sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

reveion.

Desde que comecei a compreender as coisas a partir de meus olhos, sou crítico à esta idéia de ano novo, não ligo, não dou moral, não consigo separar as coisas de um ano para outro em apenas um virar de meia noite, acho que ninguém consegue, mas eu não consigo nem considerar esta idéia, mesmo que falsamente; de lá pra cá, nunca concordei com a moça ao lado de Forrest Gump no bar em Nova Iorque, que diz o ano novo não é maravilhoso? Todos ganham uma segunda chance.

O reveion de 2004 para 2005 representa muito para mim em termos desta compreensão crítica, estúpida, mas crítica acerca desta festa e sobre o nosso calendário romano. Mais ainda, o ano de 2004 que acabava marcara-se por um importante processo de racionalização meu sobre mim e o mundo; meus 15 anos foram quentes e tensos, e eu sabia que 2005 me guardava coisas importantes, como vivi e guardo até hoje (algumas eu ainda nem compreendi).

Você me encontra nesta foto do reveion 04/05.

De lá pra cá enfiei a cabeça no balde da criticidade, em todos os aspectos de minha vida: desde a música que eu ouço, a camisa do corintias que opto vestir (sim, minhas escolhas neste aspecto também perpassam meu senso crítico), até as minhas escolhas profissionais. Porém, cai naquele convite endemoniada e pernicioso da crítica, e realmente me afoguei neste balde, sinto que perdi o ar seguidas vezes sentindo-me sufocado, chegando a ter breves desmaios.

Sai para comprar pertences para mini cachorro quente, para uma pseudo ceia a ser realizada com amigos da época do cursinho, que não vejo desde o último pseudo reveion; devo salientar que me aproveito desta data meramente para estar com amigos. Caminhando até um supermercado paulistano, tomei a decisão de, hoje, levar a sério a proposta enganadora do ano novo: vou me apegar à idéia de que a contagem de 365 dias que se inicia à meia noite de hoje fará toda a diferença, no sentido de mudanças positivas, vou vestir o personagem, não vou de branco, mas vou acreditar que, por conta desta meia noite (atrelada à minha incrível e forte vontade de me equilibrar) alcançarei meus objetivos, sejam eles quais forem.

Falando no português claro que costumo evitar aqui no blog, enfio a crítica no cu, e cago um feliz ano novo a todos nós (por mais falso que possa soar).

Ps: nos últimos anos estamos sofrendo a lavagem cerebral de que temos que fazer tudo pelo meio ambiente, sou crítico a isto também, e não faço o que chamam de “a minha parte”, sabe por que? Por que ai chega no dia 31 de Dezembro e a melhor festa é a que causa o maior dano ambiental, com os tais fogos de artifício.

Ps1: essa bosta de blogspot tá desconfigurando o texto, se você chegou aqui, isto é, superou o fato de cada paragrafo estar de um jeito, me perdoe.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

plano furado.

deparei-me novamente com aquele cd recheado por escritos pela metade, idéias a desenvolver e pretensões juvenis.
bosta, hoje não, tenho trabalho por fazer.
pagando de poeta clássico, respondi:
minh´alma não se inquietará,
o trabalho mais pra frente,
novamente ficará.

Quantos planos furados nestas linhas escritas,
E tenho medo de quando repetir este exercício, daqui a dois anos.
bosta.

ps: texto postado e link colado no tuiter;
mais um plano (este prático) comprova-se furado;
nick cave ilustra.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

não sei ao certo do que se trata;

não sei se quero saber;

não sei se quero abstrair;

não sei se vale a pena não conseguir dormir;

não sei;

vivendo, passando e sentindo tantas e tamanhas incertezas, encontro certa síntese que permite certo respirar:

não deixe que se quebre a magnitude do limitar.

será que conseguirei dormir?


quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Crime.

O jovem, conhecido como Manolo, entrou na cozinha no silêncio da madrugada, apenas mais uma em que se dedicava à não prática do sono e o desenvolvimento de sua concepção bacanista sobre trocar o dia pela noite.
Estava com fome, havia jantado um prato de arroz com frango em tiras por volta das 20:31.
Abriu a geladeira uma vez no intuito de comer um sanduíche, e fora surpreendido com pertences para mini pizza. Hum, pensou ele.
Começou a criar uma mini pizza: molho de tomate, presunto, queijo em fatia, queijo ralado, batata palha e orégano.
Azeitona, pensou ele.
Abriu a geladeira, azeitona não havia, fechou a geladeira e ouviu um trumck.
Tornou a abrir a porta, e eis que se deu o crime: o pote com a berinjela cortada em cubinhos, destinada a se tornar berinjela com azeite e tomate para ser comida com pão, veio ao chão.
Os cubinhos correram de impacto ao solo, misturando-se com os pêlos de cachorro, as sujeiras trazidas da rua e do quintal para dentro de casa.
Agora era tarde, não adiantava chorar a berinjela derrubada: o crime já havia sido cometido.
Restou a Manolo, ocultar o cadáver.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

pronto.

Uma das poucas coisas do ensino religioso que tive na escola e que carrego comigo, e em mim, é uma idéia metafórica de equilíbrio: quando uma balança tende muito para um lado, depois há de se fazer ela pesar mais para o outro extremo, para que depois se possa chegar a alguma prática equilibrada nesta/desta. De certa forma acredito nisso, embora seja notavelmente desequilibrado (tinha um exemplo com pilares, mas não lembro).

Parei de escrever minha coluna de amanhã do Templo da Bola e fui até a cozinha pegar mais meio copo de refrigerante e uma pedra de gelo. Ao balançar a forma de gelo para que os cubinhos se readequassem aos respectivos espaços, tive aquela percepção.

Acaba sendo impossível não refletir sobre os ultimos 11/12 meses quando chega nesta época do ano, dezenas de signos externos me conduzem a este tipo de pensamento retrospectivo. E, não entendi, e nem quero entender o por que, mas essa compreensão retrospectiva e, até certo ponto, uma resolução futura, me veio com os gelos citados.

2009 foi um ano ocioso; cabeça vazia oficina do diabo, e dai pra baixo. Quem conviveu comigo no ano passado (demarcando 'ano passado' de março de 2009 à maio de 2010) entende os diabos que me permearam e que deixei entrar.

Considerando a filosofia judaica, talvez sem perceber, pois não me recordo de ter pensado "puxa, vou reverter o extremo", este 2010 começou em maio (o reveion foi dia 22) e ainda não tem previsão de final, pode ser fevereiro, março, vai saber. Chuto que será em fevereiro. Mas este ano ainda inacabado foi cheio, ocupado, por mim, eu o preenchi, eu o enchi, eu o tornei este ar sufocante insopurtável que parece não se cansar de me deixar respirar um pouquinho pra retomar a consciência e depois voltar a tampar minhas narinas e minha boca por dois minutos.

Eu peguei 8 disciplinas para cursar no segundo semestre, eu me dispûs a auxiliar na organização de eventos, eu me coloquei a disposição para muita coisa, diferentemente do citado 2009; e fiz, e cansei, e não aguento mais; assim como ao final de 2009, eu também não aguentava, mas por um extremo completamente outro que o exibido a alguns minutos pelo gelo.

Acho que estou pronto para me equilibrar. deus, dá uma forcinha ae Manolo.

Resmungando.

sim, resmungo, reclamo, torço o nariz, questiono; sobretudo, retornando: resmungo. e muito.
neste final de semestre, sim, por que esta é a categoria que tem mensurado a minha vida de 2008 pra cá: semestre, o primeiro e o segundo, de vez em quando fala-se em ano; normalmente, no meu caso, para atenuar, acentuar e, até, justificar o resmungar. a verdade é que quando me programo para chegar em uma quinta feira, final de semestre, dormir até as dez, me lembram na véspera de que tem aquela coisa as 9 da manhã; e ai quando estou pronto, vinte pras nove, para sair de casa, me avisam de que ela foi desmarcada. e ai eu volto pro colchão saboroso (oso), mas não consigo retomar o sono para mais uma hora e vinte de descanso desacordado. fico pensando no que aconteceu com a minha prova de teoria antropológica II. e resmungo mais ainda.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Título.

Dialogando com as imagens de final de ([mais] um) ano (conturbado).

Oito de Dezembro.
Dezessete horas redondas em meu telemóvel; sai de casa às dezesseis e trinta para buscar o meu remédio Rede Globo: manipulado e manipulador (sobretudo do meu humor e relações) ; cravadas cinquenta e quatro horas sem ele em minhas conexões nervosas.
Na região comercial do centro as pessoas (não que eu não seja uma pessoa) aproveitam este feriado extraordinário para realizar extraordinariedades (isto é, coisas que fogem do cotidiano explorador do trabalho opressivo, como se diz): passear com a família; sacolas e sacolas em lojas e lojas; algodão doce servido pelo palhaço na loja de um e noventa e nove (onde eu estava em oito de dezembro de noventa e nove?).

Ouço aquela banda que canta "sobre aquele tempo, em que se dizia estou certo";
À minha esquerda, em frente à um tosco presépio, um casal de jovens (do colégio em que fiz estágio) namoricam-se;
À minha frente a câmara municipal decorada para as tais festas desejosas de serem boas;
À minha direita um papai noel grande e gordo (não menos tosco do que o presépio) feito de fibra de vidro tem as botas brilhantes.

Outrora, isto é, quando me encontrava bem manipulado:
-Brinquei de reprodução vulgar com o papai noel;
-Debochei do presépio;
-E elaborei jocosidades elogiativas a partir da câmara municipal.
Tomo um refrigerante burguês, aquele que quase matou de susto a mãe de Alexander na Berlim de noventa; ele me dá tanto sentido debaixo deste sol.
Saí de casa com a minha câmera no bolso, mas alguns olhares durante o caminho me inibiram de fotografar (gabriel, eu sei que você não passa de um paulistano cagão).

Tenho que estudar o cara do diário de um detento.
Falar sobre futebol por duas vezes até segunda feira.
Dar conta de um outro que fala alguma coisa sobre dinheiro.
E outros mais que observam organizações humanas (sabe-se lá onde).
Eu sei que no caminho de volta para casa me depararei (e me emocionarei, pois certamente era algo próximo disto que eu realizava em oito de dezembro de noventa e nove) com crianças aproveitando o horário de verão e os corredores de vento desta cidade para soltar pipas, até por que, é oito de dezembro.
Eu sei que vou chegar em casa e o lado divertido do gramado de Berlim continuará sendo o ocidental, pois o oriental encontra-se delirante (como ainda ocorre com muitos [em sentido literal] desta escolinha, o que me faz estar aqui neste oito de dezembro ouvindo e pensando se "mudar o mundo será apenas mudar o mundo de lugar").
Cinquenta e quatro horas e doze minutos depois, concluo que ser um ser produto desta manipulação específica (de onde vem a confiança nesta relação para com todas as outras? como é possível acertarem tão bem na receita?) tem as suas vantagens; por vezes, incentiva o catapultar de um sorriso besta, talvez bestial, talvez bestializante; talvez apenas impede sua reversão, e nos últimos trezentos e quarenta e dois dias (para seguir o modelo romano; e não ignorando os trezentos e sessenta e cinco anteriores) é o que tem importado.

domingo, 5 de dezembro de 2010

em meio a tanta coisa,
tanto amparo,
tanto sem pensar,
tanto parar,
tanto tudo,
por oferecê,
por recebê.
em meio a tantas imagens,
marcantes,
nestes olhos detalhados,
[a magnitude do limitar],
exposto osto,
sem limites.
penso apenas força,
por oferecê,
por recebê,
por vivê.
força.
força.
tem que tê.