sexta-feira, 18 de março de 2011

Em mais um dia.

Almocei um pastel de carne muito gostoso, muito mesmo, uma massa diferente, não sei se mais grossa, mais macia, mas, enfim, muito gostosa; tomei também um suco de maracujá igualmente muito gostoso, feito com a própria fruta; e sai da lanchonete mascando um chiclete azul que prometia (e não cumpriu) ser de hortelã. O fluxo na lanchonete me inquietou: sentado no balcão, esperando os já citados pastel e suco, ou mesmo enquanto comia, pensei como será que funciona a organização mental das moças que lá trabalham, como encadeiam mentalmente a ordem de quais sucos fazer, quais pastéis fritar, e tudo muito rápido: o sujeito entra e compra um refrigerante e um enroladinho de salsicha, e logo vem outro pedindo dois pedaços de torta de frango e outro refrigerante para viagem. Tudo extremamente rápido; como eu não estava com tanta pressa, foi-me saboroso.
Após sanar as burocracias (e garantir os iogurtes para mais um longo, porém, menos pesado do que já vivi, período de sete dias), me concentrei na busca por um tênis, sob três prioridades, nesta ordem: barato, confortável, preto; se fosse dois, mas lhe faltasse ser um, já estaria inapto ao meu consumo. Foi então que, quando retornei à primeira loja em que eu havia entrado, e que possuía o modelo que atendia às três necessidades do produto que eu buscava, me vi pensando sobre a crítica que muitos fazem ao consumo, e a repensei enquanto esperava aquela simpática mulher voltar do estoque com o modelo número 44: dizer que consumir é apenas consumir, que é vazio, etc, não seria menosprezar a dedicação daqueles trabalhadores que sobrevivem (e, sim, jamais negarei, são explorados) de vender? Desrespeitar o ato, não seria/implicaria em desrespeitar tanto o comprador (que para ter poder de compra, algum tipo de trabalho remunerado realizou) quanto o trabalhador que calcula a comissão?
Porém, mudei o rumo do pensamento, quando, ao pagar pelo meu tênis novo, a jovem senhora que estava atrás do caixa me pediu para avaliar o atendimento da loja, em um papel que permitia optar por "excelente, ótimo, bom, ruim, péssimo". Virei o papel, e era o verso da nota escrita pela simpática mulher que me atendeu, buscou meu tênis no estoque e comentou o meu boné, seu nome estava lá, e eu a avaliaria. Desrespeito é isso.
Fui perseguido por outra chuva, nos últimos tempos as águas que vem de cima tem me pegado diversas vezes, e nenhum resfriado até então.
Sentindo meus óculos ficando respingados, decidi que apenas comprarei pela internet quando a oferta for realmente muito boa ou um último caso, gosto muito do contato com os vendedores, do tete a tete, dos comentários sobre meu boné, sobre produtos, sobre o tênis que eu comprei em 2000 que tinha um símbolo do Corintias na lateral...
Por fim, em mais um dia de andanças, consumos, conversas, burocracias, chuva e pés molhados, percebi que realmente tenho discordado do verso inicial de Dorian, do Dance of Days (acho que hoje em dia nem o Nene deve concordar mais): tantos motivos pra parar, E tantos motivos pra dizer, Que não faz diferença, Estar bem. Se faz diferença estar bem, a diferença é estar pleno, positivamente; se não faz diferença, à plenitude das trevas.
Mas devo dizer, tenho me sentido bem por contemplar em paz saborosa o caminhar sob a chuva, a compra de iogurtes em promoção e o esquecimento de mandar um e-mail importante.

3 comentários:

pedro meinberg disse...

ele pode ser visto como menos um também.

Gabriel Coiso disse...

o blogspot comeu o texto antes de eu postar ¬¬

Elen Bressiano disse...

puts, eu gosto desse texto... deve ser pelo pastel rs..