quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Sobre duas perdas e a quizumba.

A palavra "perda", para nós, é usualmente utilizada quando queremos nos referir à alguém que não está mais entre nós, que morreu, que faleceu, que "passou a existir apenas no campo das memórias", como gosto de dizer.
Dizer que "passei por uma perda", soa mais leve do que dizer que "alguém muito próximo morreu", e, igualmente, é mais sincero: assume-se que a questão da morte não é uma problemática do morto, mas sim dos que permanecem vivos. Sem aquele que não mais estará em nosso cotidiano, podemos apenas dizer que sofremos uma perda, teremos uma perda em nossos dias: um amigo, uma companhia, um desafeto.

Mas não, ninguém de meu convívio social se foi recentemente, e nem estou me valendo deste espaço para lamuriações pós-morte.
Passei sim por duas perdas significativas para o meu cotidiano; significativas, dolorosas e impeditivas de paz em meu coração e meu dia-a-dia.
Recentemente estive em São Paulo acompanhando a premiação e o debate da Café Espacial, realizei registros fotográficos de ambos. Não passei as fotos que tirei para o computador, as deixei no cartão de memória.
De volta para casa, neste interior de meus prazeres, fiz um coco cheio de tons roxos da beterraba que havia comido no dia anterior, fotografei e tirei o cartão da câmera. Não mais o encontrei.
E isto é uma perda.

Tenho o hábito de sempre que estiver existindo no universo além casa, ter no bolso, na mochila ou na bolsa, um caderninho - um bom hábito, que muitos de nós compartilhamos. Lembro-me bem de quando se iniciou essa cotidianidade (visto por alguns como 'mania'), e foi em meados de 2005.
Uso os caderninhos por épocas, cada época é o espaço de tempo que durou um caderninho: algumas são mais longas e outras mais curtas, e isto não depende só do tamanho do caderninho, sobretudo, depende da densidade da época.
Minha outra perda é o caderninho que data o início de uma época, em Julho deste ano, e está, agora, indefinida de rumo.

O que apreendo destas duas perdas? Sei bem onde estão ambos, caderninho e cartão: dentro de meu apartamento. Resta conseguir localizá-los em meio a tamanha bagunça - e podemos considerar aquela quizumba, uma terceira perda nesta prosa.

Um comentário:

pedro meinberg disse...

a quizumba é perda da minha presença cotidiana neste apartamento ou então, você pode perder a quizumba arrumando o espaço, rs.

beijo.