sábado, 19 de março de 2011

19/03 - o retorno ao rolê.

[ou: "o retorno do capitão coiso ao seu diário de bordo para além da nave mãe"].
-Eu não gosto disso, realmente não gosto; das formas iguais para as mesmas coisas repetitivas; não gosto de quando o estilo, a postura, tem mais peso e importância do que as músicas em si, puramente; não gosto, nunca gostei, e provavelmente nunca gostarei desse hard roque.
-É tudo politicagem sabe? Aquele papo de que é tudo político, tropeça nisso eu acho: não que seja tudo político, mas, no mínimo, politicagens e partidarismos estão em tudo; tudo.
-Em uma cidade no interior do Brasil, no ano de 2011 (no dia em que a lua esteve mais próxima da terra nos últimos vinte anos) explode em meu peito, vestido em uma jaqueta dins cheia de logos de bandas boas, uma treta tosca, de vinte anos atrás: dentre alguns símbolos, o do Nirvana, e, no palco, quatro garotos magros vestindo calças coladas, arrumando os cabelos durante a música, me suscitam algumas perguntas: como podem ser tão magros? como fazem para esconder a saliência peniana nesta calça tão grudada? como pode o cara parar de tocar guitarra no meio da música para mexer nos cabelos e não se preocupar com a interferência da rádio religiosa em seu amplificador? O comentário fascista, combinando com o quep da polícia militar usado pelo citado guitarrista, é de que Kurt, Chris e Krist, vocês não bateram forte o suficiente nesta corja: eles continuam tocando covers e realizando danças que nada tem a ver com a música.
-Ao mesmo tempo em que não quero ficar, penso em ficar se a coisa der certo, mas pra coisa dar certo de verdade, não tem como ficar aqui. Começo a me entender com algum futuro.
-Uma banda tocou, com caras, bocas, expressões, dancinhas, gestos, olhares e tremolejos ensaiados, de forma repetitiva, fora do ritmo e do tempo das músicas, é quase mecânica a forma como guitarrista e baixista marcham de um lado a outro do palco que tem 1 metro quadrado; a outra banda tocou, pude ver em cada rosto um semblante suado de um sorriso gritado no meio do refrão, o baterista gargalhando enquanto tocava errou o compasso, e riu do erro. Respeito um preferir arrumar o cabelo e parar de tocar, e o outro errar por rir, mas saboreio muito mais o erro pelo sorriso do que a pausa pela estética visual, afinal, a música é sonora, e entendo que o prazer nela tem de vir do sonoro, e ponto pacífico.
-Mas, confesso, sentia saudades de chegar do rolê e bater um miojo como se fosse a mais saborosa das lasanhas maternas.

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