quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

A 'lei nova'.

Alguns meses atrás precisei pagar uma conta em plena manhã de terça feira, o local do pagamento era próximo ao maior supermercado da cidade. Como fui andando, entrei no mercado para comprar e tomar um suco, descansar um pouco e me preparar para a volta, debaixo de um sol bem forte.
Enquanto caminhava pelo setor de bebidas, indo em direção às geladeiras com sucos, me chamou a atenção o que faziam dois funcionários do supermercado: um segurava uma pequena pilha de papéis, e o outro os colava nas prateleiras. Nestes papéis, uma imagem que eu nunca havia visto antes:
Passadas algumas semanas, estando em São Paulo, passei em um supermercado apenas para comprar uma cerveja, enquanto esperava por uma amiga. A atendente de caixa viu o produto que eu comprava e pediu meu RG. Obviamente, perguntei o por que, e ela disse ser "uma lei nova". Lhe dei minha carteira de habilitação - que, mais do que meu RG, prova e comprova a maioridade - ela a olhou e passou o produto, que foi pago e saboreado por mim.
De lá pra cá (e isso foi exatamente no dia 12 de Novembro) comprei bebidas alcoólicas mais algumas vezes, e nenhum documento me foi pedido em nenhuma das vezes. Quando a imagem acima aparecia nos monitores dos caixas, eu fazia a piada - embora entenda que a piada seja a lei - de "você não quer ver meu RG?", e a resposta costumava ser um riso seguido de "não preciso".

Porém, ontem, a história foi diferente.

Entrei em um supermercado paulistano para comprar e trazer para casa três rainequens - pois minha mãe ainda não havia experimentado tal iguaria - e uma outra qualquer, gelada, para tomar em frente ao mercado. Nada de encontrar cervejas geladas. Quando questionei um funcionário, este me disse que a 'lei nova' não permite que se venda cerveja gelada em supermercados: bastou ler a lei para ver que isso não existe.

Na hora de passar no caixa, a 'lei nova' me assustou outra vez: meu RG foi pedido.

Não poderia fazer doutra forma, e dei a habilitação, com a irônica frase de que "acho que esse aqui prova que sou de maior". Porém, em vez de bater os olhos e devolver o documento a mim, a jovem atendente fixou os olhos no mesmo e começou a digitar algo no teclado do computador.
Assustado, lhe perguntei se estava registrando que eu comprava três rainequens, a apavorante resposta foi: "tenho que digitar o seu nome e número de RG para que o 'sistema' reconheça como maior de idade e libere a venda".

Ai meu bom humor e as tiradas irônicas se esgotaram.

Em 2005, quando houve o referendo sobre o artigo que proibiria a venda de armas e munições no Brasil, eu tinha 16 anos, e me apressei em tirar o título de eleitor, para que votasse a favor do "desarmamento". Assim como eu, muitos colegas com a mesma idade - em que o voto não era obrigatório - quiseram participar do referendo, muitos deles tinham uma opinião distinta da minha, isto é, votaram a favor da venda de armas.
Sabemos que a venda de produtos com gatilho que causam mortes não foi proibida, o discurso da direita de que "este artigo violava as liberdades individuais" conquistou a maioria dos eleitores. Em tese, os votos foram secretos, e o estado não soube quem votou em qual opção.
Além disso, eu, e muitos menores de idade, votamos, fizemos parte - mesmo que de forma um pouco ilusória - desta importante decisão.

Agora, por que o estado, ou o "sistema" - talvez a atendente de caixa não saiba o duplo sentido do termo que me dissera - tem que saber que estou comprando três rainequens? Mais do que isso, por que o sistema tem que me autorizar a comprar três rainequens?


Ps: outro ponto relevante, mas que foge da discussão da 'lei nova', em si, sinto que me comunicam que um menor de idade - entre 16 anos e 17 anos e 11 meses e 29 dias - tem total sapiência e discernimento para decidir se acha que armas de fogo podem ser vendidas em seu país, porém, que é um estúpido, um incapaz no que diz respeito a decidir o que deve ou não ingerir em seus momentos de lazer.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Sobre as 'Boas Festas'.

Se tornou comum, todos anos, aqui pelas linhas deste blogue escrever sobre o fim de ano, o natal e o reveion. É realmente um tempo em que penso bastante, seja para criticar os motivos das festas e as atitudes das pessoas, seja me questionando "por que estou me sentindo bem aqui?".
Este ano - como em muitos dos anteriores, e espero que na maioria dos próximos - pude experimentar uma sensação diferente com a aproximação do final de mais um Dezembro, e de mais um ano: eu estava ansioso. Desde o final de Novembro experimentava uma ansiedade para a chegada do natal, algo que não sentia acho que desde 2003, quando vivia os meus catorze anos.

Obviamente, precisei viver o natal para entender esse sentimento.

Assim como já havia entendido ano passado sobre o Reveion, este ano observo que o natal se tornou algo extremamente valioso para mim, não por jesus, papai noel, presentes e cazzo algum que possa ser motivo e/ou centralizador mundial nestes dias 24 e 25 de Dezembro, mas sim, puramente, por estar com as pessoas.
Morar o ano todo no interior, e ter decidido que São Paulo não mais me será casa, faz-me passar longos períodos distante de pessoas amadas por demais. Este ano, no final de Novembro, o cansaço me espremia e as saudades me apertavam, estar ansioso para o natal era desejar estes dois dias, em que posso descansar e matar saudades de meus familiares queridos.

É esse tipo de 'boas festas' que desejo a mim, aos mais próximos e amados.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Dois 'adeuses'.

Os dias 13 e 14 de Dezembro de 2011 foram dias pesados para mim. Extremamente cheios de peso, para ser prolixo. Quando vivia os meus 12 anos de idade comecei a me notar como "excessivamente emotivo", e jamais abri mão disso, nunca tive medo de ser "maricas", de ser "chorão" etc.


Os citados dias 13 e 14 foram um curto período – e estou lidando com o espaço de tempo entre por do sol do dia 13 e o poente do dia 14 - em que toquei o auge desta emotividade por duas razões distintas, e tratarei cada uma isoladamente.


O adeus do dia 13:


No dia 13 houve uma grande festa, eu deveria estar noutros lugares, mas ir a esta festa era mais importante. Não se trata da cisão moral que muitas vezes há entre “diversão” e “obrigação”. A festividade não era uma diversão, era muito mais uma obrigação, para comigo e tantos outros.


Era a tradicional festa de final de ano do PET de Ciências Sociais. No meu caso – e de outros 6 ou 7 colegas – festa de encerramento das atividades no Grupo, que merece ser escrito assim, com G maiúsculo.


Durante três anos fui integrante do PET, junto dos colegas (que constantemente mudavam) desenvolvi trabalhos e projetos que me foram engrandecedores. Ouso dizer o quão fundamental foi pertencer a este grupo para meu amadurecimento pessoal e acadêmico, sobretudo nos momentos em que as disciplinas da graduação me convidavam mais ao desistir do que ao prosseguir.


Foram seis viagens de médio prazo realizadas, duas idas para Araraquara, um sem número de eventos organizados, incontáveis reuniões administrativas, cartazes criados a perder de vista, e horas a fio dentro da sala do Grupo: estudando, cochilando, desenhando, planejando, dialogando etc.


Sempre busquei encarar o trabalho no e com o Grupo mantendo uma seriedade mascarada de humor ou um humor mascarado de seriedade. Dizer adeus à esfera de trabalho deste grupo, em uma festa com músicas, piadas e bom humor era-me tão obrigatório quanto toda a dedicação que sempre tive ao Grupo e que nos últimos três anos fez-me tanto sentido e, mais do que isso, fez-me tanto sabor.





O adeus do dia 14:


O adeus do dia posterior à festa, na verdade foi apenas uma efetivação de um adeus que já se mostrava eminente havia um bom tempo. Durante quase três anos – os mesmos anos da vida no PET - morei no mesmo apartamento 41 (eternizado nas páginas de um TerCC); 2 anos e meio deste período foi dividindo o teto com o Pedrinho (fato também eternizado).


Assim como me reconheço como extremamente emotivo, também crio raízes. Tenho extrema necessidade de fazer a “casa” se tornar um “lar”. E o apartamento 41 foi este lar: como sempre ocorre na vida, foram vividos momentos bons e ruins, grandes alegrias e grandes tristezas, choros de felicidades e de lamentações.


Gritos de “é campeão” e de “é, perdemos” – aliás, fato curioso é que o primeiro jogo assistido entre aquelas paredes foi Corintias x Porcada pelo Paulistão de 2009, e a última partida que prestigiei por lá foi, igualmente, um Corintias x Porcada, culminante em nosso mais recente título.


Corinthianismos à parte, criei fortes raízes naquele apartamento, pois realmente vivi naquele apartamento.


Depois que o Pedro foi embora de casa, no final de Agosto, levei pouco mais de um mês para perceber que aquele apartamento não me fazia mais morada. Uma tentativa frustrada de casa nova no meio do semestre e, no último final de semana do ano, toda a mudança se fez. 2012, e possivelmente 13, quem sabe 14, será sob outro teto, onde já estão morando as minhas coisas.


Na manhã do dia 14 não havia mais nada dentro da casa, suas paredes estavam brancas e tudo estava limpo. O adesivo colado na porta principal a quatro mãos foi retirado com uma mão e um canivete apenas.


O espaço parecia muito mais o apartamento descoberto no início de Fevereiro de 2009 do que o lar que se construiu, se viveu e respirou em qualquer um dos dias entre 27 de Fevereiro de 2009 e 14 de Dezembro de 2011.


Eu disse tchau casa, e mais um adeus, um espaço em que se viveu punhados gigantes de histórias, se tornou parte da história desta vida - entrou, definitivamente, para as fileiras do passado.




Ps: Em breve terei de dizer adeus também ao blogspot, mas isso não será nada delicado, sentimental ou emotivo.

sábado, 26 de novembro de 2011

Sobre quando me tornei um chato com uma câmera.

O pessoal que encerrou o colegial comigo na "escola para a vida, um caminho para o futuro" (como foi um dia o lema do colégio) está organizando um churrasco de reencontro, pois já faz cinco anos que nos formamos; e confesso, pessoalmente, que parece que passei por um plano quinquenal: "cinquenta anos em cinco".
Estou interessado em ir neste encontro, mas, ao que tudo indica, a data não será condizente com minha presença.
Após criarem o grupo da turma no feicebuque várias pessoas (ex-colegas e outros nem tanto) passaram a me adicionar. Alguns aceitei, outros não, o que não vem ao caso aqui.

Vez ou outra o maldito sistema de atualizações do feicebuque indica que fulano comentou no grupo, sendo que, muitos fulanos eu se quer me lembrava que existiam. Surpreso, vou lá e fuço nos álbuns destas pessoas, para ver "o que fazem da vida", "o que estão se tornando".
Pois hoje, fuçando no álbum de uma bela mulher (que, na época da "escola para a vida", era uma bela garota) vi fotos dos últimos dias de aula, quando ocorreram uma série de quizumbas autorizadas pelos diretores, como guerra de água e daquelas espumas em spray.

Não estou em nenhuma foto.

Não por ter medo de água, ou de espuma. Mas sim por que, naquela época eu já tinha a minha câmera digital, e recordo-me que, entre participar de um fuzuê (do qual eu não me sentia fazer parte) e registrar o fuzuê, eu preferia muito mais registrá-lo.
E assim tem sido.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Apenas uma grande ideia - II.


Articula integralmente com: http://gabrielcoiso.blogspot.com/2011/10/apenas-uma-grande-ideia.html

Recentemente me lamentei aqui no blogue por conta de ideias perdidas sobre a 1ª Olim.Piada de Ciências Sociais, que nós, do Grupo Político Organizado Pero No Mucho Vanderley Luxemburgo idealizamos em 2010.
Agora a pouco, por um grande acaso, encontrei todas as modalidades descritas em um arquivo de Word, e, que refinamento! Havíamos criado até uma instituição desportiva para promoção do evento a Associação Atlética Acadêmica Alternativa "Girafa Sumida".

Segue abaixo as modalidades e o respectivo logo da instituição.

Primeira Olim.Piada de

Ciências Sociais da FFC – Marília.

A Associação Atlética Acadêmica Alternativa ‘Girafa Sumida’, ligada ao Grupo Político Organizado Pero No Mucho Vanderlei Luxemburgo, convida a todos e todas, aqueles e aquelas freqüentadores deste campus, independentemente de curso, ocupação, cargo e etc, a se inscreverem para a Primeira Olimpiada de Ciências Sociais.

As categorias são as seguintes:

-Arremessos: de Martelo, de Foice e de Cocktail.

-Captura: do Porco Capitalista.

-Corrida Com Obstáculos: 50 metros com Catraca.

-Corrida Sem Obstáculos: 100 metros rasos perseguindo Diretores.

-Caça: ao Pelego.

-Atravessamento: de Piquete.

-Invasão de Reitoria: Modalidades: por Janelas e por Portas.

domingo, 20 de novembro de 2011

Ecologismos, Individualidades e Futuro.

Ou: Desabafo à lá Alborghetti para um discurso que não me desce.

Desde que começou essa mania quase eufórica de "protecionismo ambiental", mantive-me sempre muito calado e duvidoso frente às "alternativas ambientais" que são indicadas para as "ações individuais". Os discursos de que "depende de você", "se você fizer sua parte, o planeta agradece" etc, nunca me ganharam.
Individualmente, acho isso tudo um saco. Plástico.
Realmente não acredito que as ações individuais podem levar à algo além do que uma "pureza de espírito" pessoal; sim, o sujeito separa o lixo, e, pronto, já fiz a minha parte!

Segunda feira, assistindo a transmissão do "dia grunge" no SWU, em um intervalo de bandas, a apresentadora chata do canal de TV à Gato foi obrigada a falar sobre questões ambientais, parece que o lema do festival é "sustentabilidade" - só se for dos organizadores e patrocinadores - aliás, que pouca vergonha a Rainequem, famosa por suas garrafinhas verdes não retornáveis, se dizer "amiga do meio ambiente".
A jovem apresentadora, que usava "alternativo" como adjetivo para tudo que dizia respeito ao Sonic Youth, mostrou uma garrafa d'água - produzida por um dos patrocinadores do festival - que era extremamente ecológica: criada com um plástico menos rígido, após consumir a água bastava amassá-la que ela estava pronta para a reciclagem!
E ainda completou: "você se refresca, se hidrata e ajuda o planeta!".

Neste instante, na sala da casa em que cresci, acompanhado de meu pai, eu me tornei o Alborghetti:
porra! vem me falar que dobrar garrafinha é ajudar o planeta? caralho que merda, isso não é droga nenhuma! não muda porcaria nenhuma! tomar no cu fazer um festival no meio de um sítio, emitir gases com aviões, caminhões, carros etc, e vem falar que amassar a garrafinha é atitude pra salvar o planeta? Quer salvar o planeta? Pára de produzir plástico! Pára de produzir tudo! Pára de consumir matéria prima porra! VÁ À MERDA! VÁ À MERDA!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Entre um Headset e um Headphone, um ridículo.

Eu: Olá jovem, você saberia me dizer se este fone de ouvidos serve no meu mp3?
Atendente: Deixe-me ver (vendo) sim, serve.
Eu: Certo, o levarei.
Atendente: Mas, espera um pouco. Na verdade não é um fone de ouvido, é um Headset.
Eu: Certo, e qual a diferença?
Atendente: Bom, é que o headset tem esse microfone junto.
Eu: E qual o problema?
Atendente: Bom, tem um microfone junto.
Eu: Ele fica desconfortável? Qual o problema?
Atendente: É só que não fica muito bonito, inda mais se você for usar na rua.
Eu: Não tem problema. Eu não tenho medo de parecer ridículo.

O atendente, me olhou de baixo pra cima, e de cima para baixo, riu e encerrou o assunto sorrindo: Tudo bem, então pode levar!
Mas sei que, na verdade, ele queria ter dito: Notei que você não tem medo de parecer ridículo.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Como gosto de você, 847Pê.

Ano passado escrevi O dia de hoje - 847P-42, eu poderia reescrevê-lo hoje ou ontem, com exceção à questão dos problemas que se arrastavam naquela época. Nos dias atuais, os problemas são os menores dos problemas.

Na manhã do último domingo (13/11), pós saborosidades de sábado a noite, precisei pegar o louvável 847Pê; peguei o 10, que é-me menos querido, pois o 42 não circula aos domingos. Sentado no fundo do coletivo, observando tanto o caminho, quanto a modernidade do carro que me transportava, uma lembrança retomou a beira da memória.
Trata-se de uma vivência do segundo semestre de 2006, quando eu já achava que era artista a dois anos, já existia por horas semanais no 847Pê e já desenvolvia arduamente minha veia galanteadora (mesmo vivendo um relacionamento que tentava me privar do primeiro e do último).

No trajeto do 847Pê há o Colégio Módulo, na região da Lapa, e, todos os dias, no ponto em frente a este colégio, uma linda garota entrava no ônibus. Ela se sentava todos os dias no mesmo banco, daqueles em que parece que o ônibus está andando de ré, bem de frente para mim, que, igualmente, sempre sentava no mesmo banco: o último.
Ela se sentava, olhava para mim - não cumprimentava nem nada - e mantinha os olhos fixos na janela, durante todo o caminho, como costuma ser regra de bom comportamento em São Paulo. Por vezes eu a via balbuciando músicas, movia os lábios sem emitir sons.
Era linda. E como me agradava olhar para a beleza dela, e ser ignorado! Era linda!

No último dia do ano em que eu estava naquele ônibus, pois, dali em diante, viriam as férias, tomei uma atitude símbolo da minha juventude paulistana - que cito no Ps: do texto linkado acima, e que reproduzo aqui:

E, quando eu era jovem, sempre dizia, nestas situações algo como "meu nome é gabriel coiso, me encontra na internet pra conversarmos", isso quando não escrevia isto no verso de um adesivo e entregava.
Quando eu era jovem.

Como era frequente acontecer - à exceção da Tuca de Touca - o adesivo foi recebido com um olhar de desdém, e nada de mais acontecia, até se tornar uma doce lembrança cinco anos adiante.
Foto tirada no domingo (13/11) durante o trajeto do 847Pê.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Diálogo de suave despedida.

-Olha, você é um cara muito simpático, mas espero, honestamente, que eu não precise te ver nunca mais na minha vida.

-[risos] Te entendo.

-[penso: será que entende mesmo?].

-Mas qualquer coisa, me ligue. Meu celular nunca muda.

-Certo.

-Boa sorte. Bons rumos.

-Igualmente. Vai Corintias!

-[risos].

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Em Nome

De todas as angustias,
Que habitam este peito.

De toda a criatividade,
Que requer estas mãos.

De toda a sujeira,
Neste corpo sem banho.

De todas as fotos,
Não clicadas por estas retinas.

De todos os raciocínios,
Que superlotam esta catxola.

De todas as palavras,
Dedo a dedo neste blogue.

De toda ansiedade,
Transpirada poralmente.

De todos os desejos,
Que circulam este sangue.

De todas as músicas,
Que refrescam estes tímpanos.

De cada passo,
Em vão por este compasso.

Não posso simplesmente,
Me deitar e dormir.

ainda há tanto por criar.


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Dia de Feirados.

Sai de casa pela manhã para ir até a faculdade, em pleno feriado do dia dos mortos. No meio de meu caminho, estava ele, o point do dia de hoje: o Cemitério.
Na ida fui surpreendido com uma senhora e um senhor vendendo melancias e abacaxis ali próximo, mas rapidamente me acostumei com a ideia, afinal, estava quente, e qualquer uma das frutas reidrata que é uma beleza. Adiante flores e velas eram vendidas nas calçadas da frente e oposta ao cemitério, eu caminhava por esta última, e pude notar ocorrer uma grande festa do outro lado.
Na volta, observando aquela grande festa que ocorria, resolvi ir caminhando pela calçada do cemitério. A surpresa foi maior ainda: deparei-me não com uma festa, mas sim com uma grande feira!
Tão logo iniciei o trajeto rente ao muro, um garoto perguntou se eu queria comprar paçoca, mais pra frente me ofereceram pamonhas (doces, salgadas e temperadas), surgiram então as pipocas; uma senhora tinha uma pequena estufa montada em uma mesa plástica, na qual vendia coxinhas, risolis, esfirra e refrigerantes. Obviamente que o icegurt - que tem mantido espiões no mundo todo - estava lá também com seus deliciosos e refrescantes sabores.
Passado o quarteirão que o cemitério ocupa, fui atravessar a rua posterior a ele, que estava interditada com cavaletes de madeira. Então tive a certeza de que se tratava do Dia de Feirados, quando vi estacionados nesta rua as barracas de pastel!

sábado, 29 de outubro de 2011

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Caro Luís...

[articula com: http://gabrielcoiso.blogspot.com/2010/11/disposicaorecuperacao.html ]

Não tenho certeza quanto ao ano, aliás - e fato raro em minhas memórias - não consigo me lembrar em qual ano deu-se este ocorrido. Tenho a impressão de que foi em Dezembro de 2005, mas não faz tanto sentido ser neste período de nosso calendário, pois, em 2005, eu já estava no chier et de la marche com as matérias escolares.
Enfim.

Nalgum período de recuperação escolar entre 2004 e 2006, combinei com a minha grande amiga Any dela me dar uma aula de física e matemática. Nos encontramos no lendário Largo da Batata e fomos para a escola em que eu estudei. Não sei qual foi a moeda de troca pela aula, realizada numa das mesas da cantina.
Noutro dia, no mesmo período de recuperação, eu almoçava quibes e esfirras do Jaber (água na boca) na mesma mesa da mesma cantina. Ao lado da bandeja de papelão com os quitutes árabes, estava um livro de exercícios de matemática, os quais eu tentava resolver entre mastigadas.
Dado momento, o Luís, que era um professor de Educação Física extremamente simpático e bacana (raramente gosto de pessoas simpáticas) passou pela cantina. Ele me saudou com um "Grande Gabriel", até que viu o que me acompanhava ao almoço, ou ao estudo, difícil definir quem era o central ali.
Disse um ríspido ah, pára!, veio até mim, se sentou num dos bancos ao redor da mesa e me deu uma bronca:

"Cara, fecha esse livro, esse caderno, solta esse lápis! É hora de você almoçar, é seu almoço velho! Não precisa ficar doido só por que tá nessa recuperação, você tem um tempão pra estudar. Guarda o livro e come, se concentra no almoço, que agora é o mais importante".

Me deu um tapinha no ombro - típico das pessoas simpáticas - e foi andando para a quadra.

Creio que, se nos últimos três meses, por algum acaso, o Luís entrasse aqui em casa nalgum dos meus períodos de refeição, me daria outra bronca, repaginada:

"Cara, fecha esse lepitoque...".

domingo, 23 de outubro de 2011

Quanta coisa eu já "esqueci"?

Acordei agora a pouco, se disser que já se passaram quinze minutos que sai da consciência do sono para a consciência acordada, estarei mentindo. Acordei, sentei no colchão, pensei, lembrei, aprofundei e suspirei.

Recordei-me de uma região específica da cidade - também, ontem conversei sobre ela com duas pessoas diferentes - e de alguns anos atrás, quando eu morava nela. Saía de casa pedalando, pedalava por alguns metros em minha rua até chegar em uma esquina, eu virava a esquerda e descia, não eram mais do que trezentos metros percorridos.
Estacionava a bicicleta em frente a uma grade, apertava um botão todo esfolado com o número do apartamento [qual era o número mesmo?] e esperava que abrissem o portão elétrico para mim.
Entrava no prédio e subia uma escada de dois andares carregando a bicicleta nos braços, a conduzia andando ao lado dela até uma estrutura de ferro, que tinha como função limitar o fim do estacionamento e o começo da escada. Nesta estrutura havia preso um quadro de outra bicicleta, mas apenas o quadro, todo o resto já havia sido levado: garfo, rodas, selim, pedais.
Parecia um cadáver abandonado.
Pegava a corrente e o cadeado e prendia a minha bicicleta nesta estrutura, ao lado da carcaça da outra. Temendo que a minha também fosse desfigurada, depenada, passava a corrente duas vezes, fixando o veículo de forma justa na estrutura férrea.
Eu subia a escada, com passos largos, passando dois degraus por passo [ainda faço isso, tenho pernas grandes]. Resistia certa pureza em subir aquelas escadas, em fazer esse percurso e ser recepcionado na porta de entrada, em torno de três minutos após ter saído de minha casa.

Me lembrei disso, e não pude deixar de me questionar: quantos detalhes, quantas lembranças de detalhes como esse eu já esqueci? Quantos e quais já se enfiaram tão profundamente em minha memória a ponto de não retornarem aos pensamentos, nem em despertar de domingo?
Poxa, fiquei triste.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Tudo certo? - 2.

Por ocorrência de coisas erradas - leia-se: muitas, combinadas e a longo prazo - hoje, no final da tarde, tive de caminhar até o centro da cidade.
No percurso, feito à passos largos, para que consumisse o mínimo de tempo possível, observei que não estava pulsando de raiva em razão das coisas que tem dado errado.
Então, cheguei à uma breve, complexa e sincera síntese:

"A prova de que está tudo certo, é que o que tem dado errado, não tem doído".

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Apenas uma grande ideia.

Hoje, quando voltava para casa, caminhando pelas calçadas esburacadas - por alguma razão do cérebro - me recordei de uma grande ideia que se limitou a tal, isto é: não se tornou prática; aliás, se quer foi colocada para além dos idealizadores e alguns colegas.
Em Agosto de 2010, quando voltávamos de Águas de Lindoia, eu, Arbarotti e Meinberg (diga-se de passagem: a alta cúpula do finado Grupo Organizado Pero No Mucho Vanderley Luxemburgo, a maior força revolucionária que o Campus de Marília já presenciou existir) começamos a desenvolver uma nova ação.
Tratava-se da "1ª Olím Piada de Ciências Sociais", lê-se "piada" mesmo, no sentido humorístico da coisa. Dentro daquele microonibus, que sempre nos acolheu tão bem, começamos a desenvolver quais seriam as modalidades da Olim Piada.
Voltando para casa hoje recordei-me de duas modalidades: Captura do Porco Capitalista e Arremesso de Foice e Martelo. Lembro-me de ter feito um áudio, dentro do ônibus, de nós dizendo estas modalidades, porém, infelizmente, ele se perdeu na quebra de meu mp3.
A menos que a memória dos demais envolvidos recorde-se das modalidades, está terá sido apenas uma grande ideia, que não foi pra frente, e na história ficou.

Ps: para não ser injusto com nossos esforços, devo dizer: uma semana após o retorno, colamos no saguão da faculdade uma faixa, com os dizeres: "1ª OlimPiada de Ciências Sociais". Ele permaneceu por algumas semanas lá, até que eu o retirei.

sábado, 1 de outubro de 2011

A moça da bala de coco.

Em Julho deste ano eu passava férias em São Paulo, e, certo dia, precisava pagar contas que já corriam sério risco de atrasar e se tornarem multas. Quando subia a rua da casa de meus pais, rumo ao "centro financeiro" do bairro, uma praça que conta com uns quatro ou cinco bancos, encontrei-me com uma mulher segurando uma cesta.
"Moço, quer comprar bala de coco?", ela me perguntou sorrindo.
Em sua cesta, dezenas de saquinhos recheados com bolotas em cores: verdes, amarelas, vermelhas e brancas. Cada uma era bala de coco com um sabor.
"Obrigado moça, mas não gosto de coco", um dos meus "não gostares" mais esclarecidos nesta vida: o coco sempre soou-me extremamente oleoso, e seu óleo remete a um sabor inconfundivelmente de sabonete, o que me faz não saber degustar iguarias feitas a partir do coco - exceto a água.
Mas ela insistiu, e já foi logo abrindo um dos saquinhos: "mas as minhas balas não tem o gosto do coco, experimente uma, sem compromisso"; e eu, insisti negando: "olha moça, além de não gostar de coco, estou sem dinheiro na carteira, e daqui a alguns passos ficarei com menos dinheiro ainda no banco" e lhe mostrei as três contas que levava numa das mãos.
"Tudo bem, não precisa comprar, mas experimente mesmo assim".
Envolto naquele sentimento de desconfiança, tipicamente paulistana, e do qual não consigo me livrar, aceitei a bala - mesmo com medo de que se tratasse de um boa noite Cinderela. E era realmente gostosa, não tinha aquele gosto de coco, mas eu não tinha dinheiro, nada. Ela disse que estaria caminhando e vendendo balas pelo bairro, e que talvez nos encontrássemos ainda naquela tarde, e que se eu estivesse com dinheiro, poderia comprá-las.
Agradeci a bala, e segui meu caminho.

Mais tarde, já em casa, e trajando apenas minha bermuda do Corintias, a campainha tocou, olhei por uma fresta da cortina e era ela, que rapidamente soltou um: "ah, você mora aqui?". Disse que não mais, estava apenas em férias, e perguntou se eu queria comprar balas. Já me sentindo quase perseguido, entrei em casa e perguntei à minha mãe se ela queria, ela disse que sim, e indicou que eu comprasse dois pacotes.
Os comprei, ela e meu pai comeram mais do que eu, disseram que eram muito gostosas, e o assunto "moça que vende balas de coco de casa em casa na Zona Norte de São Paulo" ficou nisso.

Até que hoje, toca o meu celular - às nove da madrugada! - e uma voz grossa me faz perguntas descabidas para o momento, dentre elas: "escuta, você ligou para a moça que vende balas de coco?". Tive certeza de que se tratava de uma intervenção em meus sonhos, mas estava errado, pois realmente, a moça da bala de coco disse que eu liguei para ela. E a desconfiança e os medos, tipicamente paulistanos, me indicaram que "ficasse esperto" com relação a isso.
Mas, me digam: o que posso fazer estando 450 quilômetros distante de São Paulo, e ainda sem gostar de coco?

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Sobre duas perdas e a quizumba.

A palavra "perda", para nós, é usualmente utilizada quando queremos nos referir à alguém que não está mais entre nós, que morreu, que faleceu, que "passou a existir apenas no campo das memórias", como gosto de dizer.
Dizer que "passei por uma perda", soa mais leve do que dizer que "alguém muito próximo morreu", e, igualmente, é mais sincero: assume-se que a questão da morte não é uma problemática do morto, mas sim dos que permanecem vivos. Sem aquele que não mais estará em nosso cotidiano, podemos apenas dizer que sofremos uma perda, teremos uma perda em nossos dias: um amigo, uma companhia, um desafeto.

Mas não, ninguém de meu convívio social se foi recentemente, e nem estou me valendo deste espaço para lamuriações pós-morte.
Passei sim por duas perdas significativas para o meu cotidiano; significativas, dolorosas e impeditivas de paz em meu coração e meu dia-a-dia.
Recentemente estive em São Paulo acompanhando a premiação e o debate da Café Espacial, realizei registros fotográficos de ambos. Não passei as fotos que tirei para o computador, as deixei no cartão de memória.
De volta para casa, neste interior de meus prazeres, fiz um coco cheio de tons roxos da beterraba que havia comido no dia anterior, fotografei e tirei o cartão da câmera. Não mais o encontrei.
E isto é uma perda.

Tenho o hábito de sempre que estiver existindo no universo além casa, ter no bolso, na mochila ou na bolsa, um caderninho - um bom hábito, que muitos de nós compartilhamos. Lembro-me bem de quando se iniciou essa cotidianidade (visto por alguns como 'mania'), e foi em meados de 2005.
Uso os caderninhos por épocas, cada época é o espaço de tempo que durou um caderninho: algumas são mais longas e outras mais curtas, e isto não depende só do tamanho do caderninho, sobretudo, depende da densidade da época.
Minha outra perda é o caderninho que data o início de uma época, em Julho deste ano, e está, agora, indefinida de rumo.

O que apreendo destas duas perdas? Sei bem onde estão ambos, caderninho e cartão: dentro de meu apartamento. Resta conseguir localizá-los em meio a tamanha bagunça - e podemos considerar aquela quizumba, uma terceira perda nesta prosa.

domingo, 4 de setembro de 2011

Breve lembrança em fim de domingo.

(...)

Era uma tarde chuvosa de sexta feira, clima bonito, dos meus favoritos, mas os tempos não eram dos melhores: eu ia para São Paulo a cada quinze dias, por conta da efemeridade da vida, do amor à família e do não compreender o primeiro fator. Neste dia em especial lembro-me de ter entrado no ônibus exatamente às 14:27.

Quando subia a escada do mesmo vi uma garota vindo correndo em direção à plataforma de embarque, com uma passagem na mão. Salvo engano, era sexta feira véspera de eleições municipais. Sentei-me ao lado de outra garota, mas tão logo o ônibus partiu, e os bancos de trás permaneceram livres, para um deles fui.

E esta mudança de bancos foi o bater de asas da borboleta nesta teoria do caos (adjetivo apagado).

Chovia muito, e eu comia um salgadinho, comprado quando estava a caminho da rodoviária; lembro-me que contei quantas unidades individuais do produto masquei, mas não me recordo do número final.

A bateria de meu mp27 acabou logo no principio da viagem, e então comecei a viajar acompanhando e acompanhado de uma constante, leve e suave tosse: era a garota que chegou correndo na plataforma de embarque.

Ela estava sozinha, encolhida no banco ao lado do meu (isto é, no lado oposto do corredor), envolta numa blusa ou cobertor ou manta, não me recordo ao certo.

O ônibus realizou sua obrigatória parada, na qual desci para ir ao banheiro. Passei no setor de guloseimas e comprei um drops, dos mais fortes, o guardei no bolso da flanela, certamente.

Assim que a garota retornou da lanchonete, com uma garrafinha d'agua ou copo de refrigerante na mão (falha memória!), e se sentou em sua poltrona, as luzes do ônibus se apagaram (o que teve extrema influência na escuridão interna do mesmo, visto que caia uma chuva das mais escuras) e os televisores foram ligados.

Normalmente passa-se filmes ruins no ônibus, porém, nesta ocasião surgiram nos televisores do mesmo o letreiro de Jumanji. Exclamei um huuum empolgado, levemente alto, e ouvi uma voz suave e doce, embora empolgada, dizendo jumanji. Olhei na direção da voz e era a garota, que completou sorrindo e se apegando ao cobertor (ou manta ou blusa) que a cobria: quanto tempo que eu não assisto, e tornou a tossir.

Lhe ofereci um drops, ela aceitou sorrindo um obrigado suave, ao que respondi com um breve fará bem para a tosse. O ônibus seguiu viagem, e por vezes eu a observava: estava linda, pois é linda.

A verdade é que me encantou apenas pela tosse.

(...)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Analógico x Digital.

Ultimamente tenho pensado bastante nas coisas que vivo observando-as sob estas designações: o analógico, e o digital. Algo como coisas opostas, quase como antíteses, talvez como superações, negações; não sei ao certo. Polaridades opostas?
Diga-se de passagem, não tenho o conhecimento técnico científico para dizer com todas as letras o que difere a tecnologia analógica da digital, quais os sistemas, as ligações, as diferenças de chips, de fontes de energias, de expansão de sons, imagens, cores etc.
Enfim, não sei precisar o que diferencia teoricamente analógico de digital, mas sei que há uma diferença prática, que vivo no dia a dia.
Pelo que entendo desta existência prática de coisas analógicas e digitais em minha casa, a TV e a vitrola são exemplares dos tais analógicos, e o computador e o dvd dos tais digitais.
Pois bem, na noite desta quarta feira cheguei em casa por volta das dez e quinze da noite, e liguei a TV, no preciso momento em que o time porco tomava o segundo gol do botafogo, e o time sardinha tomava o segundo gol do internacional. Minha televisão, de tão analógica que é, está com um dos canais de cor queimado, de modo que o tom da tela é predominantemente rosa.
Sentei-me na poltrona de frente para ela, com o computador no colo, e deixei-a sintonizada na derrota porca. Dado momento decidi mudar para o jogo sardinha, e, em vez de pegar o controle remoto e digitar o número do outro canal, simplesmente apertei a combinação Alt + Tab, e o canal não mudou. Repeti a operação, e então percebi o que fazia.
Mais tarde, pouco antes do time porco tomar o terceiro gol, ouvia na vitrola um disco do Bach, recém comprado, e seguia com o computador no colo [note bem: três coisas ao mesmo tempo]. O som estava muito alto, e decidi por abaixar um pouco, e o fiz colocando o comando de volume do Lep Top o mais baixo possível. O som não mudou, e então percebi o que fazia.
Confuso, decidi desligar televisão, vitrola, computador e viver o mais humano dos sistemas de comunicação, além de qualquer fonte ou retransmissão de energia elétrica. Até o momento em que dei Alt + F4 nas janelas do dia, e me foquei em colocar o meu sistema operacional para hibernar: como foi bom dormir.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Por quase um mês.

No dia 30 de Julho eu escrevi sobre minha antiga mochila; eu arrumava as bagagens para viajar de volta para casa [novamente]. E como foi difícil lhe dar adeus e simplesmente colocar as roupas, livros e tranqueiras noutra junção de panos, zíperes e alças.
Não completei um mês da troca de mochilas ainda, e já usei muito a nova. Não conheci nenhum estado ou país que não conhecia, pelo contrário, não precisei de muitos quilômetros para ter contato com coisas novas, pensamentos e rumos distintos dos até então cogitados.
E quando não estava zanzando entre cidades, nesta aqui eu não parava quieto.
Resultado: Agosto me cansou. E quanto prazer em um mês de extrema ação, intensas atividades e constantes (quase intermináveis) vais e vens, recheados e tão plenos de sentido para mim.
Isso tudo para dizer que no mês de aniversário deste blog, não tive tempo para ele.
Estrada, puramente.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Pra que serve um intercambista?

A pergunta é complicada, o assunto delicado, por isso mesmo, acho que vale a reflexão.
Recentemente fiquei sabendo que um jovem rapaz, vindo de alguma das Coréias, está fazendo intercâmbio aqui entre nós, no curso de filosofia. Ele não fala quase nada de português, e foi para o rolê de samba e forró buscando conhecer uma "bruasileira", como o ouvi falando na portaria da casa.
Também tive contato com uma intercambista uruguaia, por dois finais de semanas seguidos. Chamou-me atenção nesta bela jovem um episódio, de extrema dificuldade da minha parte, para interagir com ela quando dividimos um adaptador de tomada, com o intuito de que nossos computadores permanecessem ligados.
Com relação ao Coreano, outro episódio: eu fazia portaria na casa de shows da região (em outra oportunidade: jazz, e não samba e forró) e ele se aproximou para pagar a entrada, balbuciou algo em um quase português, e, rapidamente, lhe questionaram coisas em inglês, ele respondeu e assunto encerrado.
Com a uruguaia notei ocorrerem ações semelhantes, de brasileiros flexionarem-se para o espanhol, o portuñol e até o inglês durante diálogos com a moça, para que ambos se fizessem compreendidos.
A minha pergunta, mais com ares de questionamento, uma vez que não espero ter uma resposta é: pra que serve um intercambista? Ele está em outro país para observar, aprender, apreender aspectos culturais deste, dentre eles, o idioma local? Ou está em outro país para que nós possamos treinar as nossas capacidades e domínio de outros idiomas?

sábado, 30 de julho de 2011

Breve diálogo em um adeus eterno.

-Então é assim?
-Assim como?
-Simples assim.
-Não é simples.
-Você faz parecer.
-Não acho.
-Simples, vulgar...
-Ai, ai.
-Insignificante, vazio.
-Não faz assim, entenda.
-Entender?
-É.
-O quê? Como? Não há o que entender.
-Calma. Ouve.
-Não quero ouvir.
-Ai...
-Depois de tudo que fiz por você.
-Podemos nos entender.
-Não há o que entender!
-Ai fica difícil.
-Difícil? Pra você ou pra mim?
-Pra nós dois.
-Não. Pra você tá fácil, tá legal!
-(...).
-A gente foi junto pra praia, você lembra?
-Sim, três vezes eu acho.
-E em quantos eventos, você lembra?
-Perdi as contas. Foram tantos...
-Você lembra quantas vezes fomos para as Minas Gerais juntos?
-Talvez três, ou quatro.
-Foram três. Aliás, nossa primeira vez foi para lá.
-Eu lembro, você estava tão linda, tudo tão agradável.
-Não vem com sentimentalismo.
-Não é...
-É sim. Primeiro vem com descaso, agora isso de 'tão linda'.
-Mas estava, oras.
-Estava, agora não sirvo pra mais nada não é mesmo?
-Não é assim.
-É sim!
-Você não contempla mais minhas necessidades. É isso.
-Olha lá. Ai que ódio!
-(...).
-Aposto que você já tem outra.
-(...).
-VOCÊ JÁ TEM OUTRA?
-Mais ou menos.
-Ou tem ou não tem.
-Tenho.
-Que raiva que me dá!
-Mas o problema é que você não se adequa mais às minhas necessidades.
-(...).
-Se adequou por um bom tempo, mas agora...
-Agora?
-Não mais.
-Simples assim.
-Não é simples, por favor, entenda: foi lindo, todo o nosso companheirismo, proximidade e intimidade. Mas infelizmente, acabou.
-Estou muito triste.
-Eu também, mas foram dois anos e três meses muito felizes na minha vida. Por sua causa. E eu sei que também lhe dei felicidades intensas nesse período.
(silêncio)
-Tudo bem. A verdade é que eu entendo.
-Dói.
-Dói demais, mas eu entendo. Eu sabia que esse dia chegaria. Nós sempre sabemos.
-Obrigado por tudo. Obrigado por mudar minha vida.
-Não me agradeça, fizemos tudo juntos.
-Vem aqui, sobe nas minhas costas pela última vez...

Mochila é coisa séria!
Dar adeus à uma mochila então...

segunda-feira, 25 de julho de 2011

A grande dificuldade.

Estou tentando fazer uma música, ela fala sobre paixão. A letra está escrita, uma harmonia foi criada, estou tendo dificuldades com o arranjo, e com algo que chamo de "construção final" da música enquanto tal.
Hoje, e em tantos outros dias desse mês de Julho, que já surge no horizonte como se finalizando, eu não deveria ter me dedicado à músicas nem a nada do gênero. Eu deveria ter me dedicado à pesquisa, à ciência, ao fazer científico em campo de pesquisa (sendo preciso). Mas não o fiz.
Quando podia fazê-lo, não fiz, encontrava justificativas e desculpas, seguidas de incômodos e sensações profundas de estar sendo fraudulento comigo mesmo e com pessoas ao redor, envolvidas nisso tudo.
Mediante a dificuldade em juntar os blocos sonoros já compostos para criar uma música, encostei o violão, coloquei para tocar (bem alto) algumas músicas extremamente inspiradoras do Dinossauro Jr., deitei-me na cama de minha irmã e me propus a ter 10 minutos de esclarecimento.
E foram 10 minutos esclarecedores.
A grande dificuldade, seja para fazer algumas músicas, seja para vestir a calça cáqui, a mochila de Antropólogo e ir para a rua, está no fato de que estas ações envolvem extremos embates com duas problemáticas centrais, respectivamente: coisas que neguei, e coisas que me foram ensinadas como erradas.
E, no momento presente, este mês de Julho, pouco ou quase nada consegui ir além com estas dificuldades. Por isso as nomeio como grandes; e por isso as coloco como uma, no caso, a grande dificuldade.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Capítulo antigo: matrícula.

Escrevo em 22 de Julho de 2011.
No primeiro semestre deste ano, entre os dias 28 de Fevereiro e 5 de Julho, cursei o 1º semestre de meu quarto ano de faculdade, ou o 7º semestre, é a mesma coisa.
Cursei 6 disciplinas, sendo duas delas no mesmo dia, frequentando uma pela manhã e outra pela noite; e a disciplina cursada na sexta era uma optatória, ou seja: eu fui obrigado a escolher uma optativa.
Há alguns minutos realizei a minha matrícula em todas essas disciplinas já cursadas, ou seja: as cursei (as cursamos, eu e meus colegas) sem estarmos matriculados, sem estarmos registrados como alunos das mesmas.

Pois bem, dedico-me aqui a lembrar de um episódio ocorrido em Dezembro de 2009, quando deveríamos realizar a confirmação da matrícula para o primeiro semestre do ano seguinte.
Como é de praxe, perdi o prazo da rematrícula, e, no dia seguinte ao 'dia limite', adentrei a sala dos funcionários da graduação. Afobado, perguntei com leve desespero, "tem como abrir uma exceção?", e um dos funcionários disse que eu precisava enviar um emeiou com todos os meus dados e uma justificativa da perda do prazo, que ele seria analisado e talvez minha rematrícula fosse aceita.
Esbaforido, corri para sala do PET, onde perguntei a um colega se eu poderia usar o computador que ele usava, expliquei a situação e ele, sendo conivente com meu desespero, levantou-se da cadeira e disse para eu mandar logo o emeiou.
Enquanto escrevia o emeiou surgiu-me uma dúvida: quais dados devo colocar? E tornei à sala da graduação para questionar ao funcionário sobre isso.
Abri a porta de vidro, um clima de descontração e risos tomava a todos, perguntei quais dados colocar e como compor a justificativa. Os risos se ampliaram, em volume e duração.
O funcionário, então, disse-me que estava brincando comigo, e que era só enviar um emeiou com meu nome, curso, ano e ra, que minha rematrícula seria confirmada.

Pensando os dois episódios, o de 2009 e o de 2011, pergunto-me: será que estes funcionários já se encontraram com quem está rindo da cara deles?

terça-feira, 19 de julho de 2011

Vícios, gostos e virtuosismos.

1) Vícios e Gostos:
No final do semestre, naquele período cabulosamente nebuloso, que envolveu as 3 últimas semanas de Junho e os primeiros dias de Julho, me peguei em um consumo desenfreado de Torrone, algo que se iniciou no final do semestre anterior (Dezembro de 2010) e se agravou no já citado semestre recentemente finalizado. Um Torrone por dia, quando não dois.
No final de 2010 o consumo desembestado fazia-se por meio da associação da substância branca e amendoenta com aquela substância preta e coca colenta.
Foi então que percebi uma situação que classifiquei como problema, entre um trabalho e outro a ser entregue até o dia 5 de julho: quando gosto bastante de alguma coisa do mundo físico-palatável, esta se torna um vício;

2)Virtuosismos:
O pessoal que não é de São Paulo parece ter uma coisa com essa cidade; não posso negar que a cidade em si tem muitas coisas.
Outro dia, conversando com uma companheira interiorana, ela confessou soar estranho eu estar em São Paulo e não sair tanto de casa. Aliás, soa estranho eu não sair de casa, como tem sido esta estada atual por aqui: não tenho vontade de sair, e não saio, e quando tenho algo interessante para fazer, conforme se aproxima a hora aumenta minha falta de vontade para ir, e acabo não indo.
Observo os que por aqui ficaram, os que por aqui vivem, e os que com esse ritmo se acostumaram (e até criaram gosto), e não sei como conseguem; aliás, não consigo entender...
Sim, São Paulo tem muitas coisas legais pra fazer, não se compara às cidades do interior do estado que eu conheço. Em São Paulo opções diárias de tudo, tudo mesmo.
Mas para se realizar qualquer coisa dentro desse 'tudo', há de se possuir (encrustado em si) um virtuosismo fora do comum, que talvez eu já tive nalgum momento da vida, e não mais me pertence.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Sobre Paraty.

Sou apaixonado por essa cidade.
As suas ruas tortas, cheias de pedras redondas, portas retangulares e igrejinhas assimétricas me encantam desde os primeiros olhares trocados aqui ,no já longínquo (e quase decadente, no sentido de fazer quase uma década) agosto de 2002, quando vim à Paraty pela primeira vez. Tratava-se de um "estudo de campo" que o colégio organizava, anualmente, para as 7ªs série do não mais existente "ginásio".
Tenho na memória riquíssimos detalhes desta primeira vinda à cidade, tais quais nomear os cachorros da rua; tentar reproduzir à lápis, em meu caderno pautado, as fachadas das casas; conhecer a 'periferia' da cidade; as boas conversas com alguns poucos bons professores; as tentativas de fotos rebuscadas dos detalhes incríveis na "trilha do ouro"; os colegas medíocres tentando acertar côcos nas águas vivas que se aglomeravam no mar, próximas à areia.
Após este encontro, pioneiro em minha vida, sucederam-se outros cinco: em Maio e Dezembro de 2003, em Fevereiro e Agosto de 2010, e agora, em Julho de 2011.
O encantamento com a cidade, sobretudo estético, fotográfico, fotogênico, sempre fora tônica ao caminhar por aqui, até este em 2011.
Desta vez o encantamento foi-se Rio Perequê abaixo, desaguou no mar que banha a praia central, e perdeu-se no esgoto da praia do pontal. Talvez um desencantamento Weberiano, descrito (pois sentido) com nuances Drummondianos. Aliás, Carlos Drummond de Andrade, o próximo 'homenageado' pela FLIP, e questiono-me se isso aqui pode ser considerado "homenagem".
A percepção da cidade que tive desta vez, notando diversos louvores ao império, à colonização, aos colonizadores, príncipes, reis, rainhas e tudo o mais de dominador que por aqui passou, e que construiu o tal do "charme histórico de Paraty", me chatearam. Essas portas, essas pedras, esses nomes e símbolos de pousadas, remetendo a portugueses, naus e bandeiras, causou-me quase repulsa.
Por que parte repugnante das elites mais nojentas sente-se bem aqui? Como Bóris Casoy, o qual debochei ao encontra-lo por lá no carnaval de 2010.
Desde o primeiro encontro com Paraty entendi a cidade, e os artistas que nela fervilham, como uma resistência. Mas nada me explicava por que Bóris Casoys da vida se sentissem bem ao andar tropicando por entre pedras.
Desta vez, observando calmamente ações de pessoas caminhando pela cidade com taças de champagne na mão, e demais artefatos de finésse, acho que tive um esclarecimento.
Ao ver um jovem rapaz, que eu já havia visto outras vezes pela cidade, caminhando vestido de bobo da côrte e fazendo gracejos em troca de moedas, compreendi: ele é o bobo, Paraty é a cidade que abriga a côrte, a elite mais nojenta, que se locomove de helicópteros até lá para andar em charretes guiadas por homens descalços e desdentados; para tropicar em pedras que foram sabiamente carregadas e organizadas por escravos; para rir do rapaz que organiza o circo de pulgas, pois ele não domina a norma culta do português; e para entender, com ligeira grosseria no discurso, como que aqueles índios não são do Paraguai.
Tive nojo dessa cidade.

domingo, 3 de julho de 2011

Coisas boas x Coisas ruins.

Tem coisas que são ruins, que julgo ruins, verdadeiros lixos, criações humanas que não tinham necessidade alguma de terem sido criadas. Uma das coisas que estaria no topo desta lista, para mim, é o seguinte video clipe: http://www.youtube.com/watch?v=5WxPyUzWSPA
Parte do "programa piloto" do seriado norte amerigringo "Glee", fora usado pela Fox aqui no Brasil como peça de divulgação da série, no final de 2008 e começo de 2009.
Por que este video clipe está no topo da minha lista de criações desnecessárias? Pois sintetiza 3 grandes lixos: a música "don't stop, believin", da grotesca banda "steel panther", um lixo de uma banda de Glam Rock, daqueles que se preocupam mais em usar calça de oncinha do que tocar; um seriado norte americano que visa vender o famigerado "american way of life", no caso desta série, focando-se nos supostos "excluídos"; e, sumariamente, a soma de dois produtos medíocres frutos do imperialismo yanke. Tá bom ou quer mais?
Agora, vamos à ironia da coisa toda.
Quando assisto a este clipe, me emociono, por vezes, isto é, dependendo do dia, chega até a me dar vontade de chorar; noutras até chego a deixar escorrer uma lagriminha. E fico inconformado: como que algo tão ruim pode me remeter à coisas boas e emocionantes?
Foco-me em pensar quando conheci este clipe, e vejo que, realmente, não tenho motivos para me emocionar positivamente com o momento passado, quando eu me encontrava à ferro e fogo com uma das coisas que mais odeio na vida: o seu ritmo inescapável e letal.
Porra, eu vivia as férias mais não férias de minha vida [articulando com o texto abaixo, escrito a poucas horas], e passei esse tempo na casa dos meus pais. Os dias se resumiam em acordar as 3 da tarde, fazer nada na internet, passar a madrugada alternando entre desenhar, ouvir snow patrol e assistir simpsons na Fox, tendo que aturar esse video clipe a cada 8 minutos: como que isso me emociona positivamente?
Como que uma coisa tão ruim, em um momento tão ruim, repleto de lembranças ruins pode me remeter a coisas boas?

Sobre estar de férias.

Em Outubro de 2003 meus tios adotaram uma linda garotinha, notavelmente esperta e no auge de seus recentes 4 anos, recém completados. Tão logo chegou para perto de nós[ou talvez antes mesmo disso se concretizar] já foi inscrita naquela instituição que hoje em dia cria-me nós na cabeça quando me proponho a pensá-la: a escola.
Muitas vezes minha avó a buscava na escolinha (no diminutivo, como dizem, creio eu, para amenizar o sentido de dor, culpa e auto-flagelação que tem o nome "escola", e fazer as crianças entenderem que aquilo é intrínseco à vida; mas não é), ela ia para a casa de meus avós [meu templo maior em vida] e por lá ficava até que meu tio ou minha tia ou os dois fossem a buscar.
Nalgum destes dias em que minha vó a buscou, uma sexta feira, coincidentemente eu desembarquei por lá no final da tarde.
Extremamente estriquinada, a mais nova membra da família corria, pulava e se jogava pela casa [e em cima de nós] dizendo e cantando, repetidamente, quase como um mantra: "eu tô de férias, eu tô de férias, eu tô de férias, eu tô de férias". Nenhuma tentativa de mudar o foco da atenção funcionou, fosse chamá-la à mesa, fosse convidá-la ao desenho ou mesmo à televisão, era "eu tô de férias" para todo lado.
Até que, dado momento, cansada desta penosa atividade física [embora para alguns médicos apenas seja atividade física se você estiver com roupa x e em espaço x] ela se sentou sobre minha pernas, olhou para mim e disse: "gabirel [como me chamava à época] eu tô de ferias". Inocente e instigantemente lhe perguntei: "e o que é estar de férias, Tainá?".
Aquietou-se, olhou para mim, brincou com a corrente que eu usava no pescoço [com a qual nunca se conformou do uso que eu fazia], e então me respondeu: "não sei... mas eu tô de férias, eu tô de férias, eu tô de férias", e recomeçou o mantra.
***
Descrevi esta doce lembrança, de um tempo saboroso de minha vida, pois estou cansado. Este período compreendido como semestre [31 de Janeiro à 1 de Julho], um espaço de tempo vivido, fora extremamente cheio, amplo, cansativo e, como os bons momentos/períodos da vida, indefinível; talvez brevemente compreensível em momentos como o acima descrito.
Um semestre claramente cindido: em 2 meses e meio de trabalhos específicos intensos, uma ida à são paulo por 11 dias, e um retorno que direcionou-me a outros trabalhos, distintos e distantes destes primeiros citados. Não houve como não enroscar as idéias na cabeça, e grande parte da satisfação está em perceber que driblei bem tais enroscos, e que chego ao fim do semestre cansado, mas não derrotado.

Tainá não sabia o que era estar de férias, hoje, não tenho dúvidas, ela já sabe bem. E, vivendo a vida como espera-se que ela viva [saboreie, sinta, experimente, ouse, acerte, erre etc] não tenho dúvidas de que, assim como eu, neste momento presente, ela entenderá cada vez melhor o que é estar de férias.

terça-feira, 28 de junho de 2011

independência musical.

Nalgum momento desta vida, creio que lá para os idos de 2007 escrevi algo sobre a minha opção, tomada à época, de fazer música sozinho, e desistir de "fazer música mais coletivizada". Infelizmente não achei tal escrito, são tantos blogs, flogs, maispeices, tramasvirtuais, etc, que os escritos se perdem na rede.
O desejo da realização musical é constante em minha ida, já escrevi muito sobre tal neste blogue, mas se renova e transforma e retorna e desisti e recria... Enfim, é dinâmico, jamais estático, tal qual eu, você e todos os amiguinhos que fazemos nos envoltórios e centríolos desta célula burguesa ocidental[izada].
Pensando por este lado, nossas criações musicais jamais podem ser consideradas independentes, não no sentido comercial, mas talvez, quase, quem sabe, no sentido existencial.
Porém, há dependências e dependências, independências e independências: depender da vontade alheia, quando semelhante a própria vontade, toma ares de independência, no sentido da leveza e naturalidade que a coisa toda, o fazer musical como um todo ganham.
Agora, quando não há tal semelhança, a independência recai sobre os envolvidos creio que com tons e sobretons de peso, de obrigações severas, de exigências antidemocráticas, antisaborosas e, mais importante e doloroso, antiprazerosas.
Olhando para os anos em que bati o pé, acreditando ser estático, e me recusei a desistir de ter desistido de fazer música não coletivizada, vejo que em muitos momentos acabei por me impôr a uma independência de outrem, e uma dependência de mim mesmo, no pior sentido antiprazeroso.
Cabe entender, o que requer o momento agora.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Somos míopes!

"Ou segue um viés marxista, ou um viés liberal".

E são as únicas opções, certo?
Claro!
Pois fora disso não há nada,
E o nada é liberal,
Sendo assim,
Tudo é liberal,
Pois o nada, neste caso,
É tudo, somos todos,
É cotidiano e intrínseco,
Pois somos míopes.

quer dizer que pra ser liberal basta existir,
pois esta não é uma corrente de pensamento e ação,
apenas a forma de pensar [supostamente] marxista,
é que é uma corrente de pensamento,
o resto são ismos que existem para os iluminados rirem com suas superioridades:
relativismo, positivismo, perspectivismo, liberalismo.

E o outro lado? O viés marxista?
É resultado de um trabalho sério,
De muita dedicação de estudo,
Uma trajetória muito complexa,
Ao estilo quem é sabe.

ao marxismo,
ou,
à doutrina da salvação eterna,
é necessário muito estudo,
já o liberalismo é contagioso,
está no ar,
e mesmo que você não diga que é,
mesmo que fique calado,
é liberal,
pois ficou calado.

O viés marxista,
Toda essa trajetória,
Para poucos raros,
É de uma receita quase confidencial,
Quase tão secreta quanto,
A fórmula da Coca-Cola,
E a composição do molho,
Especial dos McDonalds.

somos míopes pois não enxergamos a verdade gritante,
de que só há uma verdade;
se isso é ser míope,
jogo meus óculos no chão e piso em cima.

sábado, 18 de junho de 2011

Obrigado Senhor!

Por ter me libertado dos demônios, dos exús, dos capetas, dos encostos que em mim faziam morada.
Por ter me feito, finalmente, aprender a chegar em casa cansado, mas, não mais, morto!
Obrigado Senhor!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Eterno Apaixonado.

Sempre tive um sério problema: contemplo de mais. No sentido de encontrar beleza, muitas vezes, onde ou no que não existe. Encontro a beleza, muitas vezes a procuro; alguns dizem que possuo uma lógica de pensar muito minha, inexplicável à quem estiver fora de minha cabeça, e pode ser isso também: procuro o que me cai em olhos e mente como belo, puramente; procuro algo que assim o caia.
Na época da juventude latente, isto é, naquele período que se encerrou junto com a escola, tendo uma pequena sobrevida naquele ano de cursinho, estas belezas, com um foco de luz muito forte brilhando e se direcionando para a beleza feminina, iluminavam muitos de meus dias. Quantas vezes não criei personagens a partir de lindos rosto, [tre]jeitos, corpos, vestimentas, passos, perfumes etc, que me passavam pelos sentidos nalgum ou nalguns instantes da vida?
***
Acabo mais um período de estágio em Ensino Médio. As últimas horas na escola foram "cumpridas" a pouco, durante a festa junina organizada por alunos do 3º colegial. Eu não achava que haveria uma adesão e participação tão grande por parte dos alunos do ensino médio na festa. Escola repleta de bandeirinhas [vamos prestar atenção nas bandeirinhas], barraquinhas, muitos alunos "à caráter".
E aquelas jovens garotas, do cotidiano de uniformes feios e casacos pesados [fez frio em todos os dias do estágio], hoje eram lindas mulheres, com vestidos coloridos, camisas xadrez, tranças e chiquinhas nos cabelos. Aliás, tenho notado: a linha que separa garotas de mulheres é cada vez mais tênue.
Hoje elas estavam lindas. E meu apreço por procurar e me focar em belezas não teve lá grandes dificuldades, elas pululavam pelos corredores em meio a sorrisos, cachorros quentes e cervejas (estranhamente vendidas dentro da escola).
Uma jovem, em especial, ganhou-me muita atenção. Durante os dias maçantes em sala de aula não fora muito atraente aos meus olhos, justiça seja feita, ela é da sala em que assisti menos aulas, creio que 2 (sendo uma de prova) em todo o estágio. Mesmo assim, notei o seu cotidiano de calça dins, tênis, moletom de cor única e cabelo preso em rabo de cavalo simples; o rosto cansado por ter acordado tão cedo e ter de estar submetida às fórmulas, assuntos e apostilas que não conferem sentido algum, não permitem criar esboços de sorrisos.
Hoje estava radiante, vestia uma bota (que usava por dentro da calça, ufa!), uma calça dins escura, uma camiseta branca coberta por uma camisa de xadrez fino em azuis e branco, nos cabelos havia feito uma trança e no rosto uma leve maquiagem e algumas pintinhas.
Estava linda, Era linda, E sorria, E ria, E caminhava, E tomava guaraná diet (não direto da lata, o colocava em um copo).
Não tem jeito, e conversando com a grande companheira de estágios, não acho que não ter jeito seja algo ruim, pelo contrário: não ter jeito é o meu jeito; sou um eterno apaixonado por contemplar a beleza alheia, sobretudo, a feminina.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

"[...] Sei que por vezes é tão escuro e tão frio,
Que desapareço sem sequer ser percebido [...]"
E o oposto faz-se, saborosa e desconfiadamente, verdadeiro no passado recente e presente atual.

domingo, 5 de junho de 2011

5 de Junho de 2009.

Hoje tirei o dia para arrumar o quarto. É bem verdade que das 11 da manhã até agora (14:12) o que consegui foi, mal-e-mal arrumar a minha mesa. Em uma pilha de papéis (notas fiscais, rabiscos, provas, trabalhos, canhotos de shows, versos etc) surgiu uma folha dobrada 4 vezes, com um parágrafo escrito à máquina de escrever, de exatos dois anos atrás.
A coincidência fez-me querer compartilhá-lo:

É sexta feira, já se passa para o sábado nas contas precisas dos ponteiros dos relógios e do sino da igreja. O dia foi nada proveitoso, praticamente. Não estudei, nada criei, pouco desejei, enfim, um dia inteiro que matei. A noite fizemos pastéis, depois vimos tv, e me acompanha, creio que há algumas horas, a sensação ruim de acreditar estar sentindo "energias estranhas" no apartamento. Por seguidas vezes dirigi-me à janela, algumas outras poucas olhei para a porta, como se esperasse por alguém. Não sei ao certo. Amanhã temos churrasco, ontem tivemos palestra e hoje não sai de casa (praticamente). No fim da tarde, antes da unica e breve saída do apartamento, comecei a sentir meus olhos lacrimejando, tomei por explicação a possível queimada em um terreno próximo. Mais a noite, após termos jantado, ouvi um barulho vindo da porta, tomei por explicação ser algum ruído da geladeira. Meu medo mais atroz é que esta energia seja o sentir do passar vago do tempo da minha vida. 05/06/09.

Deitei para dormir sentindo que morreria, por isso me levantei e bati estas palavras: mas eu não morri.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

um ano atrás...

Para os fins das linhas a seguir, entenda-se este um ano como sendo completado no período compreendido entre os dias 17 de Maio e 23 de Junho.

Um ano atrás realizei a troca da câmera quebrada por uma câmera nova, que, sem dúvidas, foi deveras importante para o desenvolvimento artístico fotográfico que ocorreu neste período;
Um ano atrás eu estava gripadamente mal, mas mesmo assim coloquei a guitarra nas costas e fui fazer um som, talvez por acreditar nisso; hoje estou mal, pesado, gripado, e esperando para sair de casa e ir fazer outro som, pois acredito nisso;
Um ano atrás eu ainda não "tomava remédio", já estava procurando alguém que me indicasse farmácos outros, distintos dos que eu tomava, mas tomar, de fato, ainda não o fazia;
Um ano atrás batia um vento gelado no meu nariz, eu subia a rua a uma da manhã sem olhar para trás, encarando os pés e passos de borracha molenga torcendo para que não derretessem;
Um ano atrás a campainha tocou;
Um ano atrás a rigidez sem sabor ditava os rumos de dias amargos (e gelados), hoje o amargo bateu, mas não se compara, é só um doce um pouco azedo;
Um ano atrás eu não pensava que aqueles dias se tornariam 'um ano atrás', os de hoje penso;

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Satisfação e cansaço.


o corpo todo coça,
pêlos se erguem,
um arrepio bruto,
pesado pela sujeira.

a cabeça dá seus giros,
por dentro e por fora,
quase nenhum controle,
sobre rodar e delirar.
por fim,
[suspiro],
puta que o pariu,
como estou cansado.

domingo, 22 de maio de 2011

Algo sobre a música.

Sim, eu gosto de música; sim, ela é central em minha vida; sim, música.
O que é música ao certo? Barulhos organizados? Ruídos bem pensados? Uma matemática que torna parelhos e harmônicos ruídos e barulhos? Não sei, gosto de música, mas não sei definir.
Gosto da música, das relações que a música me permite ter, das sensações que tenho a partir da música.
Seria música, ou músicas? Talvez músicas seja o mais correto...
Música são negócios, business? Também.
Sentimentos, explosões, efervescências? Também.
Frustrações, quedas, sangrias? Também.
Superações, desistências, risos? Também.
Palcos grandes, camarins, crachás? Também.
Casas de esquina, boteco, quarto? Também.
Formatura, Casamento, Aniversário? Também.
Revolução, Reacionarismo, Conservadorismo? Também.
É seriedade, Brincadeira, Entretenimento? Também.
De um evento grande, palco gigante, com cachês, camarins, pagamentos de burocracias, banda cover (ressalva: listando os pontos negativos, mas houve deliciosos pontos saborosos no palco), playbacks, fui para um show na gloriosa casa (meu quintal) com experimentalismos, aperto, improvisos, rua, originalidade...
Diria que foi um sábado musical, variantemente musical, o que é confuso, mas muito gostoso; um cansaço que não se escancara, pois é cansaço musical.
Música é cansaço? Também.
Música é descanso? Também.
Mas sobretudo, acho que o que me chama atenção na música desde sempre, é o fato de ser ela uma coisa humana no cerne da palavra, uma coisa carregada de extremos e de intensidades diversas, uma coisa unica, dificilmente igual, que se repita (claro, pensando a música ao vivo).
O que sempre me chamou atenção na música, para além do fato de ser, por si só, uma forma de expressão, é compreender o fazer musical como um aglomerado de expressões por quem faz música (ressalva: quando sincera, espontânea, sem biquinhos ou pulos ensaiados).
A música, simplesmente, está em tudo, e quando concentrada, muitas vezes falta-me fôlego para acompanhá-la, tal qual ocorrera ontem.
Fotos de meu sábado musical: show do Vitrola Vil na Revirada Cultural em Bauru, e do show do Os Rélpis, no Cão Pererê, em Marília.
Um grande obrigado, e um grande beijo a todos que me proporcionaram grandes momentos de diversão e (mesmo sem saber) uma descanso antes mesmo do cansaço bruto que se anuncia.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Sobre o trabalho.

Irritado, fui tomar um banho fervente. Enquanto esfregava o xampú nos cabelos do rosto (aliás, tais pelos consomem mais deste produto químico do que os cabelos da cabeça) me recordei de uma frase que aquela jovem dizia, algo como: "fulano faz tal coisa igual limpa a bunda... aliás, duvido que limpe a bunda desse jeito, o cu já teria caído de podre!". Algo assim.
À parte a expressão chucra que ela aprendera na sala de casa, entre os intervalos da novela e os comentários desenvolvidos de forma refinada durante as notícias de Fátima, Willian e José Luiz, me aprofundei na idéia, enquanto a água e seus respingos me queimavam a pele.
Pensei: imagina se algumas pessoas lessem bula de remédio como lêem alguns conteúdos coletivos? ou mesmo, se dessem atenção às indicações de uso de preservativos tal qual dão à alguns acordos para o pleno trabalho? ainda, imagina se eu dirigisse com a eficiência com que se apresentam para fazer o que se comprometeram a fazer?
Aliás, meu senso de direção prática, no volante, acredito se assemelhar a tal forma de comprometimento com o trabalho de alguns, porém, meu senso de ridículo (e talvez de alguma segurança) faz-me, simplesmente, não dirigir.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Falência do estado.

A submersão em horas de intenso raciocínio nos últimos dois dias, fez-me lembrar de um momento vivido por mim no último feriado de Tiradentes. Não sei, talvez um momento-imagem-símbolo da falência do estado (ou mesmo de vitória do neoliberalismo deflagrado publicamente).
Fui até o Parque São Jorge comprar ingresso para o jogo Corintias x Oeste de Itápolis. Olhando por entre os micro buracos da chapa de ferro, que me separava visivelmente da moça que me atendia, buscava ver quem me vendia o ingresso para um momento de intensidade religiosa. Por baixo da chapa de ferro, no vão de dois centímetros entre a ponta da chapa e o "balcão", passei meu registro geral e meu documento de estudante, pedi uma meia e uma inteira.
A resposta da moça foi:
-Preciso do comprovante.
-Comprovante? - questionei.
-Sim, o comprovante da faculdade.
-Comprovante de matrícula?
-Não, comprovante de pagamento - entendi!
-Não, não moça, é faculdade pública.
-Faculdade o que?
-Pública.
-Espera ai - ela se levantou e levou os documentos para alguém (creio que de algum cargo superior ao dela) - ah, entendi.
-Tudo certo? - perguntei curioso, temeroso de não conseguir meu ingresso.
-Sim. Num sabia que não tinha comprovante de pagamento.
-É que não paga.
-É, eu não sabia.
Ela me deu os ingressos, devolvei os documentos, eu lhe dei o dinheiro e agradeci, desejei bom feriado e feliz páscoa, ela agradeceu, e eu ainda disse "vai corintia!", e ela correspondeu rindo.
Peguei um ônibus para a casa da minha vó.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Breve lembrança.

Hoje nós andamos entre seis e sete quilômetros;
Subimos ladeiras descemos pirambeiras e caminhamos no plano;
Erramos o caminho duas vezes;
Perguntamos o caminho tantas vezes;
Chegamos em um local improvável;
(distante de minhas lembranças até vê-lo em minha frente);
Vendo-o de cima uma lembrança me bateu;
Eu eu eu eu eu eu eu eu;
Chegando nele a memória se ergueu;
Me lembrei do sol daquele Janeiro;
Da promessa serena de passar o verão de calça;
Bem como do Reino que edifiquei;
Me deu certeza de que errei;
Ei ei ei ei ei ei ei ei;
Não me lamentarei;
Apenas registrei.

Aliás eu não conseguiria dormir sem este registro repentino e sem vírgulas.