico para mim.
Entrava no prédio e subia uma escada de dois andares carregando a bicicleta nos braços, a conduzia andando ao lado dela até uma estrutura de ferro, que tinha como função limitar o fim do estacionamento e o começo da escada. Nesta estrutura havia preso um quadro de outra bicicleta, mas apenas o quadro, todo o resto já havia sido levado: garfo, rodas, selim, pedais.
Parecia um cadáver abandonado.
Pegava a corrente e o cadeado e prendia a minha bicicleta nesta estrutura, ao lado da carcaça da outra. Temendo que a minha também fosse desfigurada, depenada, passava a corrente duas vezes, fixando o veículo de forma justa na estrutura férrea.
Eu subia a escada, com passos largos, passando dois degraus por passo [ainda faço isso, tenho pernas grandes]. Resistia certa pureza em subir aquelas escadas, em fazer esse percurso e ser recepcionado na porta de entrada, em torno de três minutos após ter saído de minha casa.

Me lembrei disso, e não pude deixar de me questionar: quantos detalhes, quantas lembranças de detalhes como esse eu já esqueci? Quantos e quais já se enfiaram tão profundamente em minha memória a ponto de não retornarem aos pensamentos, nem em despertar de domingo?
Poxa, fiquei triste.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Tudo certo? - 2.

Por ocorrência de coisas erradas - leia-se: muitas, combinadas e a longo prazo - hoje, no final da tarde, tive de caminhar até o centro da cidade.
No percurso, feito à passos largos, para que consumisse o mínimo de tempo possível, observei que não estava pulsando de raiva em razão das coisas que tem dado errado.
Então, cheguei à uma breve, complexa e sincera síntese:

"A prova de que está tudo certo, é que o que tem dado errado, não tem doído".

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Apenas uma grande ideia.

Hoje, quando voltava para casa, caminhando pelas calçadas esburacadas - por alguma razão do cérebro - me recordei de uma grande ideia que se limitou a tal, isto é: não se tornou prática; aliás, se quer foi colocada para além dos idealizadores e alguns colegas.
Em Agosto de 2010, quando voltávamos de Águas de Lindoia, eu, Arbarotti e Meinberg (diga-se de passagem: a alta cúpula do finado Grupo Organizado Pero No Mucho Vanderley Luxemburgo, a maior força revolucionária que o Campus de Marília já presenciou existir) começamos a desenvolver uma nova ação.
Tratava-se da "1ª Olím Piada de Ciências Sociais", lê-se "piada" mesmo, no sentido humorístico da coisa. Dentro daquele microonibus, que sempre nos acolheu tão bem, começamos a desenvolver quais seriam as modalidades da Olim Piada.
Voltando para casa hoje recordei-me de duas modalidades: Captura do Porco Capitalista e Arremesso de Foice e Martelo. Lembro-me de ter feito um áudio, dentro do ônibus, de nós dizendo estas modalidades, porém, infelizmente, ele se perdeu na quebra de meu mp3.
A menos que a memória dos demais envolvidos recorde-se das modalidades, está terá sido apenas uma grande ideia, que não foi pra frente, e na história ficou.

Ps: para não ser injusto com nossos esforços, devo dizer: uma semana após o retorno, colamos no saguão da faculdade uma faixa, com os dizeres: "1ª OlimPiada de Ciências Sociais". Ele permaneceu por algumas semanas lá, até que eu o retirei.

sábado, 1 de outubro de 2011

A moça da bala de coco.

Em Julho deste ano eu passava férias em São Paulo, e, certo dia, precisava pagar contas que já corriam sério risco de atrasar e se tornarem multas. Quando subia a rua da casa de meus pais, rumo ao "centro financeiro" do bairro, uma praça que conta com uns quatro ou cinco bancos, encontrei-me com uma mulher segurando uma cesta.
"Moço, quer comprar bala de coco?", ela me perguntou sorrindo.
Em sua cesta, dezenas de saquinhos recheados com bolotas em cores: verdes, amarelas, vermelhas e brancas. Cada uma era bala de coco com um sabor.
"Obrigado moça, mas não gosto de coco", um dos meus "não gostares" mais esclarecidos nesta vida: o coco sempre soou-me extremamente oleoso, e seu óleo remete a um sabor inconfundivelmente de sabonete, o que me faz não saber degustar iguarias feitas a partir do coco - exceto a água.
Mas ela insistiu, e já foi logo abrindo um dos saquinhos: "mas as minhas balas não tem o gosto do coco, experimente uma, sem compromisso"; e eu, insisti negando: "olha moça, além de não gostar de coco, estou sem dinheiro na carteira, e daqui a alguns passos ficarei com menos dinheiro ainda no banco" e lhe mostrei as três contas que levava numa das mãos.
"Tudo bem, não precisa comprar, mas experimente mesmo assim".
Envolto naquele sentimento de desconfiança, tipicamente paulistana, e do qual não consigo me livrar, aceitei a bala - mesmo com medo de que se tratasse de um boa noite Cinderela. E era realmente gostosa, não tinha aquele gosto de coco, mas eu não tinha dinheiro, nada. Ela disse que estaria caminhando e vendendo balas pelo bairro, e que talvez nos encontrássemos ainda naquela tarde, e que se eu estivesse com dinheiro, poderia comprá-las.
Agradeci a bala, e segui meu caminho.

Mais tarde, já em casa, e trajando apenas minha bermuda do Corintias, a campainha tocou, olhei por uma fresta da cortina e era ela, que rapidamente soltou um: "ah, você mora aqui?". Disse que não mais, estava apenas em férias, e perguntou se eu queria comprar balas. Já me sentindo quase perseguido, entrei em casa e perguntei à minha mãe se ela queria, ela disse que sim, e indicou que eu comprasse dois pacotes.
Os comprei, ela e meu pai comeram mais do que eu, disseram que eram muito gostosas, e o assunto "moça que vende balas de coco de casa em casa na Zona Norte de São Paulo" ficou nisso.

Até que hoje, toca o meu celular - às nove da madrugada! - e uma voz grossa me faz perguntas descabidas para o momento, dentre elas: "escuta, você ligou para a moça que vende balas de coco?". Tive certeza de que se tratava de uma intervenção em meus sonhos, mas estava errado, pois realmente, a moça da bala de coco disse que eu liguei para ela. E a desconfiança e os medos, tipicamente paulistanos, me indicaram que "ficasse esperto" com relação a isso.
Mas, me digam: o que posso fazer estando 450 quilômetros distante de São Paulo, e ainda sem gostar de coco?