terça-feira, 28 de junho de 2011

independência musical.

Nalgum momento desta vida, creio que lá para os idos de 2007 escrevi algo sobre a minha opção, tomada à época, de fazer música sozinho, e desistir de "fazer música mais coletivizada". Infelizmente não achei tal escrito, são tantos blogs, flogs, maispeices, tramasvirtuais, etc, que os escritos se perdem na rede.
O desejo da realização musical é constante em minha ida, já escrevi muito sobre tal neste blogue, mas se renova e transforma e retorna e desisti e recria... Enfim, é dinâmico, jamais estático, tal qual eu, você e todos os amiguinhos que fazemos nos envoltórios e centríolos desta célula burguesa ocidental[izada].
Pensando por este lado, nossas criações musicais jamais podem ser consideradas independentes, não no sentido comercial, mas talvez, quase, quem sabe, no sentido existencial.
Porém, há dependências e dependências, independências e independências: depender da vontade alheia, quando semelhante a própria vontade, toma ares de independência, no sentido da leveza e naturalidade que a coisa toda, o fazer musical como um todo ganham.
Agora, quando não há tal semelhança, a independência recai sobre os envolvidos creio que com tons e sobretons de peso, de obrigações severas, de exigências antidemocráticas, antisaborosas e, mais importante e doloroso, antiprazerosas.
Olhando para os anos em que bati o pé, acreditando ser estático, e me recusei a desistir de ter desistido de fazer música não coletivizada, vejo que em muitos momentos acabei por me impôr a uma independência de outrem, e uma dependência de mim mesmo, no pior sentido antiprazeroso.
Cabe entender, o que requer o momento agora.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Somos míopes!

"Ou segue um viés marxista, ou um viés liberal".

E são as únicas opções, certo?
Claro!
Pois fora disso não há nada,
E o nada é liberal,
Sendo assim,
Tudo é liberal,
Pois o nada, neste caso,
É tudo, somos todos,
É cotidiano e intrínseco,
Pois somos míopes.

quer dizer que pra ser liberal basta existir,
pois esta não é uma corrente de pensamento e ação,
apenas a forma de pensar [supostamente] marxista,
é que é uma corrente de pensamento,
o resto são ismos que existem para os iluminados rirem com suas superioridades:
relativismo, positivismo, perspectivismo, liberalismo.

E o outro lado? O viés marxista?
É resultado de um trabalho sério,
De muita dedicação de estudo,
Uma trajetória muito complexa,
Ao estilo quem é sabe.

ao marxismo,
ou,
à doutrina da salvação eterna,
é necessário muito estudo,
já o liberalismo é contagioso,
está no ar,
e mesmo que você não diga que é,
mesmo que fique calado,
é liberal,
pois ficou calado.

O viés marxista,
Toda essa trajetória,
Para poucos raros,
É de uma receita quase confidencial,
Quase tão secreta quanto,
A fórmula da Coca-Cola,
E a composição do molho,
Especial dos McDonalds.

somos míopes pois não enxergamos a verdade gritante,
de que só há uma verdade;
se isso é ser míope,
jogo meus óculos no chão e piso em cima.

sábado, 18 de junho de 2011

Obrigado Senhor!

Por ter me libertado dos demônios, dos exús, dos capetas, dos encostos que em mim faziam morada.
Por ter me feito, finalmente, aprender a chegar em casa cansado, mas, não mais, morto!
Obrigado Senhor!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Eterno Apaixonado.

Sempre tive um sério problema: contemplo de mais. No sentido de encontrar beleza, muitas vezes, onde ou no que não existe. Encontro a beleza, muitas vezes a procuro; alguns dizem que possuo uma lógica de pensar muito minha, inexplicável à quem estiver fora de minha cabeça, e pode ser isso também: procuro o que me cai em olhos e mente como belo, puramente; procuro algo que assim o caia.
Na época da juventude latente, isto é, naquele período que se encerrou junto com a escola, tendo uma pequena sobrevida naquele ano de cursinho, estas belezas, com um foco de luz muito forte brilhando e se direcionando para a beleza feminina, iluminavam muitos de meus dias. Quantas vezes não criei personagens a partir de lindos rosto, [tre]jeitos, corpos, vestimentas, passos, perfumes etc, que me passavam pelos sentidos nalgum ou nalguns instantes da vida?
***
Acabo mais um período de estágio em Ensino Médio. As últimas horas na escola foram "cumpridas" a pouco, durante a festa junina organizada por alunos do 3º colegial. Eu não achava que haveria uma adesão e participação tão grande por parte dos alunos do ensino médio na festa. Escola repleta de bandeirinhas [vamos prestar atenção nas bandeirinhas], barraquinhas, muitos alunos "à caráter".
E aquelas jovens garotas, do cotidiano de uniformes feios e casacos pesados [fez frio em todos os dias do estágio], hoje eram lindas mulheres, com vestidos coloridos, camisas xadrez, tranças e chiquinhas nos cabelos. Aliás, tenho notado: a linha que separa garotas de mulheres é cada vez mais tênue.
Hoje elas estavam lindas. E meu apreço por procurar e me focar em belezas não teve lá grandes dificuldades, elas pululavam pelos corredores em meio a sorrisos, cachorros quentes e cervejas (estranhamente vendidas dentro da escola).
Uma jovem, em especial, ganhou-me muita atenção. Durante os dias maçantes em sala de aula não fora muito atraente aos meus olhos, justiça seja feita, ela é da sala em que assisti menos aulas, creio que 2 (sendo uma de prova) em todo o estágio. Mesmo assim, notei o seu cotidiano de calça dins, tênis, moletom de cor única e cabelo preso em rabo de cavalo simples; o rosto cansado por ter acordado tão cedo e ter de estar submetida às fórmulas, assuntos e apostilas que não conferem sentido algum, não permitem criar esboços de sorrisos.
Hoje estava radiante, vestia uma bota (que usava por dentro da calça, ufa!), uma calça dins escura, uma camiseta branca coberta por uma camisa de xadrez fino em azuis e branco, nos cabelos havia feito uma trança e no rosto uma leve maquiagem e algumas pintinhas.
Estava linda, Era linda, E sorria, E ria, E caminhava, E tomava guaraná diet (não direto da lata, o colocava em um copo).
Não tem jeito, e conversando com a grande companheira de estágios, não acho que não ter jeito seja algo ruim, pelo contrário: não ter jeito é o meu jeito; sou um eterno apaixonado por contemplar a beleza alheia, sobretudo, a feminina.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

"[...] Sei que por vezes é tão escuro e tão frio,
Que desapareço sem sequer ser percebido [...]"
E o oposto faz-se, saborosa e desconfiadamente, verdadeiro no passado recente e presente atual.

domingo, 5 de junho de 2011

5 de Junho de 2009.

Hoje tirei o dia para arrumar o quarto. É bem verdade que das 11 da manhã até agora (14:12) o que consegui foi, mal-e-mal arrumar a minha mesa. Em uma pilha de papéis (notas fiscais, rabiscos, provas, trabalhos, canhotos de shows, versos etc) surgiu uma folha dobrada 4 vezes, com um parágrafo escrito à máquina de escrever, de exatos dois anos atrás.
A coincidência fez-me querer compartilhá-lo:

É sexta feira, já se passa para o sábado nas contas precisas dos ponteiros dos relógios e do sino da igreja. O dia foi nada proveitoso, praticamente. Não estudei, nada criei, pouco desejei, enfim, um dia inteiro que matei. A noite fizemos pastéis, depois vimos tv, e me acompanha, creio que há algumas horas, a sensação ruim de acreditar estar sentindo "energias estranhas" no apartamento. Por seguidas vezes dirigi-me à janela, algumas outras poucas olhei para a porta, como se esperasse por alguém. Não sei ao certo. Amanhã temos churrasco, ontem tivemos palestra e hoje não sai de casa (praticamente). No fim da tarde, antes da unica e breve saída do apartamento, comecei a sentir meus olhos lacrimejando, tomei por explicação a possível queimada em um terreno próximo. Mais a noite, após termos jantado, ouvi um barulho vindo da porta, tomei por explicação ser algum ruído da geladeira. Meu medo mais atroz é que esta energia seja o sentir do passar vago do tempo da minha vida. 05/06/09.

Deitei para dormir sentindo que morreria, por isso me levantei e bati estas palavras: mas eu não morri.