sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

"inclusão".



Então os professores do Ensino Médio do colégio em que estudei a alguns anos me convidaram para participar de uma oficina de grafite, que se realizou na última segunda feira (31/01). Os 3 anos do antigo colegial estão em novo espaço naquela escola que conheço tão bem (e me traz a mente tantos sabores e lembranças), pintariamos os novos muros. A oficina foi muito boa, diga-se de passagem, após alguns tempo foi muito bom ter (boas) latas de spray em mãos, um prazer que preciso (talvez) recolocar em minha vida, pois (talvez) me fará bem.

Certo momento, enquanto eu preenchia de cor o monstrengo que vocês vêm na foto a esquerda (o que está sendo pintado, não o que pinta), e uma das professoras me chamou. Fui apresentado a um garoto cujo nome não conseui guardar (o velho problema com nomes), enquanto o jovem rapaz olhava para um lado qualquer que não onde eu estava, a referida morá (como se diz 'professora' em hebraico) mexeu os lábios dizendo: "aluno de inclusão".

Não consegui compreender se minha postura com ele deveria ser diferente da com os demais, ou se a que eu dedicava aos outros presentes era de menos, ou mesmo se isto era uma forma (de alguma forma) de chamar a minha atenção.

Independentemente disso tudo, com todo respeito, ignorei o fato de ser um aluno de inclusão e o coloquei pra dentro da roda do grafite, lhe mostrei as tintas, realizei breves apontamentos teóricos e lhe dei uma lata na mão, sua resposta foi não sou bom pra pintar, você pinta e eu escolho as cores, pode ser? Não sei se aceitar isso seria uma forma de incluir o aluno, mas topei.

E me diz uma coisa manolo, que cor que eu pinto dentro do olho? Ele olhou, soltou um longo hum, e sacramentou faz de verde; não fosse um colégio religioso, eu diria que isto seria contra a minha religião, mas não questionei, ele escolheu o tom do verde e pintou (sim, ele pintou! incluso-so-so-so-so, ecoaria a vinheta da Rede Globo).

Enquanto observava as minhas tentativas de realizar um traço fino ao redor dos olhos do monstro, o garoto se aproximou e disse baixinho, de forma a excluir os demais do assunto, posso fazer uma pergunta até meio tosca? Respondi que sim, acreditando ser sobre grafite, e ele me surpreendeu: aqui nessa escola pode beijar? Não soube a resposta certa a lhe dar, balbuciei um quando eu estudei aqui nunca havia problemas, e ele riu.
Andou pra lá, andou pra cá e depois voltou, se apoiou em meu ombro e exclamou meu, tô vendo que vou fazer muitos amigos aqui nesse colégio, talvez até consiga uma namorada! Um grupo de alunos se aproximou de nós, estavam pintando o mesmo muro que eu, um pouco mais ao lado, o garoto a ser incluso neste grupo se aproximou e observou, apenas observou sem ser notado ou se fazer notado. Fixou os olhos em uma garota de cabelos loiros alisados, olhos e pele bem claros, rosto maqueado e uma pequena bolsa pendurada por sobre os ombros: ficou muito bonito o seu desenho, gostei das cores, disse o jovem à jovem; delicadamente ela jogou os cabelos para trás e lhe respondeu, legal. Ele riu, e foi chamado por um dos professores para conversar.
Pensei, se ele é aluno de inclusão, a garota (e a grande maioria dos que comigo estudaram, e formavam um padrão de ação semelhante ao dela) são os alunos da exclusão?

Nenhum comentário: