segunda-feira, 30 de maio de 2011

um ano atrás...

Para os fins das linhas a seguir, entenda-se este um ano como sendo completado no período compreendido entre os dias 17 de Maio e 23 de Junho.

Um ano atrás realizei a troca da câmera quebrada por uma câmera nova, que, sem dúvidas, foi deveras importante para o desenvolvimento artístico fotográfico que ocorreu neste período;
Um ano atrás eu estava gripadamente mal, mas mesmo assim coloquei a guitarra nas costas e fui fazer um som, talvez por acreditar nisso; hoje estou mal, pesado, gripado, e esperando para sair de casa e ir fazer outro som, pois acredito nisso;
Um ano atrás eu ainda não "tomava remédio", já estava procurando alguém que me indicasse farmácos outros, distintos dos que eu tomava, mas tomar, de fato, ainda não o fazia;
Um ano atrás batia um vento gelado no meu nariz, eu subia a rua a uma da manhã sem olhar para trás, encarando os pés e passos de borracha molenga torcendo para que não derretessem;
Um ano atrás a campainha tocou;
Um ano atrás a rigidez sem sabor ditava os rumos de dias amargos (e gelados), hoje o amargo bateu, mas não se compara, é só um doce um pouco azedo;
Um ano atrás eu não pensava que aqueles dias se tornariam 'um ano atrás', os de hoje penso;

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Satisfação e cansaço.


o corpo todo coça,
pêlos se erguem,
um arrepio bruto,
pesado pela sujeira.

a cabeça dá seus giros,
por dentro e por fora,
quase nenhum controle,
sobre rodar e delirar.
por fim,
[suspiro],
puta que o pariu,
como estou cansado.

domingo, 22 de maio de 2011

Algo sobre a música.

Sim, eu gosto de música; sim, ela é central em minha vida; sim, música.
O que é música ao certo? Barulhos organizados? Ruídos bem pensados? Uma matemática que torna parelhos e harmônicos ruídos e barulhos? Não sei, gosto de música, mas não sei definir.
Gosto da música, das relações que a música me permite ter, das sensações que tenho a partir da música.
Seria música, ou músicas? Talvez músicas seja o mais correto...
Música são negócios, business? Também.
Sentimentos, explosões, efervescências? Também.
Frustrações, quedas, sangrias? Também.
Superações, desistências, risos? Também.
Palcos grandes, camarins, crachás? Também.
Casas de esquina, boteco, quarto? Também.
Formatura, Casamento, Aniversário? Também.
Revolução, Reacionarismo, Conservadorismo? Também.
É seriedade, Brincadeira, Entretenimento? Também.
De um evento grande, palco gigante, com cachês, camarins, pagamentos de burocracias, banda cover (ressalva: listando os pontos negativos, mas houve deliciosos pontos saborosos no palco), playbacks, fui para um show na gloriosa casa (meu quintal) com experimentalismos, aperto, improvisos, rua, originalidade...
Diria que foi um sábado musical, variantemente musical, o que é confuso, mas muito gostoso; um cansaço que não se escancara, pois é cansaço musical.
Música é cansaço? Também.
Música é descanso? Também.
Mas sobretudo, acho que o que me chama atenção na música desde sempre, é o fato de ser ela uma coisa humana no cerne da palavra, uma coisa carregada de extremos e de intensidades diversas, uma coisa unica, dificilmente igual, que se repita (claro, pensando a música ao vivo).
O que sempre me chamou atenção na música, para além do fato de ser, por si só, uma forma de expressão, é compreender o fazer musical como um aglomerado de expressões por quem faz música (ressalva: quando sincera, espontânea, sem biquinhos ou pulos ensaiados).
A música, simplesmente, está em tudo, e quando concentrada, muitas vezes falta-me fôlego para acompanhá-la, tal qual ocorrera ontem.
Fotos de meu sábado musical: show do Vitrola Vil na Revirada Cultural em Bauru, e do show do Os Rélpis, no Cão Pererê, em Marília.
Um grande obrigado, e um grande beijo a todos que me proporcionaram grandes momentos de diversão e (mesmo sem saber) uma descanso antes mesmo do cansaço bruto que se anuncia.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Sobre o trabalho.

Irritado, fui tomar um banho fervente. Enquanto esfregava o xampú nos cabelos do rosto (aliás, tais pelos consomem mais deste produto químico do que os cabelos da cabeça) me recordei de uma frase que aquela jovem dizia, algo como: "fulano faz tal coisa igual limpa a bunda... aliás, duvido que limpe a bunda desse jeito, o cu já teria caído de podre!". Algo assim.
À parte a expressão chucra que ela aprendera na sala de casa, entre os intervalos da novela e os comentários desenvolvidos de forma refinada durante as notícias de Fátima, Willian e José Luiz, me aprofundei na idéia, enquanto a água e seus respingos me queimavam a pele.
Pensei: imagina se algumas pessoas lessem bula de remédio como lêem alguns conteúdos coletivos? ou mesmo, se dessem atenção às indicações de uso de preservativos tal qual dão à alguns acordos para o pleno trabalho? ainda, imagina se eu dirigisse com a eficiência com que se apresentam para fazer o que se comprometeram a fazer?
Aliás, meu senso de direção prática, no volante, acredito se assemelhar a tal forma de comprometimento com o trabalho de alguns, porém, meu senso de ridículo (e talvez de alguma segurança) faz-me, simplesmente, não dirigir.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Falência do estado.

A submersão em horas de intenso raciocínio nos últimos dois dias, fez-me lembrar de um momento vivido por mim no último feriado de Tiradentes. Não sei, talvez um momento-imagem-símbolo da falência do estado (ou mesmo de vitória do neoliberalismo deflagrado publicamente).
Fui até o Parque São Jorge comprar ingresso para o jogo Corintias x Oeste de Itápolis. Olhando por entre os micro buracos da chapa de ferro, que me separava visivelmente da moça que me atendia, buscava ver quem me vendia o ingresso para um momento de intensidade religiosa. Por baixo da chapa de ferro, no vão de dois centímetros entre a ponta da chapa e o "balcão", passei meu registro geral e meu documento de estudante, pedi uma meia e uma inteira.
A resposta da moça foi:
-Preciso do comprovante.
-Comprovante? - questionei.
-Sim, o comprovante da faculdade.
-Comprovante de matrícula?
-Não, comprovante de pagamento - entendi!
-Não, não moça, é faculdade pública.
-Faculdade o que?
-Pública.
-Espera ai - ela se levantou e levou os documentos para alguém (creio que de algum cargo superior ao dela) - ah, entendi.
-Tudo certo? - perguntei curioso, temeroso de não conseguir meu ingresso.
-Sim. Num sabia que não tinha comprovante de pagamento.
-É que não paga.
-É, eu não sabia.
Ela me deu os ingressos, devolvei os documentos, eu lhe dei o dinheiro e agradeci, desejei bom feriado e feliz páscoa, ela agradeceu, e eu ainda disse "vai corintia!", e ela correspondeu rindo.
Peguei um ônibus para a casa da minha vó.