quarta-feira, 11 de maio de 2011

Falência do estado.

A submersão em horas de intenso raciocínio nos últimos dois dias, fez-me lembrar de um momento vivido por mim no último feriado de Tiradentes. Não sei, talvez um momento-imagem-símbolo da falência do estado (ou mesmo de vitória do neoliberalismo deflagrado publicamente).
Fui até o Parque São Jorge comprar ingresso para o jogo Corintias x Oeste de Itápolis. Olhando por entre os micro buracos da chapa de ferro, que me separava visivelmente da moça que me atendia, buscava ver quem me vendia o ingresso para um momento de intensidade religiosa. Por baixo da chapa de ferro, no vão de dois centímetros entre a ponta da chapa e o "balcão", passei meu registro geral e meu documento de estudante, pedi uma meia e uma inteira.
A resposta da moça foi:
-Preciso do comprovante.
-Comprovante? - questionei.
-Sim, o comprovante da faculdade.
-Comprovante de matrícula?
-Não, comprovante de pagamento - entendi!
-Não, não moça, é faculdade pública.
-Faculdade o que?
-Pública.
-Espera ai - ela se levantou e levou os documentos para alguém (creio que de algum cargo superior ao dela) - ah, entendi.
-Tudo certo? - perguntei curioso, temeroso de não conseguir meu ingresso.
-Sim. Num sabia que não tinha comprovante de pagamento.
-É que não paga.
-É, eu não sabia.
Ela me deu os ingressos, devolvei os documentos, eu lhe dei o dinheiro e agradeci, desejei bom feriado e feliz páscoa, ela agradeceu, e eu ainda disse "vai corintia!", e ela correspondeu rindo.
Peguei um ônibus para a casa da minha vó.

Um comentário:

lidia. disse...

hahaha

tadinha, nunca a contaram pra quê ela teve que aprender polinômios na escola.