sexta-feira, 1 de abril de 2011

O retorno ao palco.


Coloquei o cd mais inspirador dos últimos tempos para me acompanhar nesta escrita: Yann Tiersen - Dust Lane.

Minha relação com a música, há alguns bons anos, se configura como visceral eu diria. Hoje em dia, passados estes bons anos, que já se configuram como mais da metade de minha existência, visto que julgo o divisor de águas o período entre os anos de 2000 e 2001, quando eu já ouvia bastante Raimundos, migrando para Legião Urbana; por causa do Roque in Rio 2001 (acompanhado na televisão dos avós, que tinham multishow), começando a ouvir Iron M
aiden, começando a debulhar no Nirvana também nessa época, mas ai mais para 2001 mesmo. Quando comprei as primeiras camisetas de bandas e fui aos primeiros shows.
Enfim, hoje, com 22 a
nos, estou tendo arrepios por causa da música há 11.
No começo de 2002 me deu o siricutico de aprender a tocar violão, meus pais me compraram um violão e me matriculei nas aulas, que não duraram nem 3 meses: eu não tinha saco para aquela dinâmica de aula teórica-aula prática, aliás, continuo sem ter. E então, no ano seguinte, 2003, com a ida ao show do Silverchair (que mudou minha vida), retomei o desejo de aprender a tocar o violão, mas sem professor nem aula, fui o fazendo na raça, tanto que o que levei 7 anos para aprender o que meus coleguinhas de escola aprenderam em 6 meses nos Instituto de Guitarra e Tecnologia da vida.
Neste ano tive minha primeira banda, não durou muito pois eu não tinha saco pra tocar cover de Planet Hemp e AC/DC, aliás, continuo sem ter saco pra esse tipo de coisa. Escrevi minhas primeiras letras de músicas e realizei minhas primeiras apresentações: festivais na escola e festas de classe média alta paulistana em salões de prédios de altíssimo
padrão.
2004 comecei a ouvir Punk Roque e Hard Core: houdini, killi, dance of days, nitrominds; os excluídos, discarga, hats, cólera. Em meados de julho/agosto deste ano comecei a criar muita música, não me importava em dedicar tempo a ficar tocando covers, à exceção do Silverchair, e me preocupava em criar músicas.
Nos anos seguintes tentei criar diversas bandas com distintos amigos, e nenhuma delas passou do primeiro ensaio: incompatibilidades e faltas de vontades. Tanto que em 2007, após 3 anos de frustrações ao tentar dialogar com os outros externos, comecei a dialogar com os outros internos, e gravar as músicas que havia feito durante os últimos anos se tornou uma atividade freqüente: passava os sábados socado no quarto de minha mãe gravando e editando canções em seu computador. As colocava em uma página do tramavirtual.
No final deste ano fui convidado a tocar no cervejazul, fazer a abertura de uma noite
de regue acústico, mas não o fiz pois era na véspera da fovest. Janeiro de 2008 fui convidado novamente a tocar neste bar (deveras importante na minha trajetória como humano e artista), desta vez toquei, abrindo o show da banda Menarca, do meu amigo Vitão.
Passei na faculdade e para cá migrei, a criação musical seguia a intensidade dos últimos 4 anos, com outras crises, pessoas e cidade. No final do primeiro ano toquei algumas músicas na "mostra de música e poesia", no começo de 2009 toquei na "semana do calouro", em outra "mostra de música e poesia", na semana seguinte à esta toquei com o Pedro Roberto em Uberlândia durante um sudestepet. Estive animado durante esta época, achei que a coisa ia engrenar, mas me desanimei, sabe como é: você junta ciúmes, incompreensão e rabo entre as pernas, e as coisas adormecem em você.
Preparei 2010 para ser o ano da retomada, minha mãe me patrocinou com uma guitarra, meu pai com opiniões sobre os pedais de efeitos que eu pensava em comprar, trouxe o amplificador de minha irmã para casa, e logo na primeira semana de aula toquei na "semana do calouro" e no "bar do Raul".
O meu roll de preferências musicais mudou nos 3 anos aqui: não mais Legião, Iron, Silverchair e Raimundos, mas sim Yann Tiersen, Dinosaur Jr., Bill Callahan, Dance of Days e Nirvana (sempre Nirvana!), o que diz muito sobre as mudanças sonoras a que estava me propondo fazer e passando.
2010 passou, um banda que durou 4 ou 5 ensaios, com covers de Nirvana e bandas sub punques, e algumas músicas próprias. Shows marcantes vividos, tanto pelo refinado conteúdo sonoro, quanto pelos rolês e pessoas envolvidas a eles: Yann Tiersen em Piracicaba, Dinosaur Jr. em São Paulo, Dance of Days em Bauru, e até o Bonequinho aqui perto de casa me fizeram concentrar a mudança de rumo das minhas audições e criações.
O terceiro ano de faculdade passou e eu simplesmente deixei a coisa de lado, quando chegava em casa muito raivoso plugava a guitarra e tocava as músicas mais ruidosas e gritantes do Nirvana; não conseguia criar muita coisa por conta da podridão em que me afundei. Deixei de lado simplesmente, talvez um deixa pra próxima vida, ou mesmo deixa pra história desta vida.
Deve ser uma daquelas ironias da vida que fez a Renata me achar no orkut e estabelecer contato, logo que decretei a desistência. Cheguei de volta em fevereiro, marcamos um ensaio e já fizemos 3 músicas no primeiro encontro, sentamos para conversar, ensaiamos outras vezes, e, há pouco mais de uma semana fomos convidados pelo Blanka (do Nullius Avarus) a tocar no Cão Pererê na noite de hoje, primeiro de Abril.
Tocaremos nossas 7 músicas, não durará nem 30 minutos. Pode parecer brincadeira, ou mesmo bobeira e pequeneza, mas para mim, este retorno ao palco representa muita coisa; mas muita mesmo.
E Vai CabouTchan!!!

As fotos acima são de algumas das apresentações citadas, ocorridas entre 2008 e 2010; abaixo, como não poderia deixar de ser, uma daquelas citações nas quais me vejo e me leio:

E dizer que passei a vida inteira,
Tentando mostrar,
Que o que não dá pra colocar em palavras,
É toda a vida de um garoto e uma guitarra,
Que ainda não sabe tocar.

O melhor dançarino de São Paulo - Dance of Days/Nenê Altro.

2 comentários:

marise disse...

Bi, gostei muito do texto.
Desejo uma reestreia grandiosa! Queria muito estar aí. Pensei muito em ir hoje à tarde, mas não nos falamos a tempo.
Aproveite hoje e cuide para que ele se repita muitas muitas outras vezes.
Beijo

pedro meinberg disse...

sucesso então, rs.