domingo, 4 de setembro de 2011

Breve lembrança em fim de domingo.

(...)

Era uma tarde chuvosa de sexta feira, clima bonito, dos meus favoritos, mas os tempos não eram dos melhores: eu ia para São Paulo a cada quinze dias, por conta da efemeridade da vida, do amor à família e do não compreender o primeiro fator. Neste dia em especial lembro-me de ter entrado no ônibus exatamente às 14:27.

Quando subia a escada do mesmo vi uma garota vindo correndo em direção à plataforma de embarque, com uma passagem na mão. Salvo engano, era sexta feira véspera de eleições municipais. Sentei-me ao lado de outra garota, mas tão logo o ônibus partiu, e os bancos de trás permaneceram livres, para um deles fui.

E esta mudança de bancos foi o bater de asas da borboleta nesta teoria do caos (adjetivo apagado).

Chovia muito, e eu comia um salgadinho, comprado quando estava a caminho da rodoviária; lembro-me que contei quantas unidades individuais do produto masquei, mas não me recordo do número final.

A bateria de meu mp27 acabou logo no principio da viagem, e então comecei a viajar acompanhando e acompanhado de uma constante, leve e suave tosse: era a garota que chegou correndo na plataforma de embarque.

Ela estava sozinha, encolhida no banco ao lado do meu (isto é, no lado oposto do corredor), envolta numa blusa ou cobertor ou manta, não me recordo ao certo.

O ônibus realizou sua obrigatória parada, na qual desci para ir ao banheiro. Passei no setor de guloseimas e comprei um drops, dos mais fortes, o guardei no bolso da flanela, certamente.

Assim que a garota retornou da lanchonete, com uma garrafinha d'agua ou copo de refrigerante na mão (falha memória!), e se sentou em sua poltrona, as luzes do ônibus se apagaram (o que teve extrema influência na escuridão interna do mesmo, visto que caia uma chuva das mais escuras) e os televisores foram ligados.

Normalmente passa-se filmes ruins no ônibus, porém, nesta ocasião surgiram nos televisores do mesmo o letreiro de Jumanji. Exclamei um huuum empolgado, levemente alto, e ouvi uma voz suave e doce, embora empolgada, dizendo jumanji. Olhei na direção da voz e era a garota, que completou sorrindo e se apegando ao cobertor (ou manta ou blusa) que a cobria: quanto tempo que eu não assisto, e tornou a tossir.

Lhe ofereci um drops, ela aceitou sorrindo um obrigado suave, ao que respondi com um breve fará bem para a tosse. O ônibus seguiu viagem, e por vezes eu a observava: estava linda, pois é linda.

A verdade é que me encantou apenas pela tosse.

(...)

Um comentário:

pedro meinberg disse...

rs...
cadê o "curti" aqui?