sábado, 26 de fevereiro de 2011

Uma´lma que não se inquieta.

Acordo com minha cabeça submersa num cronograma confuso, embaralhado, realizando uma dança indígena pela chuva (de idéias) a serem contempladas por meus miolos; às vezes escrevo no papel, às vezes não; às vezes dependo só de mim, às vezes não.

Me perco entre as fotos e álbuns diversos e tão tantos que circulam por ai, eles não estão no cronograma, não fazem parte da chuva e, muito menos, dependem só de mim; às vezes me trazem coisas boas, às vezes não; às vezes fecho tudo e vou tomar mais um café concentrante, às vezes não.

Se consigo retomar as idéias primordiais mentalmente cronogramadas e/ou embaralhantes, desmembro-as quase como cabotiã sem casca, quentinha e com vapores miúdos sendo exalados, indicando certa fervilhação interna; às vezes isso é bom, às vezes não; às vezes torno tudo isso pequenas peças que em algum momento se tornarão um golem, às vezes não.

Se não consigo retomar idéia alguma de primórdio nenhum de nada de cronograma, me lanço aos tais já citados álbuns, como forma de dizer se já tá vazio, que seque, espécie de tá no inferno, abraça o capeta; às vezes a coisa se inverte, às vezes não; às vezes compartilho com deus e o mundo a chuva que este nada me trouxe, às vezes não.

Fato é que deito para dormir, seja dez da noite ou quatro das madrugadas, e rolo longos períodos de tempo por entre lençóis: se o dia foi de coletar água da chuva que caiu para reutilizá-la, penso quais calçadas e pijamas lavarei com estas águas na manhã seguinte, se foi dia de secura e de transitar por entre álbuns, penso aonde estão aqueles sorrisos e o que por ventura fiz por eles, com eles, comigo, e o que poderia ter feito para que não soassem mera estiagem insone sem doce algum; às vezes sinto o sabor da satisfação, às vezes não; às vezes tenho gosto amargo de derrota, às vezes também.

Pois nunca basta, nunca está bom e jamais estará; amanhã pode sempre ser melhor e posso fazer sempre mais; e mais. (e espero algum teórico pós-moderno vir aqui dizer que preciso me reinventar; ou algum moralista, seja de esquerda ou de direita, vir me dizer que preciso de um emprego rígido).

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Influências Musicais.

Ultimamente venho repensando, talvez observando de forma mais atenta seja o correto, as minhas influências musicais mais recentes; observo que uma banda que gosto muito, que me diz muito, pode não ser uma influência para quando pego violão ou guitarra para "criar".
Abaixo, alguma das minhas grandes influências nos tempos mais recentes:
Yann Tiersen - Ashes, me permite pensar as possibilidades.
Mukeka Di Rato - Nuderval, me permite pensar as demências.
White Stripes - Blue Orchid, me permite pensar ambos acima citados.

...e deixemos o futuro ressoar as influências...

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Dois Patinhos.




O suposto ano novo começou, decidi aceitá-lo e até vibrá-lo, o próximo passo nesta retomada histórica de um algo talvez compreendido como eu mesmo seria o meu aniversário, 22 anos em 2011 (um dobro exato: 11 e 22, acho que isso nunca mais se repetirá). A ressalva mais importante a se fazer aqui é que a última vez que me dediquei a celebrar o meu aniversário, no sentido de celebrar a minha vida, pura e exclusivamente, foi em 2005, quando fiz 16 anos, de lá pra cá foram apenas comemorações ao ano que me dedicaria a isso ou aquilo, o ano que representava esta ou aquela conquista a ser alcançada, esquecida, superada, etc.
Comemorar a minha vida seria bacana, pensei eu; agitei uma festa junto dos outros aniversariantes de fevereiro, e me dediquei a ela: fiz um bolo (contando com mais duas belas mãos no auxílio técnico da coisa), comprei bexigas, fiz os famosos (e já quase tradicionais) bolinhos de miojo, enfim, me entreguei à idéia do hoje é o seu dia, que dia mais feliz.
A festa foi na véspera, dia 16. No dia 17 fiz questão de sair para jantar em algum lugar bacana, apenas eu e duas pessoas próximas (as quais fazem muito sentido nesta coisa toda acima citada de retomada de mim mesmo), fomos a um rodízio de pizzas, massas e frituras, comemos muito, poderíamos ter voltado para casa rolando. As pessoas me ligavam, e isso me trouxe momentos de emoção e felicidade; pois eu estava comemorando a coisa, de fato, e, olhando para os últimos 5 anos/aniversários, exclamei um puxa vida, incrível como isto está me fazendo sentido.
Alguns dias antes do meu aniversário, creio que com mais de uma semana de antecedência, chegou pelo correio o presente que minha mãe comprou com tanto carinho e consciência: a camisa que visto na foto, a qual me provocou tremedeira e lagriminhas na primeira vez em que vesti: por ser o que é e por ter vindo de quem veio.
O dia 17 acabou, e ontem via emi eci eni me perguntaram se eu estava sentindo o peso da idade, respondi apenas que um tanto mais a cada dia, sei que o dia no mês do calendário romano ano após ano, apenas sacramenta o crescer e envelhecer cotidianos, minutianos, segundianos, etc. Mas não tem problema, vou viver os dois patos lado a lado (como me foi muito bem lembrado sobre a idade) e só me lembrar que um deles sairá daqui a 11 meses e 15 dias.
Estou bem, só isso; cheguei no dia romano que, como diz a música novamente, representa o meu dia, me sentindo bem. Chegou até aqui sem perceber, não é mais um menino, Envydust liquida a fatura do que estou dizendo aqui.
Agora, Vai Corintias!
Ps: citadas tantas coisas comidas, e some-as ao fato de estar à base de água da torneira desde quarta feira a noite, uma bela dor de barriga me perseguiu até momentos recentes, espero que tenha de fato ido-se.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Recordando.

Ontem tomei a decisão de arrumar o quarto, no sentido extremo que este termo pode ter, talvez até como um reflexo do sentimento de arrumação/arrumadinho que pulsa por estas bandas (repousadas no sofá).
Encontrei um papel dobrado escrito a lápis com minha tradicional letra de ressaca e de dentro de ônibus. Consegui decifrar os hieróglifos coisianos, um pequeno sorriso se abriu no canto da boca, e um brilho deve ter estalado em meus olhos, separei o pedaço de papel com especial carinho, para transcrevê-lo aqui, mas eu já o postei, em 27 de Dezembro de 2009, no dia em que ocorreu o ocorrido descrito.
Aos amigos:

Fim do rolê.

Eu poderia escrever sobre uma frustrada tarde,
Sobre lindos e longos cabelos brotando,
Sobre violões celo,
Sobre esperas longas,
Sobre o que disse o menino que canta,
Sobre as tão doces e duras críticas em fim de rolê,
Sobre Ziggy e Dirty,
Sobre o sol nascendo,
Sobre there´s a light,
Sobre algum poema,
Os ônibus vazios.

Mas prefiro falar sobre a camiseta do catador de latinhas na Lapa: "Este ano não termina sem a minha vitória". E então me senti o vitorioso da derrota em dois mil e nove naquele momento.
A glória não circunda mais o meu coração, e talvez por isso eu tenha me tornado as latinhas naquele saco.
e devo dizer, que talvez exista mesmo uma luz que nunca se apaga, preciso reacender a minha. à seco.

http://gabrielcoiso.blogspot.com/2009/12/fim-do-role.html

Passados pouco mais de um ano (talvez um e dois meses, algo assim, não quero calcular a fundo) posso dizer que me sinto, no mínimo, o refrigerante dentro das latinhas, dando uma razão existêncial e comercial a estas (que não o de ser catada na rua para ser reciclada), o que, no nosso sistema, vale muito, e nos termos sentimentais aqui propostos, representa bastante para mim.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

"inclusão".



Então os professores do Ensino Médio do colégio em que estudei a alguns anos me convidaram para participar de uma oficina de grafite, que se realizou na última segunda feira (31/01). Os 3 anos do antigo colegial estão em novo espaço naquela escola que conheço tão bem (e me traz a mente tantos sabores e lembranças), pintariamos os novos muros. A oficina foi muito boa, diga-se de passagem, após alguns tempo foi muito bom ter (boas) latas de spray em mãos, um prazer que preciso (talvez) recolocar em minha vida, pois (talvez) me fará bem.

Certo momento, enquanto eu preenchia de cor o monstrengo que vocês vêm na foto a esquerda (o que está sendo pintado, não o que pinta), e uma das professoras me chamou. Fui apresentado a um garoto cujo nome não conseui guardar (o velho problema com nomes), enquanto o jovem rapaz olhava para um lado qualquer que não onde eu estava, a referida morá (como se diz 'professora' em hebraico) mexeu os lábios dizendo: "aluno de inclusão".

Não consegui compreender se minha postura com ele deveria ser diferente da com os demais, ou se a que eu dedicava aos outros presentes era de menos, ou mesmo se isto era uma forma (de alguma forma) de chamar a minha atenção.

Independentemente disso tudo, com todo respeito, ignorei o fato de ser um aluno de inclusão e o coloquei pra dentro da roda do grafite, lhe mostrei as tintas, realizei breves apontamentos teóricos e lhe dei uma lata na mão, sua resposta foi não sou bom pra pintar, você pinta e eu escolho as cores, pode ser? Não sei se aceitar isso seria uma forma de incluir o aluno, mas topei.

E me diz uma coisa manolo, que cor que eu pinto dentro do olho? Ele olhou, soltou um longo hum, e sacramentou faz de verde; não fosse um colégio religioso, eu diria que isto seria contra a minha religião, mas não questionei, ele escolheu o tom do verde e pintou (sim, ele pintou! incluso-so-so-so-so, ecoaria a vinheta da Rede Globo).

Enquanto observava as minhas tentativas de realizar um traço fino ao redor dos olhos do monstro, o garoto se aproximou e disse baixinho, de forma a excluir os demais do assunto, posso fazer uma pergunta até meio tosca? Respondi que sim, acreditando ser sobre grafite, e ele me surpreendeu: aqui nessa escola pode beijar? Não soube a resposta certa a lhe dar, balbuciei um quando eu estudei aqui nunca havia problemas, e ele riu.
Andou pra lá, andou pra cá e depois voltou, se apoiou em meu ombro e exclamou meu, tô vendo que vou fazer muitos amigos aqui nesse colégio, talvez até consiga uma namorada! Um grupo de alunos se aproximou de nós, estavam pintando o mesmo muro que eu, um pouco mais ao lado, o garoto a ser incluso neste grupo se aproximou e observou, apenas observou sem ser notado ou se fazer notado. Fixou os olhos em uma garota de cabelos loiros alisados, olhos e pele bem claros, rosto maqueado e uma pequena bolsa pendurada por sobre os ombros: ficou muito bonito o seu desenho, gostei das cores, disse o jovem à jovem; delicadamente ela jogou os cabelos para trás e lhe respondeu, legal. Ele riu, e foi chamado por um dos professores para conversar.
Pensei, se ele é aluno de inclusão, a garota (e a grande maioria dos que comigo estudaram, e formavam um padrão de ação semelhante ao dela) são os alunos da exclusão?

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

pois é.

http://gabrielcoiso.blogspot.com/2011/01/liberta-as-dores.html

Minha mãe me ligou, o relógio da televisão ainda marcava 30 minutos, ela já estava pronta para ouvir minha voz lamuriosa cheia de tristeza embebida e mesclada em lágrimas.

Esse conjunto de coisas jogadas em campo com a minha camisa, não merece as minhas lágrimas;

Um jogador que deveria resolver, que não corre, tira o pé da dividida, olha pro lado pra não correr, prefere reclamar com juiz, do que correr, não merece as minhas lágrimas;

Um sulamericano (como se brasileiro não o fosse) que contratado para essa bosta desse campeonato, entra, e seu primeiro lance é ser expulso, não merece as minhas lágrimas;

Jogadores profissionais, pagos para jogar futebol, que não o fazem, que não honram a minha camisa, que não criam, nem transpassam, nem nada da nossa identidade, não merecem lágrimas.

Podem vir as piadas, eu não ligo, e pra evitar chateações, até posso as reproduzir, são sempre as mesmas né? É sempre a mesma história.

O jogo ainda nem acabou, 41 minutos.

Mas pela primeira vez na vida, jogo a toalha, e me apego a razão, sem nenhuma emoção lacrimosa, para dizer: acabou, mesmo que ainda não tenha sido apitado.

Ps: confio nos companheiros que estão em São Paulo para quebrarem o que tiver que quebrar e protestar por mim.