segunda-feira, 4 de abril de 2011

Primeiro de Abril


O que as dependências do lendário Cão Pererê viveram na última sexta feira, me perdoem o trocadilho inevitável, não foi nada digno de primeiro de Abril; me atrevo a considerar que o que aquelas paredes e pisos circundaram e sustentaram foi algo em torno de inacreditável e inexplicável.
Inacreditável no sentido de romper com muitas coisas; três formas distintas de se propor a fazer, diversamente, algo diferente em termos sonoros, musicais, estéticos, etecetéricos. Particularmente, retomando o texto aqui escrito na última sexta feira, um glorioso retorno ao palco, dividido com gente fazendo música. Música!
Inexplicável no sentido quase de uma rebelião que dá certo, em que todos os presos fogem, sem serem perseguidos, sem serem encontrados e reencarcerados. Uma rebelião sonora talvez; guitarra ligada em amplificador de baixo, bateria com dois bumbos para tocar baião, música interrompida para se contar um causo, e por ai vai...
Em algum feicebuque da vida encontrei talvez uma síntese para tal inexplicabilidade, o que não quer dizer que encontre explicação, longe disso.
Não sou teórico literário, mas me atrevo a dizer também que caso Bertold Brecht estivesse entre aquelas paredes, e sobre aquele piso, teria gostado do que presenciaria; certamente subiria ao palco e tocaria a corneta feita de funil de oficina mecânica.



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